Cidades
Máquinas afundam em obra da Braskem no Flexal
Caso expõe instabilidade do solo em Bebedouro; professor da Ufal diz haver subsidiência do solo, além das condições do terreno
Moradores dos Flexais voltaram a divulgar, nas redes sociais, imagens de máquinas pesadas atoladas num trecho de mangue, por trás do antigo Parque da Lagoa, em Bebedouro. Os equipamentos pertencem à empresa Passarelli, que presta serviço à Braskem em obras de requalificação viária dos Flexais.
Segundo os moradores, pelo menos um trator de esteira e uma retroescavadeira, que eram operados na construção de tubulações para a drenagem do terreno, teriam afundado em um trecho de mangue.
A área integra a zona afetada pelo processo de afundamento do solo, que vem sendo monitorado por estudos técnicos e relatórios oficiais nos últimos anos.
No vídeo, os moradores denunciam o desmatamento do mangue e cobram uma fiscalização dos órgãos ambientais. Eles disseram que o vídeo com as máquinas atoladas já circula na internet dentro e fora do Brasil.
Com isso, eles esperam que as autoridades competentes apurem a denúncia e investiguem a fundo o que teria provocado o atolamento das máquinas.
TERRENO EM SUBSIDIÊNCIA
De acordo com o arquiteto e urbanista Dilson Batista Ferreira, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), há muito mais por trás das imagens de duas máquinas atoladas no mangue. O vídeo publicado no Instagram, segundo o professor Dilson, revela a fragilidade do solo, que estaria sofrendo os efeitos da subsidência. Para ele, o episódio reforça riscos geotécnicos já apontados por estudos sobre subsidência na capital alagoana.
Consultado sobre o vídeo produzido pelos moradores dos Flexais, Dilson Ferreira explicou que os equipamentos utilizados nas obras foram projetados para atuar em terrenos instáveis e encharcados. Mesmo assim, atolaram e continuavam atolados até o final da manhã da última terça-feira.
Por isso, o professor destaca que a fragilidade do solo pode ultrapassar os limites de operação de qualquer máquina, além de não descartar a possibilidade de falhas operacionais que tenham contribuído para o ocorrido. No entanto, é preciso apurar melhor o episódio para verificar outras possibilidades, notadamente quanto à subsidência do solo, provocado pela mineração.
Dilson Ferreira contextualiza o episódio dentro de um cenário mais amplo de problemas geológicos e urbanísticos nos Flexais. Na opinião dele, a região apresenta indícios de movimentação do terreno e fragilidade estrutural, já identificados por pesquisas científicas e análises de órgãos técnicos.
Além disso, o professor lembra que estudos apontam que o fenômeno de subsidência em Maceió é contínuo e com certeza estar associado à extração de sal-gema. Não por acaso, a tragédia do afundamento do solo provocado pela mineradora Braskem já provocou a desocupação de 15 mil imóveis e o deslocamento de 60 mil moradores, de pelo menos cinco bairros de Maceió.
QUESTÃO DOS FLEXAIS
Quando a questão dos Flexais veio à tona e foi objeto de um posicionamento do Ministério Público Federal (MPF), o professor Dilson contribuiu com o debate, produzido pareceres técnicos sobre a situação da região. Ele defende a realocação das famílias para áreas seguras, já que os moradores sofrem os efeitos do afundamento do solo e temem queda de barreira.
Para o professor, a realocação com indenização justa seria a única solução viável para a comunidade dos Flexais, diante do risco geotécnico e do isolamento socioeconômico, agravado pela instabilidade do solo e pela ausência de intervenções estruturais amplas.
Professor da Ufal defende a implantação de medidas de segurança na área
Sobre o vídeo produzido pelos moradores dos Flexais, ele disse que o afundamento das máquinas é mais um indicativo das condições críticas do terreno na região.
Dilson defende a implantação de medidas de segurança, além da necessidade de monitoramento permanente de toda área, com avaliações técnicas rigorosas e ações integradas entre poder público, sociedade civil e especialistas no assunto. Ele defende também consultas à especialistas em geotecnia e urbanismo, com o objetivo de diagnosticar o problema, reduzir riscos e garantir a segurança da população e da infraestrutura urbana na região.
MUVB
O Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB), por meio do integrante Maurício Sarmento, também se manifestou sobre assunto e responsabilizou a empresa contratada pela Braskem pelo desmatamento do manguezal, em Bebedouro.
“Um novo episódio de agressão ambiental foi registrado nesta semana no bairro de Bebedouro, na área do Flexal de Baixo, em Maceió. Uma empresa contratada pela Braskem realizou intervenção direta em área de manguezal, promovendo desmatamento irregular e utilização de maquinário pesado em um ecossistema protegido por lei”. relatou Sarmento.
“Durante a ação, um trator acabou ficando atolado no mangue, evidenciando não apenas a fragilidade ambiental da área, mas também o grau de imprudência e irresponsabilidade da intervenção realizada. O episódio foi registrado em vídeo por moradores e circula amplamente nas redes sociais, gerando indignação e revolta”, acrescentou o integrante do MUVB.
Segundo ele, o manguezal é uma Área de Preservação Permanente (APP), protegido pela legislação ambiental, por sua função ecológica essencial, incluindo a proteção da biodiversidade, o equilíbrio climático e a subsistência de comunidades tradicionais. “Qualquer intervenção nesse tipo de área exige licenciamento rigoroso, estudos de impacto ambiental e ampla transparência — o que, até o momento, não foi apresentado à população”, concluiu.
EMPRESA CONFIRMA ATOLAMENTO DAS MÁQUINAS
Por meio de nota, encaminhada à redação do jornal Tribuna Independente, a empresa Passarelli confirmou que teve pelo menos duas máquinas atoladas no mangue às margens da Lagoa Mundaú, durante as obras de requalificação viária dos Flexais, sob a responsabilidade da Braskem. Veja abaixo a íntegra do posicionamento da Passarelli:
“A empresa informa que as intervenções em andamento integram o escopo da obra de requalificação viária no bairro do Flexal. Durante a mobilização e operação dos equipamentos destinados à implantação do sistema de drenagem, foram identificadas condições pontuais e específicas do local, o que ocasionou o atolamento dos equipamentos”.
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