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Museu de História Natural da Ufal está se deteriorando

Prédio onde funcionou antiga Faculdade de Medicina está em péssimas condições e não tem previsão de iniciar restauração

Por Valdete Calheiros / Tribuna Independente 20/12/2025 09h38 - Atualizado em 23/12/2025 19h04
Museu de História Natural da Ufal está se deteriorando
Nas salas, os escombros do teto que despencou se misturam a outros materiais que estão se deteriorando - Foto: Adailson Calheiros

O Museu de História Natural da Universidade Federal de Alagoas (MHN/Ufal), localizado em frente à Praça Afrânio Jorge, popularmente conhecida como Praça da Faculdade, no bairro do Prado, está com as portas fechadas, desde maio deste ano, quando completou 35 anos.

Abandonado e padecendo de graves problemas estruturais, como telhados cedendo, infiltrações e pisos afundando, o local coloca em risco seu valioso acervo e a segurança de pessoas.

O Museu já chegou a receber cerca de 2.500 visitantes por ano. As coleções científicas do Museu sempre atraíram estudantes e pesquisadores de todo o país. No Nordeste, com a importância parecida com o Museu da Ufal, existem museus apenas em Salvador e em Feira de Santana, na Bahia, ambos também ligados a universidades federais.

O diretor do Museu, o biólogo Filipe Augusto Cavalcanti do Nascimento, afirmou que não existe uma estimativa de custo realizada para os serviços de restruturação.

“O prédio é muito grande. E devido ao fato de ser um prédio tombado, onde uma simples reforma não é suficiente, e sim um restauro, o trabalho fica mais complexo”, resumiu.

Diretor do Museu de História Natural, Filipe Nascimento (Foto: Adailson Calheiros)

Apesar da importância para a comunidade acadêmica e sociedade em geral, o Museu de História Natural da Ufal espera solução estrutural de portas fechadas. Um laudo técnico mostra que manutenção predial não é mais eficaz.

Em maio deste ano, quando comemorou 35 anos de existência, o Museu não ganhou solenidade alguma. Em vez de bolo de parabéns recebeu, no dia 17 daquele mês, um “abraço” simbólico da comunidade.

A mobilização cobrou investimentos urgentes para a restauração do edifício e a valorização do patrimônio cultural e científico de Alagoas. Passados mais de seis meses, nada mudou.

O acervo científico do Museu reúne cerca de 60 mil espécimes, lotes ou amostras. A maior parte do material é proveniente do estado de Alagoas, havendo também exemplares oriundos de outros estados brasileiros, como Pernambuco, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Pará, além de material de outros países, a exemplo do Uruguai, Argentina, Equador, Rússia e da região Antártica.

Esse quantitativo inclui tanto o acervo expositivo quanto o acervo técnico-científico, que corresponde à maior parte.

São minerais e rochas, fósseis, material arqueológico, anfíbios e répteis, mamíferos, aves, peixes, crustáceos, moluscos, insetos, aranhas e escorpiões, coleções etnobiológicas e herbários, itens que compõem um dos mais importantes acervos científicos e culturais do estado.

(Foto: Adailson Calheiros)


O diretor garantiu que a equipe do Museu trabalha para que o acervo não seja deteriorado. “A Universidade montou uma força-tarefa para solucionar isso o mais rápido possível, no sentido de garantir a segurança dos acervos e dos servidores. Possivelmente teremos que ir para um outro espaço enquanto se resolve os problemas do prédio”, afirmou, sem entrar em detalhes sobre o novo endereço ou até mesmo sobre a data da mudança.

O prédio é de 1871. Já abrigou o 20º Batalhão de Caçadores do Exército, a primeira Faculdade de Medicina de Alagoas (razão pela qual a Praça Afrânio Jorge ficou popularmente conhecida como “Praça da Faculdade”), o antigo Centro de Ciências Biológicas e, desde 2016 é a sede do Museu de História Natural da Ufal (MHN).

Tombado pelo governo de Alagoas em 2010 (Decreto nº 8.843), o prédio abriga, desde 2016, o acervo do MHN/Ufal, criado em 1990. O fechamento do Museu representa a interrupção de atividades essenciais à educação, à ciência e à preservação da memória alagoana.

Exposições, projetos educativos e pesquisas científicas estão paralisados, privando a população de um espaço fundamental para a compreensão da biodiversidade, da geologia e da arqueologia regional.

