Cidades

Sindicato dos Bancários não possui número de demitidos em Alagoas

Reforma trabalhista acabou com obrigatoriedade dos bancos homologarem admissões e demissões no sindicato, o que dificulta ter acesso aos dados

Por Valdete Calheiros / Tribuna Independente 25/12/2025 08h36 - Atualizado em 25/12/2025 14h36
Sindicato dos Bancários não possui número de demitidos em Alagoas
Presidente do Sindicato dos Bancários, Thyago Miranda, diz que situação da categoria é difícil - Foto: Adailson Calheiros

Em todo o Brasil, 46.130 bancários foram desligados dos seus postos de trabalho entre setembro de 2024 e o mesmo período deste ano. A informação é do Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, um sistema do governo federal que registra todas as admissões e demissões de trabalhadores no regime de CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Os dados correspondem até o mês de setembro, porque são compilados a cada trimestre. As informações equivalentes ao último trimestre do ano, ainda não foram divulgadas, visto que o mês de dezembro ainda não acabou.

Em Alagoas, o Sindicato dos Bancários não soube precisar a quantidade de bancários desligados neste ano ou no ano passado. O presidente da entidade, Thyago Miranda, explicou que desde que a reforma trabalhista acabou com a obrigatoriedade das homologações das demissões serem feitas nos sindicatos, esse acompanhamento ficou prejudicado.

Existem no estado, 250 agências e/ou pontos de atendimentos bancários, dos quais 90 estão localizados na capital alagoana. Dos 420 mil bancários do país, Alagoas soma três mil. Conforme o Sindicato, um banco privado fechou, no último ano, 25 postos de atendimentos e sete agências.

“Sabemos que em apenas um banco privado, foram 78 demissões este ano. A instituição bancária, por opção, ainda homologa as demissões no sindicato. E de forma extraoficial, temos a contagem de mais 11 desligamentos em outra instituição bancária privada”, detalhou o presidente do Sindicato dos Bancários em Alagoas.

Conforme Thyago Miranda, muitos bancários estão com “presenteísmo”, fenômeno de um trabalhador estar fisicamente no local de trabalho, mas mentalmente ausente ou incapacitado de produzir, devido a fatores como doenças (físicas ou mentais), estresse, desmotivação ou problemas pessoais.

“Quando esses funcionários são demitidos e recorrem à Justiça, a maioria consegue ser reingressado aos postos de trabalho, uma vez que conseguiram provar que adoeceram em decorrência das atividades laborais. Somente no último mês de novembro, foram 23 CATS [Comunicação de Acidente de Trabalho].

Ainda conforme o Sindicato dos Bancários de Alagoas, as agências da Caixa têm 1.103 funcionários, Banco do Brasil (684), Banco do Nordeste (322), Bradesco (298), Itaú (166) e Santander, uma média de 100. Os números são de setembro deste ano.

Na avaliação do presidente do Sindicato, a situação da categoria profissional não é fácil. “O crescente uso das tecnologias nos bancos não justificam as demissões, terceirizando e precarizando as relações de trabalho nas diversas agências e ainda comprometendo o atendimento aos clientes que não têm tanta intimidade com os recursos tecnológicos disponibilizados nas agências e precisam, sim, do contato com o bancário”.

Enquanto isso, completou, os bancos estão batendo recorde de lucros e distribuindo dividendos. Segundo o Sindicato, o lado obscuro da política do banco esconde o fechamento de unidades, as demissões em massa e o adoecimento dos trabalhadores.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários, Thyago Miranda, “o cenário é alarmante! A justificativa oficial é a ‘reorganização’ da rede, mas o que se vê na prática é a substituição de empregos por máquinas, o desmonte do atendimento presencial e o total descaso com o impacto social dessas medidas”, esbravejou.

Bancos e

lucros no Brasil

O lucro dos quatro maiores bancos no Brasil – Itaú, Banco do Brasil, Santander e Bradesco – atingiu impressionantes R$ 114 bilhões no ano passado. O que representa um crescimento de 24% em relação ao ano anterior, segundo o Monitor Mercantil.

Desses valores astronômicos, R$ 49 bilhões foram distribuídos em dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP) aos acionistas, garantindo ganhos bilionários para poucos, enquanto a maioria da população enfrenta juros abusivos, escassez de crédito e dificuldades financeiras.

Até mesmo o lucro do Banco do Brasil distribuído ao governo não é destinado para investimentos sociais, mas para o pagamento da chamada “dívida pública”, conforme manda a Lei 9.530/1997.

Enquanto isso, a bolsa banqueiro, denunciada há anos pela Auditoria Cidadã da Dívida, segue operando no Brasil por meio de operações compromissadas, usadas abusivamente pelo Banco Central e depósitos voluntários remunerados implementados em 2021.

Esse mecanismo desvia dinheiro público para o sistema financeiro privado, impedindo a queda dos juros, aumentando a fortuna dos bilionários e agravando a desigualdade. Enquanto isso, políticas essenciais para a população sofrem cortes sob a justificativa de “falta de recursos”.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Alagoas, Luciano dos Santos, afirmou que a Central tem procurado os órgãos de defesa do consumidor, a Câmara de Vereadores, a Assembleia Legislativa e Ministério Público para fiscalizar essa reestruturação do sistema bancário.

“Esses órgãos precisam acompanhar essas mudanças feitas em total desconexão com as obrigações legais, os compromissos de trabalho digno. Até mesmo o Estatuto do Idoso, é desrespeitado. No que podemos observar, há uma certa negligência do poder público. Bancos estão fechando postos de atendimentos em cidades sem nenhum compromisso com a sociedade”, pontuou.

O presidente da CUT indagou como fica os que dependem da Previdência se todos os serviços estão interligados ao setor bancário. “Daí, determinado município que tinha apenas uma agência bancária, o banco vai lá e fecha. O idosos ficam sem alternativa e têm que se dirigir a um município vizinho. Se muitos serviços bancários são feitos atualmente de forma digital, há a minoria que não tem acesso e não pode ser esquecida pelos bancos”, salientou.

Febraban

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) respondeu que estima que o quadro de empregados e a quantidade de pontos de atendimento nos estados de Alagoas e Maceió, no fechamento do ano de 2025, permaneçam alinhados aos números do ano anterior. A entidade não citou números, conforme pediu a reportagem.

A Febraban disse que o setor bancário utiliza inteligência artificial (IA) há, pelo menos, uma década e, atualmente, tem sido aplicada para impulsionar a eficiência operacional.

“Assim, a IA tem se consolidado como uma ferramenta essencial para assegurar a prestação de serviços financeiros que, em 2024, registrou um total de 208 bilhões de transações bancárias Além disso, contribui para apoiar a atividade dos bancários na realização de suas funções”, finalizou.