Cidades
Músico japonês leva arte ao Centro de Maceió e encanta transeuntes
Yuji Kuroda e seu violino, ao som da MPB, atraem atenção de quem passa pelo calçadão do comércio da capital
O jovem músico japonês Enzo Yuji Pereira Kuroda, 23 anos, atravessou cerca de 16 mil a 18.800 mil quilômetros de sua terra natal, no outro lado do mundo, para encantar os maceioenses com seu violino, durante o dia, no Centro da capital.
Em poucos segundos, ao tocar “Aleluia Hallelujah”, canção de Michely Manuely, ele logo atraiu a curiosidade da equipe de reportagem do Jornal Tribuna Independente.
De conversa fácil e papo fluído, embora tímido, o jovem japonês está no Brasil, desde os oito anos de idade. Do país, guarda as melhores lembranças, quase nada da língua nativa, vontade de voltar e mostrar ao mundo que venceu na vida através da música. Esse é seu maior sonho.
A depender do sucesso que faz no Centro, o sonho não vai demorar muito a virar realidade. Financeiramente falando, Yuji Kuroda, não ganha o suficiente para se sustentar. Mas conta com fãs silenciosos que, de um jeito ou de outro, alimentam seu maior desejo.
Músico de ouvido, o rapaz toca violino, teclado e violão. Autodidata aprendeu tudo com o pai, já falecido e sua maior fonte de inspiração. Música Popular Brasileira é o que sai das suas mãos e ouvidos super talentosos.
A mãe, natural de Santana do Ipanema, e o pai, de São Paulo, tiveram, além de Yuji Kuroda, outro filho, um rapaz de 28 anos, que também gosta de música. A família, agora de três pessoas, administra uma pousada na Pajuçara, deixada de herança pelo patriarca da família.
O jovem músico nasceu em Tochigi, uma província e cidade no Japão, situada na região de Kanto, norte de Tóquio. Famosa como “reino dos morangos”, a região abriga Nikko (patrimônio da Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), o parque das glicínias de Ashikaga e áreas rurais montanhosas. A capital da província é Utsunomiya, conhecida pela sua gyoza.
Yuji Kuroda não terminou os estudos. “Não me via trancando em uma sala de aula, estudando. Sou do mundo. Vivo da música e da energia que ela me dá. Não tenho lugar fixo para tocar. Levo meu instrumento e paro onde a energia me prende. O olhar das pessoas me atrai, o rosto delas ao apreciar minha música me guia. Claro, que enfrento o preconceito de algumas pessoas. Uma ou outra me olha de forma estranha. No começo, ficava meio triste, até que entendi que o problema não é meu. É da pessoa que olha torto para o músico e para a música”, contou, ao explicar que toca descalço para sentir a energia do ambiente e deixar as notas musicais fluírem melhor, de forma mais harmônica.
Como nossa equipe de reportagem esbarrou em Yuji Kuroda, como um presente do destino, às vésperas do Carnaval, perguntamos se ele sabia tocar alguma marchinha de Carnaval. Em instantes, de posse do violino, o jovem músico logo tocou “Mamãe eu quero” e disse que gostou da experiência de se aprofundar no ritmo mais democrático do Brasil, ao tocar músicas de cunho carnavalesco.
Yuji Kuroda acredita que tem na música sua missão no mundo, esteja no Brasil ou na sua terra natal, o Japão. “É da música que eu quero viver”, finalizou, sem largar o violino um instante sequer.
Quem quiser e puder ajudar Yuji Kuroda a realizar o sonho dele, pode doar qualquer quantia, através do Pix 23601901803.
Japoneses no Brasil e em Alagoas
Atualmente, cerca de 2,7 milhões de descendentes de japoneses vivem no Brasil e 210 mil brasileiros residem no Japão. Esse intercâmbio humano especial fortaleceu os laços entre os dois países.
A presença japonesa em Alagoas, embora pequena, é marcada por cerca de 70 famílias de nisseis e sanseis radicadas, com forte contribuição na agricultura, comércio e indústria local, especialmente destacada em 1988.
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