Pesquisar, conservar e ampliar suas coleções são – ou deveriam ser – atividades básicas do Museu, dando suporte aos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade, bem como aos diversos pesquisadores que o procuram para desenvolver seus trabalhos.

Entre os principais problemas estão a estrutura comprometida. O prédio apresenta rachaduras, forros caindo, pisos cedendo e mofo, com risco de desabamento, segundo laudos.

(Foto: Adailson Calheiros)


O acervo também está em risco. Milhares de peças biológicas, geológicas e arqueológicas estão ameaçadas pela deterioração do local. A falta de manutenção ocasiona problemas como o crescimento de vegetação interna. A falta de jardinagem agrava a situação, atraindo vetores.

Devido a todos esses problemas, um relatório recomendou a interdição de algumas salas devido às condições precárias, resultando no fechamento ao público.

Importância histórica e acadêmica perdida em meio aos escombros

A falta de recursos para manutenções ao longo dos anos foi, aos poucos, deixando as marcas na estrutura do prédio que é tombado como Patrimônio Histórico de Alagoas, desde 2010.

Após vistoria realizada no último mês de abril, um relatório feito pelo engenheiro civil e de segurança do trabalho da Pró-reitoria de Infraestrutura da Ufal, Allan Vianna, pontuou uma série de problemas com riscos físicos e biológico, e recomendou a interdição de ambientes.

O diretor do Museu Filipe Augusto Cavalcanti do Nascimento explicou que a decisão pelo fechamento ao público foi inevitável. “A situação do prédio sempre foi bastante delicada. Pela sua antiguidade e também por estar situado em uma região que sofre a ação da maresia, a manutenção sempre foi complexa e cara. A gente procurava fazer manutenções pontuais, quando aparecia um problema ou outro, e às vezes essas tentativas não davam certo. De uns tempos para cá, a situação se agravou, de modo que a gente começou a temer pela segurança, principalmente do público. Então a gente decidiu solicitar um laudo técnico da estrutura do prédio. Após esse relatório a gente tomou a medida de fechar o museu para o público visando, em primeiro lugar, a segurança do público, porque a maioria é infanto-juvenil, principalmente público escolar”, enfatizou.

O documento relatou problemas de afundamento de piso, rachaduras nas paredes, infiltração, portas, janelas e grades deterioradas, ambientes insalubres e até risco de contaminação na água.

A vistoria foi parcial, feita apenas na parte histórica que compõe o conjunto de prédios do MHN. Entretanto, os problemas documentados mostram como a falta de recursos suficientes impactou na deterioração do lugar.

A Sala 15, por exemplo, onde funciona uma exposição de ossos de animais, apresenta um afundamento do piso cerâmico e algumas fissuras nas paredes. Na sala de aula 14, parte do reboco do teto caiu. Em outra sala, o forro em madeira está danificado pela ação de cupim e algumas peças do teto estão soltando, causando sério risco físico.

(Foto: Adailson Calheiros)


“Outro ponto bastante importante são os banheiros disponíveis para utilização do público, com rachaduras, falta de forro de teto, falta de equipamentos como porta papel higiênico, porta sabonete líquido, e equipamentos adaptados para uso de pessoas com algum tipo de deficiência. Sem falar no cuidado com a vegetação interna. Como a Ufal está sem o contrato de ajardinamento, devido ao contingenciamento do orçamento público, as áreas internas abertas estão com o crescimento de muitos arbustos, o que provoca a proliferação de vetores, como ratos, baratas, e até animais peçonhentos”, pontuou, à época da vistoria, Allan Vianna.

O relatório está disponibilizado no processo Sipac e foi encaminhado para os gestores envolvidos e interessados em pleitear uma solução para problemas do Museu de História Natural da Ufal.

O laudo técnico também faz algumas recomendações, além da interdição, como recuperação do piso, de estruturas de concreto armado, de cobertas, pintura e impermeabilização, revitalização de fachadas, recuperação completa do auditório lateral, e retirada de bens inservíveis.

De acordo com o documento do engenheiro, junto ao relatório fotográfico que embasa todas as situações encontradas, se faz necessária uma intervenção de reforma na parte interna e externa da edificação para proporcionar melhores condições de uso à comunidade acadêmica.

