Cidades
Moradores dos Flexais exigem e cobram realocação para outros bairros
Eles denunciam descaso da Braskem e reclamam do isolamento social em que estão vivendo após o crime ambiental
Para o vendedor ambulante Valdemir Alves, que faz parte do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB), “o que faltou e o que está faltando aqui em Maceió é justiça para criminalizar essa criminosa chamada Braskem e todos aqueles que estão coniventes com o crime do afundamento do solo”.
“Ao invés de punir a criminosa, a Justiça quer punir as lideranças que protestaram contra a empresa”, acrescentou Alves, lembrando o interdito proibitório concedido à petroquímica, em janeiro deste ano.
A pedido da empresa, a Justiça de Alagoas decidiu restringir manifestações contra a Braskem em Maceió. A sentença, proferida pela 29ª Vara Cível da Capital, no dia 6 de janeiro de 2026, determina que protestos não podem ocorrer num raio de até 10 quilômetros da sede da empresa, no Pontal da Barra.
A decisão torna definitiva uma liminar que já proibia bloqueios e obstruções na entrada da fábrica. O texto estabelece multa de R$ 10 mil por protesto realizado em desacordo com a determinação e R$ 5 mil por dia de descumprimento continuado. A ordem judicial alcança líderes comunitários, representantes de movimentos sociais e políticos que participaram de atos anteriores.
MOVIMENTO
Inconformados com a condução dos acordos entre a Braskem e as autoridades, os moradores dos Flexais continuam reclamando do isolamento social e cobrando a realocação das famílias que não querem mais morar na região.
Logo depois do Carnaval, os moradores realizaram um ato artístico-político para denunciar as violações de direitos enfrentadas pela população que permanece na chamada “área de borda” do mapa oficial de danos decorrentes da subsidência do solo causada pela mineração da Braskem.
A mobilização, organizada pelos próprios moradores, chamou atenção para o contexto de isolamento socioafetivo, comunitário, cultural e econômico vivenciado pela comunidade após as realocações compulsórias de famílias dos bairros de Bebedouro e adjacências. Com a saída em massa da população vizinha, os Flexais passaram a enfrentar o esvaziamento do território, a desestruturação de redes de apoio e a precarização de atividades comerciais e serviços essenciais.
Durante o ato, os participantes também denunciaram os impactos das obras do Projeto de Integração Urbana e Desenvolvimento dos Flexais — conhecido como Projeto Flexais ou “revitalização”.
Segundo os moradores, as intervenções têm provocado novos prejuízos à dinâmica comunitária e à permanência digna no território. Eles apontam ainda que a gestão da mineradora, no âmbito do projeto, tem produzido um mecanismo de tutela, vigilância e controle sobre a área, resultando em diferentes violações de direitos.
Também foi destacada a alegada negligência da Prefeitura e da Defesa Civil diante do sofrimento vivenciado atualmente pela comunidade.
A principal reivindicação do movimento é a inclusão integral dos Flexais no Mapa de Setorização de Danos elaborado pela Defesa Civil de Maceió, para que tenham acesso às medidas de apoio à realocação, além de indenização por danos materiais e imateriais.
O mapa é um instrumento que define as áreas oficialmente reconhecidas como afetadas pela subsidência do solo. Atualmente, a delimitação do mapa considera exclusivamente critérios geológicos.
No entanto, estudo internacional realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo, em parceria com a Universidade de Leipzig, e divulgado no ano passado pela Defensoria Pública do Estado de Alagoas, identificou riscos e danos geológicos relevantes na região dos Flexais.
Os resultados da pesquisa se somam a relatos recorrentes de moradores sobre o surgimento e o agravamento de rachaduras e falhas estruturais em imóveis da comunidade nos últimos anos. Através do ato, os moradores buscaram chamar atenção da sociedade para o drama vivido pelos Flexais e reafirmaram o apelo por justiça socioambiental e pelo reconhecimento oficial dos danos que continuam impactando as condições de vida digna no território.
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