Cidades
Bairro Cidade Universitária lidera em violência contra a mulher
De janeiro a junho de 2025, foram registrados 6.811 boletins de ocorrência em Maceió
Nos seis primeiros meses deste ano, foram registrados um total de 6.811 boletins de ocorrência relacionados à violência contra a mulher. Os números são do relatório do Observatório Alagoas Igualdade de Gênero e são os mais recentes publicados. Os dados foram extraídos do Perfil da Violência contra Mulheres em Alagoas: Janeiro a Junho de 2025.
As denúncias por ameaça, difamação, injúria, estupro, stalking, lesão corporal, descumprimento de medidas protetivas aparecem em destaque, indicando maior conscientização na busca por proteção e denúncia com base na Lei Maria da Penha.
A maior parte das ocorrências de violência contra a mulher tem endereço certo e acontecem nos bairros Cidade Universitária 23,7%; Benedito Bentes 18,0%; Jacintinho 12,9%; Tabuleiro do Martins 12,4%; Clima Bom 8,8%; Santa Lúcia 6,0%; Jatiúca 6,0%; Vergel do Lago 4,5%, Santos Dumont 4,1% e Feitosa 3,6%.
As ameaças são 34,5% dos boletins; lesão corporal (21,4%); perseguição/stalking (9,5%); injúria (9,2%); descumprimento de medida protetiva (5%); difamação e calúnia (4,5%); vias de fato (3,8%); dano (3,4%), estupro (tentativa e vulnerável 1,8%) e outros (6,7%).
No primeiro semestre de 2025, 297 mulheres idosas fizeram denúncias de violência, 250 denúncias foram de crimes cometidos contra meninas entre 12 e 17 anos e 99 boletins envolvendo crianças de zero a 11 anos.
A faixa etária predominante das vítimas é entre 35 e 45 anos, sendo seguida por 25 a 29 anos; 30 a 34 anos; 46 a 59 anos; mais de 60; 12 a 17 e 0 a 11 anos.
A violência não escolhe idade, nem profissão. Entre as vítimas, 37,28% são do lar; 16,62% agricultoras e 11,8% estudantes.
Para o Observatório Alagoas Igualdade de Gênero, o enfrentamento à violência contra as mulheres são pode se limitar à punição dos agressores. É preciso investir em políticas públicas que promovam autonomia econômica.
Sobre a sexualidade das vítimas, 17,9% são de mulheres heterossexuais. As mulheres bissexuais e homossexuais não chegam a 1%.
Quase sessenta e um por cento das vítimas são pardas; 17,8% brancas; 14,8% não informou; 6,1% pretas; 0,3% amarelas e 0,1% indígenas.
Noventa e três por cento dos agressores são ex-companheiros; 49% companheiros, 38% ex-cônjuge; 35% cônjuges; 10% cunhada; 9% ex-namorado; 8% mãe/pai; 4% sobrinho; 3% filho/irmão; 2% genro/nora/outros; 1% enteado/namorado/sogro/neto.
Em todo o Brasil, foram 555.001 medidas protetivas de urgência, das quais 2.542 nos primeiros seis meses em Alagoas.
Agressores
são jovens
A violência contra a mulher em Alagoas tem um perfil bem definido, segundo o Observatório Alagoas Igualdade de Gênero. De uma forma em geral, o agressor tem menos de 60 anos, sendo que a maioria tem entre 20 e 44 anos.
Dentre as profissões declaradas pelos agressores, 6% são motoristas; 3,2% agricultores; 3% autônomos; 2,6% serventes de obras e 1,6% pedreiros. Os desempregados representaram uma parcela de 4,9%.

O Observatório Alagoas Igualdade de Gênero destacou que “nota-se uma predominância de atividades manuais e ligadas ao setor informal, caracterizada por baixa exigência de escolaridade formal e, frequentemente, associadas a rendimentos reduzidos e vínculos laborais instáveis”.
