Cidades

Famílias carentes vão às ruas em busca de solidariedade da população

Da Praia da Avenida, no Jaraguá, à esquina da Avenida Sandoval Arroxelas com a Rua Valdo Omena, a equipe de reportagem da Tribuna Independente contou pelo menos 50 pessoas na terça-feira (23)

Por Valdete Calheiros / Tribuna Independente 24/12/2025 09h26 - Atualizado em 24/12/2025 10h04
Famílias carentes vão às ruas em busca de solidariedade da população
Em situação de vulnerabilidade, famílias vão às ruas de Maceió em busca de alimentos, brinquedos e outros - Foto: Edilson Omena

Se Papai Noel se perder pelas ruas da capital, vai esbarrar em dezenas de famílias e pessoas solitárias vivendo em situação de rua e esperando contar com a solidariedade para poder tem um Natal mais humanizado.

Na terça-feira (23), da Praia da Avenida, no Jaraguá, à esquina da Avenida Sandoval Arroxelas com a Rua Valdo Omena, a equipe de reportagem da Tribuna Independente contou, em uma estimativa, pelo menos 50 pessoas, de idades variadas, com crianças e idosos pedindo nas calçadas dos estabelecimentos comerciais e se arriscando nos semáforos em busca de doações em dinheiro, itens alimentícios e roupas.

Ou como disse a Claudeane Souza Silva, 30 anos, três filhos menores formando uma “escadinha” pelas idades próximas, “o que vier é bem-vindo”. Sem conseguir emprego no Benedito Bentes e sem poder pagar aluguel, abandonada pelo marido, ela resolveu deixar os filhos com a mãe para arriscar a própria sorte. Entre sim e não, consegue o que comer no dia. A frase “Amanhã a Deus pertence” é a mais pura realidade da vida dela.

Claudeane Souza Silva tem como companhia na lona ao lado, Marina Oliveira dos Santos, 35 anos e quatro filhos, com idades de 16, 15, 13 e 10 anos. Ela contou que deixou a casa alugada também no Bendito Bentes para se aventurar nos semáforos de um dos bairros mais nobres de Maceió. Os filhos foram entregues à avó materna.

“Tem muita gente boa nesse mundo e graças a elas, a gente come, toma um banho, ganha sabonete e absorventes. São pessoas enviadas por Deus, ainda mais perto do Natal. E tem também outras pessoas que simplesmente viram a cara como se tivessem nojo ou medo da gente. A gente não faz mal a ninguém não. Só queremos um pouco mais de dignidade e ter onde encostar a cabeça para dormir. Quando a gente morrer, todos irão para o mesmo lugar”, desabafou.

Maria Claudete tem duas filhas. Uma de 8 e outra de 10 anos. Fez questão de tirar os documentos de ambas e garantiu que luta para que as meninas não tenham o seu destino.

“A gente não consegue emprego. Ninguém confia em colocar a gente dentro de casa, pedem logo referências de patroas anteriores. Eu não tenho nem celular, quem dirá patroa antiga”.

Ela tem, durante o dia, a companhia da mãe Lúcia dos Santos que tem outros 10 filhos, 11 netos e uma mãe acamada para cuidar. Sem saber ler, ela disse que paga, com muito esforço, o aluguel da casa. Mas que, como mãe, não pode deixar a filha sozinha na rua.

“Venho, passo o dia com ela, e volto para casa a noite para dormir e cuidar da minha mãe que já ficou sob os cuidados de outros filhos meus, durante todo o dia. A vida é assim para umas pessoas. Foi assim para gente. Somos invisíveis, sai Natal e entra Natal”, falou, resignada.