O diretor Filipe Augusto Cavalcanti do Nascimento também destacou que, por ser um prédio histórico, tombado desde 2010, a gestão encontra obstáculos para manter. “Ele foi tombado pelo Pró-Memória, é um tombamento estadual, então, na prática dificultou a realização de reformas, porque tudo tem que passar por uma avaliação e não pode modificar a estética e a estrutura original do prédio. Precisa passar por um processo de restauro, que é bem mais caro e mais complexo, então o prédio fica parado”, explicou.

Mesmo de portas fechadas para o público, os servidores continuam o trabalho internamente na tentativa de salvar a história contada no MHN.

“A gente já tinha tomado algumas medidas de isolamento de algumas salas que armazenavam o acervo técnico. Tem umas duas ou três que estão completamente insalubres, porque às vezes são acervos de pele, acervos de animais conservados em álcool, que a situação da sala compromete a conservação desse material”, ressaltou o diretor Filipe Augusto Cavalcanti do Nascimento.

No entanto, ele admitiu que essas realocações dificultam o acesso da comunidade acadêmica para realizar pesquisa. Por isso, parte do acervo está indisponível para atividades científicas.

Uma sala especial

“Do Mar ao Sertão” é a sala do Museu de História Natural que embarca o visitante em uma viagem pelos principais biomas do estado de Alagoas. Cenários montados no espaço servem como base para a compreensão sobre a fauna e flora da região litorânea, da Mata Atlântica e do Sertão.

(Foto: Adailson Calheiros)


Capelas com insetos, serpentes e pássaros também fazem parte do acervo exposto, além de fósseis para exemplificar o desenvolvimento da megafauna que já habitou as terras alagoanas.

Crânios de diferentes animais são organizados no espaço de modo comparativo, com o propósito de apresentar ao público a diversidade existente no reino animal, incluindo os próprios seres humanos.

Amostras de troncos de árvores representam a variedade da flora em Alagoas. Ainda, a parte da sala destinada à Arqueologia apresenta aos visitantes a cultura dos antigos habitantes do estado, através da exposição de peças indígenas, como uma Igaçaba (urna funerária) e um pilão.

Memória acadêmica jogada no lixo

A história está indo para o lixo com deterioração do Museu. O local está passando por um desmonte silencioso que inclui desaparecimento de objetos históricos e descarte de placas de formatura, evidenciando abandono da memória acadêmica e fragilidade na gestão universitária.

A situação caracteriza um grave episódio de destruição da memória acadêmica e negligência com o patrimônio público. No prédio onde atualmente funciona – ou deveria funcionar o Museu – já instalou a primeira Faculdade de Medicina de Alagoas.

Além do descarte das placas, também foi denunciado o desaparecimento de lustres e arandelas de alto valor simbólico e material do Salão Nobre, espaço tradicional de eventos acadêmicos e solenidades, não só da Universidade, como também de relevância para a história da sociedade alagoana.

O entorno da edificação também contribui para o quadro de alerta com o crescimento descontrolado de vegetação que facilita o aparecimento de animais peçonhentos, e a presença de reservatórios elevados de água sem manutenção periódica pode representar riscos de contaminação, de acordo com o relatório técnico.

(Foto: Adailson Calheiros)


O diretor do Museu, Filipe Augusto Cavalcanti do Nascimento, explicou que em razão de problemas estruturais no edifício, e por medida de segurança, o Museu encontra-se fechado ao público desde maio deste ano. E sem previsão de reabertura ao público.

“As atividades estão restritas a trabalhos internos, realizados de forma parcial e sob rigoroso controle. Algumas salas permanecem interditadas, com acesso autorizado apenas a servidores devidamente treinados, exclusivamente para a execução de manutenções essenciais ou para a remoção de acervo. Todas as ações ocorrem conforme as medidas de segurança estabelecidas pela Coordenação de Qualidade de Vida no Trabalho (CQVT) da Ufal”, detalhou.

Ele garantiu, no entanto, que nem todas as salas do Museu estão interditadas. Segundo Filipe Augusto Cavalcanti do Nascimento, nos espaços liberados, as atividades de conservação e manutenção do acervo seguem sendo realizadas normalmente pelos servidores.

“Já nas salas interditadas que abrigam acervo, o acesso é rigorosamente controlado e ocorre apenas para manutenções essenciais ou para a remoção do material para áreas não interditadas”, completou o diretor.

