Cidades
MST realiza ato religioso na praça Deodoro nesta quinta-feira
As celebrações dos trabalhadores sem-terra em alusão ao Abril Vermelho serão marcadas por um ato religioso a ser realizado hoje, a partir das 10h, na Praça Marechal Deodoro, em frente à sede do Tribunal de Justiça de Alagoas.
A ação dos camponeses faz parte das atividades da Jornada de Lutas em Defesa da Reforma Agrária em Alagoas.
Como parte das atividades, cerca de 400 trabalhadores sem-terra ocuparam a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ontem pela manhã.
Conforme as lideranças rurais, a atividade acontece para chamar a atenção à falta de avanço na execução de políticas para o campo pelo órgão federal junto aos acampamentos e assentamentos do estado.
O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Renildo Gomes, afirmou que a ocupação do Incra acontece para reforçar as cobranças.
“Mais uma vez, voltamos ao Incra para relembrar à superintendência deste órgão em Alagoas as demandas dos acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária”, explicou.
Ele reforçou que o objetivo é novamente reapresentar o conjunto de pautas já conhecidas por esta casa para que algum avanço seja sinalizado neste próximo período.
De acordo com Renildo Gomes, as demandas apresentadas ao Incra em Alagoas envolvem um conjunto de aspectos das necessidades dos assentamentos, em especial no que diz respeito às infraestruturas básicas para avanço e fortalecimento da produção de alimentos saudáveis; e aos acampamentos, com destaque às áreas que estão hoje sob risco de despejo em Alagoas.
Ainda segundo o coordenador nacional do MST, a morosidade no avanço de questões relacionadas à Reforma Agrária atravessa anos na superintendência do Incra no estado.
“Nossas reivindicações demandam necessidades básicas para o desenvolvimento do campo em Alagoas a partir do que defendemos: com gente produzindo alimentos saudáveis e vivendo com dignidade”, resumiu o coordenador do MST.
O coordenador da Frente Nacional de Lutas (FNL), Marcos Marrom, contou que os trabalhadores sem-terra vivem uma situação complicada. “Vivemos ainda uma situação extremamente delicada em Alagoas, onde temos um superintendente que segue no órgão desde a gestão de Bolsonaro na presidência. Uma vergonha para Alagoas e para o país”, frisou.
Além do MST, participam da mobilização representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Frente Nacional de Luta (FNL), Movimento Popular de Luta (MPL), Movimento Social de Luta (MSL), o Movimento Via do Trabalho (MVT) e Movimento Terra Livre.
Vermelho
Além de cobrar o avanço da Reforma Agrária no país, a Jornada marca ainda a memória dos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, no Pará, e que ficou conhecido como Abril Vermelho.
Na ocasião, 21 membros do MST foram mortos pela Polícia Militar no dia 17 de abril. Desde então, a data se tornou referência internacional, como Dia da Luta Camponesa.
A Jornada Nacional de Luta em Defesa da Reforma Agrária e Contra a Violência no Campo acontece em todo o país durante o mês de abril e reafirma a resistência histórica dos trabalhadores e trabalhadoras do campo.
“Mais do que preservar a memória dos que tombaram na luta, a mobilização também é um momento de denúncia e cobrança ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar para que avancem de forma concreta na execução da Reforma Agrária no Brasil”, destacou Marcos Marrom.
No estado de Alagoas, famílias organizadas pela FNL e pelos movimentos populares seguem resistindo há 14 anos nas terras das antigas usinas Laginha e Guaxuma, além de diversos outros acampamentos espalhados pelo território alagoano, aguardando que a terra cumpra sua função social.
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