Cidades

Mais um crime ambiental é registrado no litoral norte

Almeida Terraplanagem é acusada pelos moradores de Garça Torta e Guaxuma de descartar resíduos irregularmente

Por Valdete Calheiros - Tribuna Independente 25/03/2026 07h39
Mais um crime ambiental é registrado no litoral norte
Carretas e caminhões trafegam pela região causando transtornos à população e atraindo animais peçonhentos - Foto: Reprodução

Moradores de Guaxuma e Garça Torta, no litoral norte de Maceió, procuraram a reportagem da Tribuna Independente para denunciar um suposto crime ambiental em uma área conhecida como Morro Gigante. A comunidade afirma ter registrado, com frequência, o descarte irregular de entulho e restos de construção, situação que estaria provocando poluição recorrente e riscos ambientais.

Segundo os relatos, o problema se arrasta há anos. Os moradores dizem que já formalizaram diversas denúncias, incluindo o registro de boletins de ocorrência, mas afirmam que nenhuma providência efetiva foi adotada até o momento.

A população atribui as ações à empresa Almeida Terraplanagem, ligada ao empresário Omar Almeida. De acordo com os denunciantes, o fluxo constante de carretas e caminhões pesados tem gerado grande quantidade de poeira, sujeira nas residências e deterioração das vias, impactando diretamente a qualidade de vida na região.

Moradores de casas e prédios próximos relatam que a poeira levantada diariamente invade os imóveis e cobre móveis, roupas e alimentos. Também há queixas sobre o aumento de baratas, escorpiões e outros animais peçonhentos, situação que, segundo a comunidade, estaria relacionada ao acúmulo de resíduos e à alteração do solo.

Outro ponto de preocupação é a possível contaminação dos lençóis freáticos, já que os resíduos estariam sendo descartados diretamente no solo, sem proteção ambiental. A área, segundo relatos, foi escavada para receber o material. Um funcionário, que preferiu não se identificar, afirmou que o terreno teria sido escavado por ordem do proprietário da empresa, formando uma cratera com mais de 80 metros de profundidade.

O espaço estaria sendo utilizado como depósito de resíduos de obras, o que, caso ocorra sem licenciamento e controle ambiental, pode configurar crime ambiental. Há ainda denúncias de que parte do entulho estaria sendo descartada em áreas vizinhas, inclusive em terrenos com situação fundiária contestada.

Os moradores também mencionam possíveis parcerias da empresa com outras companhias do setor da construção e infraestrutura, o que levanta questionamentos sobre a origem e o volume dos resíduos levados à região. Para a comunidade, a dimensão das operações reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa por parte dos órgãos ambientais.

De acordo com os relatos, as irregularidades já foram denunciadas diversas vezes ao longo dos últimos anos, com registros de boletins de ocorrência, notificações e reclamações encaminhadas a órgãos públicos. Ainda assim, os moradores afirmam que não houve medidas para interromper o descarte ou investigar as atividades de forma aprofundada. O grupo apresentou registros feitos desde 2023.

A falta de resposta tem gerado, segundo a comunidade, sensação de abandono e impunidade, enquanto os impactos ambientais e sanitários continuam a se intensificar. Diante disso, os moradores cobram a interrupção imediata do descarte irregular.

“Não suportamos mais conviver com a poeira constante, com o aumento de pragas e com o medo de danos ambientais permanentes. Exigimos que as autoridades atuem de forma imediata para interromper qualquer descarte ilegal de resíduos, realizem perícias técnicas na área e responsabilizem os envolvidos caso irregularidades sejam confirmadas”, afirmou um morador, que preferiu não se identificar por medo de represálias.

A comunidade também cobra transparência e fiscalização contínua para evitar que a região siga sendo utilizada como ponto de despejo de entulho.

A reportagem tentou contato com o empresário Omar Almeida, da Almeida Terraplanagem, por meio de mensagem via WhatsApp. Apesar de o nome constar no perfil do aplicativo, a pessoa que respondeu afirmou não ser a responsável pelo contato.