Cidades
Trabalhadores rurais sem-terra ocupam Avenida Fernandes Lima
No terceiro dia de protesto, as reivindicações dos trabalhadores rurais ultrapassaram os muros do Ministério do Desenvolvimento Agrário na capital e ocuparam as duas faixas da Avenida Fernandes Lima. O bloqueio, embora pacífico, congestionou o trânsito no final da manhã e começo da tarde.
A ocupação da avenida mais movimentada da capital foi uma resposta dos trabalhadores rurais que não estão encontrando avanços nos pontos de pautas referentes à reforma agrária. A manifestação durou cerca de duas horas.
Uma reunião, marcada para o dia 12 de março, em Brasília, deverá retomar as tratativas entre representantes dos trabalhadores e o governo federal na tentativa de encaminhar as demandas apresentadas pelo movimento.
O Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT) foi acionado para acompanhar a manifestação, que contou com representantes de diversos movimentos sociais. A Polícia Militar também esteve no local.
O Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral) mediou a liberação de um trecho da Avenida Fernandes Lima. O protesto cobrou avanços na reforma agrária e a suspensão de processos de reintegração de posse em áreas ocupadas no estado.
A negociação foi conduzida pelo diretor-presidente do Iteral, Jaime Silva, com apoio do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar. Após diálogo com as lideranças, os manifestantes aceitaram desobstruir uma das principais vias da capital.
Desde o último domingo, cerca de mil trabalhadores rurais, segundo os cálculos das lideranças, Entre as principais reivindicações estão a suspensão das reintegrações de posse nas áreas das usinas Laginha e Guaxuma e a aquisição, por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de 4.200 hectares pertencentes aos complexos do Grupo João Lyra para assentamento de famílias acampadas há mais de 15 anos.
De acordo com Marcos Antônio da Silva, conhecido como “Marrom”, coordenador nacional da Frente Nacional de Luta (FNL), mais de cinco mil famílias aguardam uma solução definitiva para os casos das usinas.
“Estamos buscando não apenas chamar atenção das instituições, mas cobrar do Governo Federal compromisso com a reforma agrária. Solicitamos que o Poder Judiciário suspenda os processos de reintegração de posse, para que as famílias ameaçadas de despejo tenham tranquilidade”, afirmou.
Atualmente, mais de 15 mil pessoas vivem em acampamentos distribuídos pelo Sertão, Agreste, Zona da Mata, Litoral Norte e Litoral Sul do estado. Todas aguardam a posse da terra.
Os trabalhadores sem-terra são de diferentes regiões do estado e ligados aos movimentos Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Terra e Luta (MTL), Movimento Popular de Luta (MPL), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Via Trabalho e Terra Livre.
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