Cidades

Ex-soldados denunciam casos de abuso sexual e tortura no 59º Batalhão de Infantaria de Maceió

Denúncias de violência dentro do Exército Brasileiro foram formalizadas ao Ministério Público Federal, que iniciará as investigações sobre os casos

Por Tribuna Hoje com agências 14/04/2026 14h28
Ex-soldados denunciam casos de abuso sexual e tortura no 59º Batalhão de Infantaria de Maceió
Exército - Foto: Reprodução

Dois ex-soldados denunciaram casos de violência física e abuso sexual que ocorreram dentro do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIMtz), localizado no bairro do Farol, em Maceió, Alagoas. As denúncias foram formalizadas e entregues ao Ministério Público Federal (MPF) na última sexta-feira (10). O MPF confirmou o recebimento das acusações e informou que a análise do caso começaria na segunda-feira (13) para determinar quem ficará responsável pelas investigações, devido à implicação de militares.

Até o momento, o Exército Brasileiro não se manifestou sobre as providências adotadas após o recebimento das denúncias.

O primeiro caso foi registrado por Pablo Vince Pereira da Silva, de 20 anos, que revelou ter sido vítima de abuso sexual em setembro de 2025, enquanto ainda era soldado na corporação. De acordo com o relato de Pablo, o abuso ocorreu enquanto ele dormia. Um colega soldado teria se aproveitado da situação e, enquanto o agredia, outro soldado filmava o ato. O vídeo foi então compartilhado entre outros militares, e Pablo só tomou conhecimento do ocorrido após um amigo lhe informar.

“Eu estava há um ano e quatro meses no Exército, já tinha cumprido o período obrigatório e podia ficar por até sete anos. Estou fazendo tratamento médico e tomando medicação controlada por conta dessa situação. Laudos médicos apontam que fiquei com sequelas”, desabafou Pablo, que também mencionou a abertura de um procedimento interno para apurar o caso.

A segunda denúncia foi feita por outro ex-soldado, que preferiu não se identificar. O advogado dos dois, Alberto Jorge, relatou que o cliente foi levado à câmara fria do quartel, onde foi forçado a tirar a roupa, colocado de cabeça para baixo e agredido fisicamente. Durante o ataque, ele foi deixado nu e agredido nas nádegas por mais de dois minutos. A vítima estava no Exército há mais de um ano e registrou a denúncia em junho de 2025.

O advogado classificou essa agressão como tortura e afirmou que, além do soldado, participaram da violência um sargento, quatro cabos e um outro soldado. “Simplesmente chamaram a vítima para a câmara fria, onde fica o material de alimentação do Exército. Como foi uma ordem dada por um superior, ele foi na tentativa de cumpri-la”, explicou o advogado.

Após as denúncias, ambos os ex-soldados foram expulsos das Forças Armadas, apesar de sindicâncias internas terem sido abertas para investigar os casos. Atualmente, os dois ex-militares não fazem parte nem da reserva remunerada do Exército, o que dificulta ainda mais suas condições de vida.

Na ação formalizada ao MPF, a defesa solicita que ambos os ex-soldados sejam realocados para a reserva remunerada e recebam uma indenização por danos morais, materiais e psicológicos devido aos abusos que sofreram. O advogado Alberto Jorge também afirmou que seus clientes apresentam sequelas físicas e psicológicas resultantes das agressões e abusos sofridos.

As denúncias levantam sérias questões sobre a segurança e o bem-estar dos soldados dentro das Forças Armadas, além de exporem possíveis falhas no tratamento de vítimas de abuso dentro da instituição. O caso segue sendo analisado pelas autoridades competentes, que devem tomar as providências necessárias para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos.