Cidades
“Maluco Beleza” volta às ruas para animar usuários do Portugal Ramalho
Com o lema “Não é Loucura Resistir”, bloco chega à 35ª edição, celebrando os 70 anos de fundação do hospital
Com o lema “Não é Loucura Resistir”, o Bloco Maluco Beleza, formado pelos usuários, familiares e funcionários do Hospital Escola Portugal Ramalho, realizaram, na tarde de dessa quinta-feira (6), a prévia carnavalesca em frente à unidade, único hospital público psiquiátrico do estado, localizado no bairro do Farol.
Em sua 35° edição, o Maluco Beleza inovou ao convidar dezenas de blocos de Carnaval dos territórios afetados pelo desastre ambiental em Maceió. A animação musical ficou por conta da banda da Ronda no Bairro.
O “grito de Carnaval” coletivo dos blocos é uma atividade do projeto de reparação Rotas de RExistência, vinculado ao ‘Nosso Chão, Nossa História’ e atua em prol da memória dos bairros afetados pela mineração. Entre os blocos presentes, o Bloco do Bobo, Pau de Arara na Folia e Amigos na Folia.
A iniciativa abraça, especialmente, os 70 anos do Hospital Escola Portugal Ramalho que avança sua maturidade enfrentando profundos desafios, por ser instalado em um território que atualmente é considerado borda do desastre socioambiental.
Nesta versão de 2026, a folia, intitulada “Maluco Beleza Convida”, ganha contornos de resistência e solidariedade, envolvendo não só profissionais, gestores, e usuários da unidade, como ainda convocando outros blocos situados nos territórios atingidos pelo desastre socioambiental provocado pela mineração da Braskem.
Sem perder a irreverência e “inocência” dos usuários do Portugal Ramalho, o evento contou até com a presença do Rei Momo, Eduardo Ferreira da Silva, usuário do Hospital Escola. Com as chaves da folia em mãos, ele decretou, oficialmente aberto o Carnaval Maluco Beleza.
Fantasiada de baiana, a usuária Maria Lúcia Dantas da Silva se divertia com a equipe de profissionais do Hospital, ao som das antigas marchinhas de Carnaval e dos mais recentes sucessos. “Gosto de Carnaval. Quero aproveitar a festa que está muito animada”.
PROJETO ROTA
Em meio às festividades carnavalescas, a coordenadora do Projeto Rota de RExistência, Maria Derivalda Andrade, explicou que a prévia carnavalesca tem como premissa compensar o distanciamento das manifestações artísticas nas áreas atingidas.
“Além de recuperar a memória cultural do território, reconstruir vínculos e traços comunitários e, finalmente, prevenir outras perdas de vínculos e identidade cultural”, destacou.
Na avaliação da diretora-geral do Portugal Ramalho, Helcimara Martins, o Portugal Ramalho é a expressão mais pura e genuína de como a arte e a cultura podem ser transformadoras e inclusivas no que se refere à saúde mental.
A diretora-geral do HEPR acrescentou, ainda, a importância de conceder às pessoas que têm algum tipo de sofrimento psíquico, por meio da expressão popular “um espaço de equidade, expressão pessoal e coletiva, e uma maneira de poder estar vazando todas as suas emoções”.
É neste sentido que o bloco aparece como marco transformador para a saúde mental. “E é a maior demonstração das ações e do jeito Nise da Silveira de praticar a saúde mental”, revelou ao destacar o apoio que o Calendário Cultural Rota de RExistência garantiu ao evento.
O projeto implementado pela FEPESA junto ao HEPR/Uncisal, é realizado graças à aprovação no edital do Programa Nosso Chão Nossa História, gerido pelo Comitê Gestor de Danos Extrapatrimoniais e executado pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos que prioriza o apoio às iniciativas artísticas e culturais – e, nesse caso, pré-carnavalescas – nos territórios atingidos, de modo a auxiliar na recuperação da memória cultural nas respectivas áreas.
O Programa atua na reparação de danos morais coletivos causados pelo desastre, que diz respeito à reparação em prejuízos causados, por exemplo, ao tecido social das comunidades, tradições e memória.
Com atividades que acontecerão até março de 2027, o Calendário iniciou ainda em janeiro deste ano oficinas voltadas à confecção de máscaras vinculadas à arteterapia, envolvendo pacientes e profissionais da unidade. Agora, com o Maluco Beleza Convida, o chamado se estende à comunidade e a pelo menos dos blocos chamados para participação.
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