O diretor do Museu explicou que ainda estão acontecendo pesquisas, porém de forma bastante limitada. O acesso a determinados acervos encontra-se restrito, e há controle rigoroso do número de pessoas no local.

Ele acrescentou que, por motivos de segurança, estudantes e pesquisadores externos estão temporariamente impedidos de acessar o prédio.

“O Museu atua, principalmente, como espaço de estágio e formação prática para estudantes de graduação. No entanto, essas atividades presenciais estão suspensas. Em alguns casos pontuais, e a depender do tipo de atividade, uma parcela reduzida dos estudantes tem conseguido desenvolver atividades de estágio de forma remota, embora essa modalidade seja bastante limitada e não aplicável à maioria das funções exercidas no Museu”, pontuou.

Ainda conforme Filipe Augusto Cavalcanti do Nascimento, parte das informações do acervo já se encontra digitalizada, contudo, ele admitiu que ainda há um volume significativo de material que necessita passar por esse processo.

Museu de História Natural da Ufal

O Museu de História Natural (MHN) é um equipamento da Ufal dedicado ao estudo, salvaguarda, pesquisa e divulgação das Ciências Naturais. Criado em 1990, o museu está vinculado à Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proexc).

Por meio dos seus acervos científico e didático, o MHN promove – ou deveria promover – atividades de pesquisa e de formação em recursos humanos nas áreas das Ciências Naturais, além de atividades de extensão voltadas à comunidade, por meio de cursos, eventos e visitas às exposições.

(Foto: Adailson Calheiros)


Em meados de 1988, a professora e zoóloga Liriane Monte Freitas, especialista em moluscos, recebeu um telefonema de uma colega pesquisadora de Pernambuco: “há uma senhora aí em Alagoas que tem uma coleção linda de moluscos e eu gostaria de visitar para meu doutorado”, disse ela.

Liriane Monte Feitas deu-se conta de que sabia quem era a tal senhora dona do acervo e um encontro foi marcado para visitar e conhecer as peças. Ao chegar até o local, elas se depararam não só com incríveis moluscos de várias partes do mundo, mas também com a vontade da senhora em se desfazer da coleção.

Confirmada a possibilidade de as peças serem doadas para uma Universidade e que a instituição escolhida poderia ser a Ufal, as professoras Liriane, Iracilda Lima Moura e outros docentes da federal de Alagoas, que também visitaram e enxergaram o potencial do acervo, empenharam-se em escrever uma carta para a proprietária ressaltando a importância da coleção para a Ciência e a disponibilidade da instituição em receber as peças.

No dia 7 de maio de 1990, por meio da resolução nº 15, o MHN foi criado. Tratava-se de um novo equipamento cultural da universidade vinculado à Pró-reitoria de Extensão (Proex), atual Proexc.

O Museu de História Natural ficava localizado, inicialmente, no antigo prédio da Faculdade de Odontologia da Ufal. Apenas no ano de 2016, as exposições e os laboratórios mudaram de endereço e o MHN firmou-se no bairro do Prado.

O Museu tem – ou tinha – a missão de pesquisar, conservar e ampliar suas coleções, dando suporte aos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade, bem como aos diversos pesquisadores que o procuram para desenvolver seus trabalhos.

Médicos formados pela primeira Faculdade de Medicina de Alagoas lamentam o abandono do prédio

Na avaliação do médico e professor da Ufal, João Batista Neto, a cessão do prédio da Faculdade de Medicina/Ufal foi um equívoco histórico. O médico que ocupa a cadeira 56, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL) afirmou que para a sociedade alagoana, o Museu não tem o mesmo apelo social do curso médico.“Já foi luta hercúlea para não deixá-lo escapar da propriedade federal. Luta encampada por Ângela Canuto e Ana Dayse. O Salão Nobre inaugurado em 1955, foi violentado pelo Museu de História Natural que arrancou o nome da faculdade de medicina de sua mesa principal de mogno e apôs o próprio. Os lustres foram vendidos: ninguém sabe, ninguém viu. Sobraram as cadeiras despedaçadas e o Cristo Médico de azulejo português”.

