Cidades
Volta do VLT depende da Defesa Civil de Maceió
Segundo CBTU, retorno dos trens, previsto para 2027, vai levar em conta atendimento de requisitos de segurança operacional
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou, por meio da sua assessoria de comunicação, que o retorno do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) só irá ocorrer após a liberação do trecho, entre os bairros do Bom Parto e Bebedouro, com autorização expressa da Defesa Civil de Maceió e demais órgãos que atuam no Caso Braskem em Maceió.
Portanto, a obras de reconstrução da via férrea continuam, mas a colocação dos trens nos trilhos está condicionada ao atendimento dos requisitos de segurança, até porque a circulação dos trens foi suspensa em 2020 por conta do afundamento solo, provocado pela mineração predatória de sal-gema explorada pela Braskem.
Por meio de nota, a CBTU informou que “as intervenções realizadas na faixa de domínio ferroviária, entre as estações Bebedouro e Bom Parto, têm como objetivo o cumprimento do termo de cooperação técnica firmado entre a CBTU e a Braskem”.
A assessoria de comunicação da CBTU disse ainda que a obra tem sido executada de acordo com o cronograma pactuado e com os custos integralmente arcados pela Braskem. “Cabe destacar que, ainda que a ferrovia seja reconstruída em sua plenitude, a retomada da operação de transporte de passageiros ocorrerá somente mediante a devida liberação pela Defesa Civil de Maceió e demais órgãos competentes, condicionada ao atendimento de todos os requisitos de segurança operacional”, explicou a Companhia.
Soluções
Na nota, a CBTU garantiu que mantém o compromisso em oferecer soluções de mobilidade urbana sustentáveis e seguras para a população da Região Metropolitana de Maceió.
A companhia não quis revelar qual o prejuízo que teve com a tragédia do afundamento do solo, causado pela Braskem, na capital alagoana. No entanto, confirmou que as obras de recuperação dos trilhos, num trecho de aproximadamente 3 quilômetros, que vai do Bom Parto a Bebedouro, estão orçadas em R$ 82 milhões. Todos os custos estão sendo bancados pela mineradora, de acordo com o Projeto de Requalificação da Malha Ferroviária.
No canteiro de obras, os operários trabalham na preparação do terreno para a instalação dos trilhos. As frentes de trabalho estão aplicando a técnica de retaludamento, para garantir a segurança do trecho e a estabilidade do solo. Além disso, todo o trajeto será monitorado, tanto pela CBTU como pela Defesa Civil, para corrigir eventuais erros ou deformações.
Segundo o chefe da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre, em entrevista à TV Gazeta, o VLT vai voltar, mas seguindo rigorosamente todas as normas de segurança. “Se alguma deformação nos trilhos ou no terreno for detectada, poderá ser corrigida o mais rápido possível, já que o trecho estará sendo monitorado em tempo real, pelas equipes técnicas de plantão”, afirmou.

Já são seis anos sem trens nos trilhos da região
Abelardo Nobre disse ainda que a liberação do trecho para o transporte de passageiros por meio do VLT, está amparada em critérios técnicos de segurança.
“Na ciência do desastre, o risco está inteiramente libado ao tempo de exposição. Então você tem um determinado risco quando as pessoas passam por ele, num determinado período de tempo, que representa um risco ‘X’. Agora, se as pessoas moram ali, esse risco aumenta e é potencializado. Então, todo esse trecho está sendo preparado para a volta do VLT, mas não pode ter paradas e, conforme o novo Plano Diretor de Maceió, não pode ser ocupada om edificações, nem para fins comerciais, nem residenciais, por continuar como área de risco, dentro do processo de afundamento do solo”, explicou Abelardo Nobre.
Ele disse ainda, na entrevista à TV Gazeta, no início dessa semana, que a circulação de veículos naquele trecho ainda está sendo avaliada. Apesar dos problemas no trânsito naquela região, com congestionamentos constantes na Ladeira do Calmon, o chefe da Defesa Civil disse que uma pista está sendo construída, ligando a Avenida Major Cícero Toledo, no Bom Parto, à Rua Cônego Costa, em Bebedouro.
No momento, o trânsito de veículos nesse trecho não é possível, mas pode ser liberado futuramente, contanto que a área seja considerada segura para quem precise transitar de carro, entre os bairros do Bom Parto e Bebedouro. Segundo o chefe da Defesa Civil, tudo vai depender da avaliação técnica sobre a estabilidade do solo na região, onde se concentra a maior quantidade de minas de sal-gema desativadas.
Seis anos
Por conta da subsidência do solo, causada pela mineração predatória de sal-gema pela Braskem, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) acumula prejuízos significativos, incluindo a desativação de estações, corte de mais de 50% dos passageiros (reduzindo de 19 mil/dia para cerca de 1.600 a 1.700 ente 2024 e 2025) e a interrupção do trecho entre Bom Parto e Bebedouro desde abril de 2020.
A perda drástica de passageiros, que passaram a usar ônibus ou outros meios de transporte coletivo, afetou a arrecadação da Companhia. Para os moradores da região, aumentaram os gastos com mobilidade urbana. Além dos transtornos causados, como a necessidade de baldeação e rearranjos operacionais na linha férrea.
A CBTU informou em julho de 2025 que a redução de viagens e a reestruturação da malha continuam sendo motivadas pelo impacto da mineração e restrições orçamentárias, buscando soluções definitivas com a Braskem.
A Companhia passa por um momento crítico, com ameaça de privatização. Um Projeto de Lei (PL 614/2026), tramita na Câmara Federal nesse sentido, aguardando despacho do presidente da Casa, Hugo Mota.

Mobilidade urbana foi prejudicada por conta de obras da Braskem
A prefeitura de Maceió informou, por meio de nota, que está ciente das intervenções em andamento na região.
“As ações integram o Termo de Acordo firmado entre a mineradora Braskem e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), com foco na reparação de danos e na requalificação da malha ferroviária”, afirmou a assessoria de comunicação da gestão municipal.
Já a Braskem disse, também por meio de nota, que “a obra em execução na região do Bebedouro consiste em uma via para interligação das ruas Cônego Costa e a Ladeira do Calmon e trata-se de uma intervenção estruturante para cumprimento do acordo firmado entre a Braskem e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU)”.
“Esta obra vai melhorar significativamente a mobilidade urbana na região, e também irá contribuir para uma redução importante dos riscos de alagamentos nas imediações do Riacho do Silva, nos períodos de chuva intensa”, acrescentou a assessoria de comunicação da Braskem, em Maceió.
MOBILIDADE
Para os moradores da região de Bebedouro, a mobilidade urbana ficou prejudicada com as obras da Braskem. O trecho do Bom Parto a Bebedouro, onde os operários compactaram o terreno para a colocação dos dormentes que servirão de base para os trilhos, está totalmente interditado.
“É um sufoco medonho toda vez que a gente sai de casa para ira ao Centro da cidade. Porque não temos mais o trem de passageiro, que passava na Estação de Bebedouro em direção ao distrito de Lourenço Albuquerque, Uber é caro e os ônibus que fazem o transbordo são demorados. Demoram tanto que as pessoas desistem”, comentou o vendedor ambulante, Valdemir Alves, morador do Flexal de Cima.
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