Cinquenta e dois por cento dos agressores são pretos. Um percentual de 26,8 não informou a raça. Os brancos são 14,5% dos agressores, os pardos 6,3% e os amarelos 0,3%.
Maceió tem o maior número de casos
Os municípios onde mais se concentram a violência contra as mulheres são Maceió (dois mil registros), Arapiraca (646), Rio Largo (181), União dos Palmares (178) e Penedo (165). Estes dados sobre os municípios são de 2024.
Conforme o Observatório Alagoas Igualdade de Gênero, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas que levem em consideração essa escalada de violência contra a mulher e atuem, de forma articulada, entre os diferentes níveis governamentais com foco na prevenção e assistência ampla.
O Observatório Alagoas Igualdade de Gênero é coordenado pela assistente social e professora associada da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Andréa Pacheco de Mesquita. Ela lidera o Grupo de Pesquisa Frida Kahlo: estudos de gênero, feminismos e serviço social – CNPq/Ufal. Pela delegada da Polícia Civil de Alagoas e doutoranda da Ufal Ana Luiza Nogueira de Araújo e pela coordenadora da Casa da Mulher Alagoana, Paula Simony Lopes Ferreira.
Dia Internacional
Os dados extraídos da violência de gênero estão estarrecendo a sociedade e aumentando as estatísticas de forma assustadora. Para chamar a atenção para o problema, a semana foi marcada por manifestações em alusão ao Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, celebrado no último dia 25.
De janeiro a setembro deste ano, a Casa da Mulher Alagoana realizou 1.649 atendimentos de forma presencial e remota. Deste total, 129 mulheres precisaram de alojamento, das quais 76 estavam acompanhadas dos filhos. Em 2024, foram atendidas mais de 1.511 mulheres e 47 abrigamentos.
As mulheres que procuram atendimento na Casa da Mulher Alagoana relatam casos de violência psicológica, ameaça e violência física.
O local recebe mulheres de todo o estado, inclusive turistas ou pessoas que estão passando pela cidade e sofrem violência ou ameaça.
Acolhimento
Temporário
A Casa da Mulher Alagoana funciona desde 2021. É um espaço humanizado que conta com atendimento psicossocial, Delegacia Especializada para boletim de ocorrência e pedido de medida protetiva, Juizados Especializados, Defensoria Pública para prestação jurídica, brinquedoteca, prioridade nos programas sociais da prefeitura, como aluguel social e casa própria.
“Além disso, a Casa também serve como abrigo temporário para aquelas que estejam em situação de risco ou que não tenham para onde ir com seus filhos”, destacou a coordenadora da Casa da Mulher Alagoana, Paula Lopes. Ela garantiu que o local é o mais completo de atendimento para mulheres vítimas de violência no estado.
Na avaliação da coordenadora da Casa da Mulher Alagoana, Paula Lopes, o enfrentamento a esse problema não é responsabilidade apenas das vítimas e, sim, um compromisso coletivo.
Uma das lideranças do Grupo Mulheres do Brasil – núcleo Maceió, Manuela Melo, afirmou que, no ano passado, mais de um milhão de mulheres pediu ajuda por causa da violência doméstica.
“São duas chamadas por minuto. A maioria dessas chamadas acontece dentro do próprio lar. Esses dados reforçam a urgência de ampliar o debate e fortalecer a rede de proteção às mulheres”, destacou Manuela Melo.
A Casa da Mulher Alagoana conta com os telefones (82) 2126-9650 e (82) 99157-3023 e fica localizada ao lado da Praça Sinimbu, no Centro de Maceió. O espaço funciona 24 horas todos os dias da semana para os serviços de abrigamento, e para os atendimentos, de segunda a sexta, das 7h30 às 18h.
Além da Casa da Mulher, Maceió possui duas delegacias para casos de violência contra a mulher, uma que funciona 24 horas no Complexo de Delegacias, em Mangabeiras e outra no Salvador Lyra, na parte alta de Maceió.
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