Cidades
Mortandade de peixes mobiliza Prefeitura de Jequiá da Praia e acende alerta na lagoa
Amostras de água, pescado e resíduos foram coletadas para análise
A mortandade de peixes registrada na noite da terça-feira (10), em um trecho entre os povoados Mutuca e Paturais, na Lagoa de Jequiá da Praia, no Litoral Sul de Alagoas, levou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a recomendar a suspensão de consumo e venda de pescado.
O caso foi comunicado por pescadores por meio do grupo do Conselho da Reserva Extrativista.
O secretário municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMMARH), Luiz Antônio, informou que o órgão está apurando a situação. Segundo ele, a dimensão do problema ainda não foi definida e depende de levantamento técnico.
Análises e investigação em campo
De acordo com o secretário, amostras da água foram encaminhadas para análise, seguindo parâmetros do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Equipes também realizam vistoria para identificar possível origem de material que possa ter atingido o rio e a lagoa.
Entre as hipóteses consideradas está a redução de oxigênio na água após as chuvas recentes. Até o momento, não há denúncia formal de despejo irregular de esgoto em grande volume na área.

Em nota, o ICMBio informou que acompanha o caso e recomendou a suspensão temporária do consumo e da comercialização dos peixes.
“Tendo em vista os relatos e imagens de um episódio de mortandade de peixes na Lagoa de Jequiá e considerando que as causas dessas mortes ainda estão sendo investigadas, o ICMBio recomenda que sejam temporariamente suspensos o consumo e a comercialização desses pescados pelo risco à saúde que este consumo pode trazer”, informou o órgão.
O instituto destacou ainda que realiza coleta de amostras de pescado, água e resíduos para análise. “Manteremos todos informados e iremos divulgar qualquer resultado preliminar que venha esclarecer os fatos”, finalizou.
Histórico de impacto ambiental
A pescadora Eliane Farias relembrou que, há cerca de cinco anos, houve derramamento de melaço de uma usina da região na lagoa. Na ocasião, diversos peixes morreram.
O episódio atual afeta pescadores que dependem da lagoa para subsistência e comercialização do pescado. A recomendação de suspensão pode impactar a renda da categoria até a conclusão das análises.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) confirmou que foi oficialmente acionado após o registro de uma grande mortandade de peixes na Lagoa do Jequiá. Segundo o órgão, pescadores e pescadoras da região relataram, na noite anterior, a presença de grande quantidade de peixes mortos, o que motivou o início das averiguações.
A lagoa está localizada dentro da Reserva Extrativista Lagoa do Jequiá, uma unidade de conservação federal de uso sustentável e que é administrada pelo próprio ICMBio. O instituto informou que já houve um episódio semelhante há cerca de dois anos, quando um derramamento de melaço de cana-de-açúcar na área lagunar provocou uma mortandade significativa de peixes.
Até o momento, as equipes técnicas que atuam no local não identificaram sinais de poluentes ou qualquer outro fator que possa ter causado o problema. Amostras da água e dos peixes foram recolhidas e encaminhadas para análises laboratoriais, que devem auxiliar na identificação das causas do ocorrido.
De acordo com o ICMBio, a mortandade pode gerar impactos ambientais importantes, como a perda da biodiversidade e a redução dos estoques pesqueiros, afetando diretamente o equilíbrio do ecossistema e também a subsistência de comunidades que dependem da pesca na região.
O instituto informou ainda que as investigações seguem em andamento e que, neste momento, o trabalho está concentrado na apuração das causas antes de qualquer responsabilização.
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