Cidades
Vídeo: gasolina pode ter causado incêndio que fez vítima fatal em Maceió
Ana Beatriz desmente versão que circulou na imprensa e disse que Luiz Gustavo armazenava combustível no pequeno imóvel
No último dia primeiro de abril, numa madrugada de quarta-feira, um incêndio em uma quitinete na Avenida Moreira e Silva, no bairro do Farol, parte alta de Maceió, que fez duas vítimas, uma fatal e outra que se encontra em recuperação no Centro de Tratamento de Queimados, no Hospital Geral do Estado, começa a ser esclarecido mesmo sem o resultado oficial da perícia do Corpo de Bombeiros.
No depoimento exclusivo obtido pela reportagem da TV Tribuna Hoje e Tribuna Independente, com Ana Beatriz dos Santos Ferreira, através de seus advogados, Isadora Gomes e Bruno Almeida, do escritório Almeida e Gomes Advogados Associados, a mulher de 28 anos que se encontrava no quarto no momento do incêndio afirmou que, como seu companheiro, Luiz Gustavo, que faleceu com 80% do corpo queimado, armazenava galões de gasolina dentro da casa, tem certeza de que esse foi o motivo do fogo que destruiu praticamente o pequeno apartamento.
Segundo o depoimento de Ana Beatriz, por volta de 4 horas da manhã, Luiz Gustavo se levantou e foi até a cozinha para, provavelmente, fazer café ou cozinhar algo. Quando ouviu um barulho, ela se levantou e foi até o local, encontrando o companheiro com o corpo em chamas, pois o mesmo, na ânsia de apagar o fogo, jogou água, o que provocou mais chamas, evoluindo até também atingi-la.
O fogo, que destruiu o imóvel, mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, Samu e Polícia Militar, deixando um rastro de destruição e fazendo uma vítima, Luiz Gustavo. Ele chegou a ser resgatado com vida e ficou consciente no momento do atendimento, mas não resistiu à gravidade das lesões e faleceu pouco depois.
A vítima mantinha um relacionamento com Ana Beatriz, mãe de uma menina de 2 anos, que também foi atingida pelo fogo. Ela teve queimaduras de primeiro e segundo grau em mais de 30% do corpo e segue em recuperação no Centro de Tratamento de Queimados, no HGE. A reportagem, que não teve acesso ao quarto onde ela segue internada, foi atendida pelos advogados, que fizeram um depoimento exclusivo, onde ela relata como era o relacionamento com Luiz Gustavo e coloca luz sobre como teria sido a origem do incêndio.

Segundo ela, a possibilidade de que o incêndio tenha sido provocado propositadamente após uma discussão, como veiculado por sites e TVs locais, é totalmente mentirosa e inverídica. Apesar de vizinhos terem relatado que o casal tinha um relacionamento conturbado, ela afirmou que não era nada diferente do que a maioria dos casais. Nas redes sociais, o caso gerou repercussão, com diversas manifestações de usuários comentando o ocorrido e levantando acusações contra a suspeita.
A verdade de Ana Beatriz, que deve ficar mais um mês no hospital, é que o companheiro, antes de ser consumido pelas chamas, ainda conseguiu salvá-la. Em seu depoimento, bastante comovente, conforme os advogados, ela agradece a Luiz Gustavo pelo seu ato e pede que o tribunal da internet seja mais complacente e conheça realmente a história verdadeira do que aconteceu naquela madrugada no pequeno apartamento onde viviam.
A advogada Isadora Gomes, na entrevista exclusiva à TV Tribuna e Tribuna Independente, afirmou que, em relação ao seu estado de saúde, ela se encontra profundamente abalada, enfrentando um longo e doloroso tratamento para se recuperar das severas queimaduras. “Infelizmente, além da dor física e do luto, ela vem sofrendo um gravíssimo linchamento virtual. Reiteramos que a tragédia foi um incêndio acidental, possivelmente iniciado pelo armazenamento inadequado e extremamente perigoso de gasolina na residência por parte do namorado. Aguardamos o resultado da perícia com a absoluta convicção de que a verdade esclarecerá os fatos perante a sociedade. Neste momento, nossa maior preocupação é resguardar a segurança de Bia. Alertamos que todos os crimes de honra cometidos contra ela na internet estão sendo rigorosamente documentados e que as medidas judiciais cabíveis serão tomadas”, frisou Isadora.
Segundo Isadora, justiça se faz nos tribunais, com provas e investigação técnica, e não com linchamento virtual baseado em hipóteses. Para ela, deixar Ana Beatriz ser alvo desses ataques sem expor a real situação seria permitir que sua vida também fosse destruída. “Ela é uma sobrevivente de um trágico acidente e não pode ser ‘enterrada’ junto com ele pelo tribunal da internet”, destacou a advogada.

O advogado Bruno Almeida, que está acompanhando o processo junto às autoridades, revelou que a equipe de defesa teve acesso integral aos autos do inquérito apenas no dia 8 de abril. “Em absoluto respeito ao segredo de justiça e ao trabalho investigativo que vem sendo conduzido pela Polícia Civil, eu não comentarei detalhes específicos ou peças dessa investigação. Nossa postura é de total prudência, preservando o andamento do processo e, acima de tudo, em respeito ao luto e à dor das famílias envolvidas. Contudo, eu sinto o dever profissional e moral de vir a público para afirmar, com absoluta segurança, que os elementos técnicos e testemunhais que começam a constar oficialmente no inquérito vão confirmando, cada vez mais, a versão sólida e invariável que vem sendo sustentada pela Bia desde o primeiro momento. O que ocorreu naquela fatídica madrugada não foi um ato criminoso, mas sim, infelizmente, um trágico acidente doméstico. E é com essa verdade que continuaremos trabalhando nos autos”, finalizou o advogado.
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