Cidades
Júri de morte por asfixia expõe relação marcada por conflito
Ex-marido é apontado como suspeito e nega o crime; perícia descarta suicídio e reforça estrangulamento
O julgamento sobre a morte de Anne Larissa Nepomuceno reúne, nesta quinta-feira (16), depoimentos, laudos periciais e a versão do réu, ex-marido da vítima, apontado como suspeito de feminicídio. Ele nega a autoria, embora tenha sido a última pessoa vista com Anne antes da morte.
O caso ocorreu em 13 de outubro de 2024, no bairro Feitosa, em Maceió. A vítima foi encontrada sem vida dentro de casa após a patroa estranhar a ausência no trabalho e a falta de contato.
A investigação indicou que, dias antes, o réu entrou na residência ao pular o muro e discutiu com a vítima após encontrar um conhecido dela no local. No dia do crime, testemunhas relataram que ambos estiveram em um mercadinho, sendo ele a última pessoa a manter contato com Anne Larissa.
Durante o júri, a mãe da vítima descreveu a relação da filha com o réu como conturbada e relatou episódios de ameaça. Segundo ela, Anne havia decidido encerrar o vínculo na véspera do crime. Também afirmou que a filha não apresentava sinais de sofrimento que indicassem intenção de tirar a própria vida.

A perícia apresentada em plenário apontou que a causa da morte foi asfixia mecânica. A médica-legista reafirmou que os elementos observados não são compatíveis com suicídio, destacando características que indicam estrangulamento.
Questionada, a especialista explicou que, em casos de enforcamento, há padrões específicos de marcas que não foram identificados. Também ressaltou que não há evidência de que a vítima pudesse ter provocado a própria morte nas condições em que foi encontrada.
A defesa tentou contestar o laudo, levantando a hipótese de ausência de lesões externas mais amplas, mas a perita sustentou que o estrangulamento pode ocorrer sem outros sinais pelo corpo.
Réu entrou na casa de Anne
Em depoimento, o réu confirmou que entrou na casa da vítima dias antes do crime e afirmou que o fez por preocupação. Questionado sobre o motivo, disse que queria saber quem estava no local. Ele negou envolvimento na morte.
O promotor de Justiça Antônio Vilas Boas conduz a acusação.
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