Cidades

Sem-terra retornam aos municípios após ato religioso

Por Claudio Bulgarelli - repórter / Tribuna Hoje 17/04/2026 08h34
Sem-terra retornam aos municípios após ato religioso
Ato em frente ao Tribunal de Justiça de Alagoas reuniu trabalhadores e trabalhadoras do campo - Foto: Edilson Omena

Dando continuidade à Jornada Nacional de Luta em Defesa da Reforma Agrária e contra a violência no campo, a Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), junto a vários movimentos populares, realizou ontem, em Maceió, um ato inter-religioso contra a violência e a impunidade no campo, e em memória aos 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás. No final da tarde, os trabalhadores retornaram para os seus municípios.

O ato, que aconteceu em frente ao Tribunal de Justiça de Alagoas, reunindo trabalhadores e trabalhadoras do campo, lideranças populares e representantes religiosos em um momento de fé, denúncia e resistência, cobrou uma maior celeridade do Poder Judiciário e dos órgãos competentes nos processos referentes às terras das antigas usinas Laginha e Guaxuma, além de outras áreas em processo de regularização no estado de Alagoas, onde centenas de famílias seguem há anos aguardando a efetivação da reforma agrária.

Também como parte da agenda do Abril Vermelho, foi realizada a entrega oficial da pauta de reivindicações ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária Nacional, reforçando as demandas dos movimentos sociais por desapropriação de terras, assentamento das famílias acampadas e avanço concreto da política de Reforma Agrária no país.

Em Alagoas, a FNL se soma aos movimentos parceiros MST, MTL, CPT, MVT, MPL, TL e MLST, fortalecendo a unidade das organizações populares na luta por terra, justiça social e dignidade para as famílias camponesas. Segundo o coordenador Nacional da FNL, Marcos Marrom, o Abril Vermelho marca os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, data em que 19 trabalhadores rurais sem-terra foram assassinados em um dos episódios mais brutais da história da luta pela terra no Brasil.

“Mais do que preservar a memória dos que tombaram na luta, a mobilização também é um momento de denúncia e cobrança ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar para que avancem de forma concreta na execução da Reforma Agrária no Brasil. No estado de Alagoas, famílias organizadas pela FNL e pelos movimentos populares seguem resistindo há 14 anos nas terras das antigas usinas Laginha e Guaxuma, além de diversos outros acampamentos espalhados pelo território alagoano, aguardando que a terra cumpra sua função social”, afirma Marcos Marrom.