(Foto: Adailson Calheiros)


João Batista Neto lembrou que o prédio é do século XIX (1890). Foi quartel de linha do Exército brasileiro que se transferiu para a Avenida Fernandes Lima, em 1944 e o prédio foi cedido pelo Padre Pinho – que já tinha sua posse adiantada, para acolher a juventude desprotegida – à Faculdade de Medicina após luta insana de Ib Gatto Falcão, A. C. Simões, Rodrigo Ramalho e deputado Medeiros Netto.

“A Universidade em 2025, trabalha com orçamento de dez anos atrás. Projetos vários já foram feitos e ninguém consegue juntar o Governo Federal, o Estado, e a Prefeitura Municipal de Maceió para restauração. A prefeitura neste instante restaura a praça indiferente ao belo prédio colonial e senhor de todo o conjunto. Tentativas inúmeras foram frustradas. O médico Ednaldo Holanda, líder de entidades médicas tentou aglutinar a Sociedade de Medicina, o Sindicato dos Médicos e o Conselho de Medicina. Vencido, desistiu”, detalhou.

Ainda segundo o médico, por ocasião da festa do Jubileu de Diamante da Faculdade (75 anos) em maio passado, tentamos esforços para recuperarmos ao menos o Salão Nobre. Talvez até transferindo o arsenal museológico para o prédio atual no Campus da Ufal.

“Consultada, a decana da museologia alagoana Carmen Lúcia Dantas, disparou que as peças não falam fora do seu espaço histórico. Paciência. Lute, insista devagar e conseguirão”, afirmou o médico.

Conforme João Batista Neto, Alagoas maltrata seus museus, no imaginário de que após três dias de praia, o turista ainda aguenta mais sol e não busca cultura.

“Uma conclusão estúpida. Dia desses, o jornalista e arquiteto Ênio Lins, disparou em sua coluna, nessa mesma Tribuna, um apelo não respondido. Portanto, a única solução, seria lutar pela restauração completa do prédio e transformá-lo em espaço vivo que funcionasse como um Centro de Convenções e Espaços de documentação histórica da medicina alagoana e da Faculdade de Medicina de Alagoas (03/05/1950). O Conselho Regional de Medicina obrigado a deixar o Pinheiro pela crise de afundamento do solo poderia ser o primeiro a encampar. A diretora Ângela Canuto está preparando uma Comissão para lutar por este objetivo, porque como Drumond ‘lutar por esta restauração é a luta mais vã; mas, a gente luta, mal irrompe a manhã’”, citou o médico.

Para a médica Ângela Canuto, o sentimento é um misto de tristeza, frustração até de uma certa ansiedade em saber que um prédio histórico que abrigou tantos médicos que estruturam e estruturam a saúde em Alagoas está desmoronando.

Ela recordou que houve uma esperança quando o prefeito JHC iniciou a reforma da Praça Afrânio Jorge. “Imaginamos que um prédio daquela magnitude não seria ignorado e excluído, o pior é que foi. No mandato do então prefeito Cícero Almeida, quiseram comprar o prédio e pensamos que se houvesse essa compra a construção histórica seria descaracterizado. Políticos alagoanos, não quero generalizar pois toda regra tem exceção, em sua maioria, são informados, mas não tem cultura daí penso que surge este desprezo pela história”.

Ângela Canuto recordou que muitas vezes, passa pelas ruas do Imperador, Nova e Ângelo Neto e vê casas antigas desmoronando. Segundo a médica, estas construções poderiam ter um estímulo para reformas com manutenção de suas características. Poderiam ser muito úteis como referência para os estudantes de arquitetura e história. E este patrimônio histórico está sendo destruído pelo tempo.

“Voltando ao prédio onde em 1951 iniciaram-se as aulas do primeiro curso de Medicina é importante que façamos uma campanha para restaurá-lo. Sou autora de um livro sobre a história da fundação deste curso que se denomina Faculdade de Medicina-história de luta e esperança que conta como três médicos uniram-se para, do nada, construírem um curso que transformou e transforma a realidade social do estado de Alagoas. Temos um salão nobre que tem um mural de azulejos portugueses que foi um presente do doutor Abilio Antunes que está se deteriorando, temos salas de aula cujos tetos caíram. É uma desesperança. Quando vemos o escândalo da Secretaria de Estado e Saúde [referindo-se à Operação Estágio IV deflagrada essa semana pela Polícia Federal e que cumpriu 38 mandados de busca e apreensão para apurar desvios milionários na Saúde do estado] a frustração aumenta”, concluiu Ângela Canuto.