Cidades
Júri do caso de jovem morto por ciúmes em Viçosa detalha encontros, planejamento e execução do crime
Testemunhas relatam encontro da vítima com ex-namorada, tentativa de assalto e movimentação da arma antes do assassinato de Rian
O julgamento do homem acusado de ser o mandante do assassinato de Rian Venâncio da Silva, de 18 anos, começou na manhã desta sexta-feira (13), no Tribunal do Júri do Fórum do Barro Duro, em Maceió. O crime ocorreu em 2022, em Viçosa, na Zona da Mata de Alagoas, e teria sido motivado por ciúmes.
O início do júri contou com o depoimento de Maria Clara, ex-namorada do réu, que pediu para prestar seu relato sem a presença das famílias. O juiz Geraldo Amorim determinou que todos se retirassem da sala para que a testemunha pudesse falar com liberdade. a jovem relatou que, no dia do crime, Rian a contatou e foram se encontrar em um local aberto, porém escuro, cada um em sua própria moto. Maria Clara informou a uma amiga sobre o encontro, que ocorreria à noite, e disse que, aproximadamente 20 minutos depois, passou um carro prata pelo local. Em seguida, um homem a pé anunciou um assalto, armado e apontando diretamente para Rian.
Ainda conforme Maria Clara, o criminoso, moreno, alto e forte, permaneceu insistente, embora não tenha levado nenhum objeto das vítimas. Ao perceber que a testemunha estava passando mal, ela caiu, e Rian se abaixou para ajudá-la, momento em que o homem disparou contra ele. “Ele deu o primeiro tiro, eu corri. Quando saí correndo, escutei outro disparo”, contou. A testemunha também detalhou a relação possessiva do réu, afirmando que, mesmo após vários términos, ele sabia que ela mantinha contato com Rian. No dia do encontro, a vítima teria descoberto que Maria Clara havia sido repreendida pelo réu anteriormente por conversar com amigos e marcou o encontro após trocar mensagens com ela.
Em seguida, outro réu foi ouvido, detalhando sua participação na logística do crime. Ele afirmou que abasteceu o carro em um posto próximo ao local do assassinato às 20h e voltou por volta da meia-noite para comprar cigarro, já sabendo que Rian seria a vítima. Durante o depoimento, ele entrou em contradição ao falar sobre a localização da arma do crime: disse inicialmente que a arma teria sido enterrada em uma área de sua propriedade, mas depois afirmou que isso não ocorreu.
O homem explicou que, no dia do crime, estava matando porco quando soube que Eduardo, acusado de executar Rian, havia enterrado a arma perto da casa de “Pezão”, réu principal do caso. A mãe do réu pediu que ele pegasse a arma para que não fosse encontrada, e ele a entregou a ela. Ele confirmou ainda que Eduardo frequentava sua casa e tinha amizade tanto com ele quanto com Pezão. Durante o interrogatório, o promotor questionou por que ele não havia acionado a polícia, mesmo sabendo que Rian seria morto, e destacou as contradições de seus relatos.
O júri segue detalhando os acontecimentos que culminaram na morte de Rian, desde o encontro com a ex-namorada, a chegada do assaltante, os disparos e o planejamento do crime, envolvendo a movimentação da arma e a participação de Eduardo e outros suspeitos.
O julgamento foi transferido para Maceió para garantir maior segurança e imparcialidade, e é conduzido pelo promotor Frederico Monteiro, do Ministério Público de Alagoas.
Familiares da vítima acompanham a sessão e aguardam que a justiça seja feita, enquanto os depoimentos continuam a esclarecer a sequência completa dos fatos e o envolvimento direto dos réus na execução premeditada do homicídio.
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