Cidades
Em ato, comunidade dos Flexais denuncia violações de direitos
Mobilização, organizada pelos próprios moradores, buscou chamar atenção para o isolamento social, cultural e econômico vivido após as remoções compulsórias de famílias dos bairros vizinhos
Nos dias 22 e 23 de fevereiro, moradores da comunidade dos Flexais, no bairro Bebedouro, em Maceió, realizaram um ato artístico-político para denunciar as violações de direitos enfrentadas pela população que permanece na chamada “área de borda” do mapa oficial de danos causados pela mineração da Braskem.
A mobilização, organizada pelos próprios moradores, buscou chamar atenção para o isolamento social, cultural e econômico vivido após as remoções compulsórias de famílias dos bairros vizinhos. Com o esvaziamento do território, os Flexais passaram a enfrentar a desestruturação de redes de apoio e a precarização de serviços essenciais.
Durante o ato, os participantes também denunciaram os impactos das obras do Projeto de Integração Urbana e Desenvolvimento dos Flexais, conhecido como Projeto Flexais ou “revitalização”. Segundo os moradores, as intervenções têm provocado novos prejuízos à dinâmica comunitária e à permanência digna no território. Eles acusam a mineradora de exercer tutela e vigilância sobre a área, além de apontarem negligência da Prefeitura e da Defesa Civil diante do sofrimento da comunidade.

A principal demanda do movimento é a inclusão integral dos Flexais no Mapa de Setorização de Danos da Defesa Civil de Maceió, o que garantiria acesso às medidas de apoio à realocação e indenizações por danos materiais e imateriais. Atualmente, o mapa considera apenas critérios geológicos.
No entanto, estudo internacional realizado pela Universidade Federal do Espírito Santo em parceria com a Universidade de Leipzig, divulgado pela Defensoria Pública de Alagoas, identificou riscos geológicos relevantes na região. Os resultados reforçam relatos de moradores sobre o surgimento e agravamento de rachaduras e falhas estruturais em imóveis nos últimos anos.
Com o ato, os moradores reafirmaram o apelo por justiça socioambiental e pelo reconhecimento oficial dos danos que, segundo eles, continuam impactando as condições de vida digna no território.

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