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Proibição da missa tridentina gera críticas e ataques ao arcebispo de Maceió

Por Lucas França com Tribuna Hoje com agências 01/03/2026 14h44
Proibição da missa tridentina gera críticas e ataques ao arcebispo de Maceió
De acordo com nota oficial da Arquidiocese, a restrição está fundamentada no motu proprio Traditionis Custodes, promulgado pelo Papa Francisco - Foto: Reprodução

A decisão do arcebispo de Maceió, Dom Carlos Alberto Breis Pereira, conhecido como Dom Beto, de proibir a celebração da missa tridentina nas igrejas da Arquidiocese tem provocado forte reação de grupos católicos tradicionais e repercussão dentro e fora do Brasil.

De acordo com nota oficial da Arquidiocese, a restrição está fundamentada no motu proprio Traditionis Custodes, promulgado pelo Papa Francisco, que limitou a celebração da chamada forma extraordinária do rito romano. O documento determina que cabe aos bispos regulamentar o uso da liturgia anterior à reforma do Concílio Vaticano II.
Antes da determinação, grupos ligados ao rito tradicional buscavam realizar celebrações em capelas antigas e espaços específicos. No entanto, a nota divulgada em fevereiro de 2026 deixou claro que a forma tridentina não possui autorização arquidiocesana. A Arquidiocese ressaltou que missas na forma ordinária (Novus Ordo), ainda que celebradas integral ou parcialmente em latim, podem ocorrer mediante consulta e autorização da paróquia responsável.

A chamada Missa Tridentina, também conhecida como rito romano tradicional, foi codificada pelo Papa Pio V em 1570, após o Concílio de Trento. Celebrada totalmente em latim, caracteriza-se pelo sacerdote voltado para o altar (ad orientem), momentos de silêncio, uso de incenso e ritos solenes que enfatizam o caráter sacrificial da Eucaristia.

A medida não agradou a parte do clero e de fiéis que defendem a manutenção do rito tradicional. Críticas também surgiram em canais religiosos internacionais. A apresentadora Relda, do canal Desde Espanha, citou publicações europeias que classificaram a decisão como autoritária e atribuíram ao arcebispo ameaças de “cisma” e “excomunhão” a quem celebrasse a missa tridentina — acusações que não constam na nota oficial da Arquidiocese.

No debate, também ganhou espaço o conceito de Igreja Sinodal, modelo enfatizado pelo atual pontificado e que propõe maior participação e escuta entre clero e leigos. Para setores tradicionais, essa orientação representaria uma ruptura com práticas históricas; já defensores do modelo afirmam que se trata de um aprofundamento da comunhão e da corresponsabilidade na vida eclesial.

A repercussão alcançou ainda grupos internos de sacerdotes em Alagoas, onde circulam mensagens de apoio às críticas feitas ao arcebispo. Em um dos áudios compartilhados, um padre — que pediu para não ser identificado — manifesta insatisfação com a condução das decisões e defende maior diálogo entre o episcopado e o clero local.

Até o momento, a Arquidiocese de Maceió mantém a posição de que a decisão segue as orientações estabelecidas pelo Vaticano e reafirma que qualquer celebração deve estar em conformidade com as normas litúrgicas vigentes.