Cidades
Acusado de matar ex-mulher com coxinhas envenenadas pega mais de 30 anos de prisão
Felippe Silva Cirino é condenado pelo crime contra Joice dos Santos Silva Cirino, de 36 anos, cometido em outubro de 2024
O crime, bárbaro e premeditado, causou indignação na pequena cidade de São Brás, no Agreste alagoano, já que a vítima, Joice dos Santos Silva Cirino, de 36 anos, era professora e muito querida. Nesta quarta-feira (11), após quase dois anos de espera, a atuação do Ministério Público de Alagoas, representado pelo promotor de Justiça Alex Almeida, resultou em um júri de mais de 13 horas que condenou Felippe Silva Cirino, ex-marido da vítima, a 33 anos, dois meses e 19 dias de reclusão em regime fechado, pelos crimes de feminicídio consumado e homicídio tentado. Ele envenenou Joice com coxinhas, que também afetaram seu filho adolescente.
Pela morte da professora, Cirino foi condenado a 27 anos de prisão, e pela tentativa de homicídio do filho, à época com 15 anos, recebeu pena de seis anos, dois meses e 19 dias. O réu já havia tentado envenenar Joice anteriormente com açaí, sem sucesso, persistindo até atingir seu objetivo.
Para o promotor Alex Almeida, o resultado ameniza a dor da família e representa justiça. “A professora Joice foi mais uma vítima da violência e do feminicídio no Brasil. Constatamos a cultura de posse e a não aceitação do fim de um relacionamento transformado em vingança. O Ministério Público destacou a perversidade planejada e o uso cruel do veneno, que fez a vítima acreditar em um gesto de delicadeza inexistente. A sentença não traz Joice de volta, mas a família sai do júri um pouco aliviada, e ele pagará pelo crime cometido”, afirmou.
A frieza do réu ficou evidente quando tentou apagar vestígios da cena do crime. O filho de Joice também ingeriu as coxinhas e precisou de internação, com exames confirmando vestígios de envenenamento em seu organismo.
Relembre o caso
No dia 8 de outubro de 2024, por volta das 20h, Felippe Cirino levou um pacote com 20 coxinhas à casa onde Joice morava com o filho. Ambos comeram e, pouco depois, Joice passou mal, sendo encontrada caída pelo filho e pelo próprio acusado, com sinais de intoxicação. Levada à UPA de Porto Real do Colégio, não resistiu e morreu cinco horas depois.
Dez dias após a morte, a Polícia Científica divulgou o laudo toxicológico realizado pelo Instituto de Criminalística, que apontou a presença das substâncias sulfotep e terbufós. Segundo o chefe do laboratório, Thalmanny Goulart, o sulfotep é um fosfato orgânico altamente tóxico, enquanto o terbufós interfere na transmissão dos impulsos nervosos, confirmando a ação letal do envenenamento.
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