Cidades
Criminoso é condenado a 42 anos por duplo homicídio em Maribondo
Erlande Coimbra de Barros foi julgado por homicídios que ocorreram em 13 de abril de 2022
Um crime marcado pela crueldade e pela frieza, cometido diante de familiares — inclusive uma criança de 12 anos — teve desfecho judicial nesta quinta-feira (26). Erlande Coimbra de Barros foi julgado e condenado a 42 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pela execução de Cícero Esperidião da Silva, conhecido como “Cicinho Boca d’Água”, e Benedito Pinheiro da Silva, o “Biu da Lanchonete”. Os homicídios ocorreram em 13 de abril de 2022, no município de Maribondo.
O julgamento foi desaforado para Maceió devido à comoção popular. Presidido pelo juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara da Capital, o júri teve início às 8h e se estendeu até as 2h da madrugada desta sexta-feira (27). O Ministério Público de Alagoas (MP/AL), representado pela promotora de Justiça Adilza de Freitas, sustentou as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
Segundo a denúncia, a motivação teria origem em uma mágoa antiga do réu. Dias antes dos homicídios, Erlande discutiu com Cícero Esperidião por causa de um acidente de trânsito envolvendo terceiros, o que teria reavivado o ressentimento.
A defesa tentou sustentar a tese de inimputabilidade, alegando que o acusado sofria de transtorno psicológico e estaria em surto psicótico no momento dos crimes. Foram apresentados pareceres de médico e psicólogo, mas o laudo oficial do perito psiquiatra forense concluiu que o réu era imputável. O Ministério Público reforçou que Erlande apresentava traços de psicopatia, sendo plenamente capaz de compreender o caráter ilícito de seus atos.
Para o MP/AL, os crimes foram premeditados e praticados com extrema perversidade. Benedito, de 68 anos, foi morto enquanto jantava, na frente da esposa e da neta de 12 anos. Já Cícero foi executado na calçada de casa, diante da esposa, que chegou a implorar para que os disparos não fossem efetuados.
“A neta que abriu a porta para o assassino entrar na residência da vítima Benedito até hoje é traumatizada. As viúvas e os órfãos carregam a dor da perda, mas nesta madrugada puderam voltar para casa com a sensação de que a justiça foi feita. A absolvição seria um segundo luto. O Conselho de Sentença deixou uma mensagem clara: o crime não compensa, respeite o direito de viver”, afirmou a promotora Adilza de Freitas.
Os homicídios desestruturaram as famílias. A neta de Benedito ainda sofre com os traumas, enquanto o filho mais velho de Cícero, à época com menos de 20 anos, precisou abandonar os estudos para sustentar o irmão adolescente e a mãe.
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