Cidades

Braskem desmata área de manguezal às margens da Lagoa Mundaú

Vídeo de moradores do Flexal de Baixo mostra máquinas atoladas em área de preservação ambiental, em Bebedouro

Por Ricardo Rodrigues - repórter / Tribuna Independente 03/02/2026 10h57 - Atualizado em 03/02/2026 12h24
Braskem desmata área de manguezal às margens da Lagoa Mundaú
Máquinas utilizadas pela Braskem ficaram atoladas em manguezal de Bebedouro visto como área de preservação ambiental - Foto: Reprodução

Os moradores dos Flexais divulgaram nessa segunda-feira (2) um vídeo nas redes sociais, denunciando o desmatamento do mangue, às margens da Lagoa Mundaú, por parte das empresas que prestam serviço à Braskem em Bebedouro, onde a população reclama dos efeitos da mineração e dos transtornos causados pelas obras de requalificação na região. Nas imagens, pelo menos duas máquinas pesadas aparecem afundadas no mangue, num terreno por trás do antigo Parque da Lagoa: um trator de esteira e uma retroescavadeira.

O vídeo foi divulgado pelo Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB), que defende a realocação dos moradores dos Flexais, que sofrem com o afundamento do solo, mas não foram indenizados porque ficaram de fora do mapa de risco traçado pela Defesa Civil de Maceió.

“Um novo episódio de agressão ambiental foi registrado essa semana no bairro de Bebedouro, na área do Flexal de Baixo, em Maceió. Uma empresa contratada pela Braskem realizou intervenção direta em área de manguezal, promovendo desmatamento irregular e utilização de maquinário pesado em um ecossistema protegido por lei”, denunciou o servidor público Maurício Sarmento, que é um dos coordenadores do MUVB.

Segundo ele, durante a ação, um trator acabou ficando atolado no mangue, quando tentava puxar outra máquina afundada no solo, evidenciando não apenas a fragilidade ambiental da área, mas também o grau de imprudência e irresponsabilidade da intervenção realizada.

Sarmento confirmou que o episódio foi registrado em vídeo por moradores e as imagens circularam, amplamente, nas redes sociais, gerando indignação e revolta entre as vítimas da mineração predatória da Braskem em Maceió. Ele estranhou por que a empresa não divulgou nenhuma nota explicando a situação e tranquilizando os moradores da região de Bebedouro, onde se concentra a maior quantidade de minas de sal-gema desativadas.

A reportagem da Tribuna Independente procurou ouvir a Braskem, por meio de sua assessoria de comunicação em Maceió, sobre as máquinas pesadas que afundaram no terreno por trás do antigo Parque da Lagoa, mas a empresa não deu retorno até o fechamento desta matéria.

“O manguezal é uma Área de Preservação Permanente (APP), protegido pela legislação ambiental brasileira, por sua função ecológica essencial, incluindo a proteção da biodiversidade, o equilíbrio climático e a subsistência de comunidades tradicionais. Qualquer intervenção nesse tipo de área exige licenciamento rigoroso, estudos de impacto ambiental e ampla transparência — o que, até o momento, não foi apresentado à população”, relatou Sarmento.

Para o integrante do MUVB, o caso reacende o alerta sobre a forma como a Braskem e suas contratadas vêm atuando nos territórios já profundamente atingidos pelo crime ambiental da mineração em Maceió. “Comunidades como o Flexal de Baixo seguem convivendo com violações sucessivas: primeiro a destruição urbana e social, agora o avanço sobre áreas ambientais sensíveis”, destacou Maurício Sarmento, em nota encaminhada à mídia local.

Ele disse que os moradores e entidades exigem a imediata apuração dos fatos pelos órgãos ambientais competentes, como o IMA/AL, o Ibama e o Ministério Público, bem como a suspensão de qualquer intervenção na área até que sejam esclarecidas as autorizações, responsabilidades e danos causados.

Veja o vídeo abaixo: