Cidades
Advogado denuncia que PMs invadiram e depredaram terreiro de Mãe Vera na Cidade Universitária
Segundo Pedro Gomes, ação militar teria ocorrido após filho de santo ter sido abordado, jogado em viatura e torturado para confessar ser traficante
Um advogado denunciou na quinta-feira (2) que policiais militares invadiram e depredaram o terreiro Abassá de Angola, fundado pela falecida Mãe Vera, localizado no conjunto Otacílio Holanda, no bairro Cidade Universitária, parte alta de Maceió. A ação teria ocorrido, segundo Pedro Gomes, para procurar drogas e não houve mandado expedido.
O advogado Pedro Gomes, membro do Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL), divulgou o caso por meio das redes sociais. "Guarnição da PM de Alagoas, invadiu e depredou o terreiro Abassá de Angola, fundado pela saudosa Mãe Vera. Sob a justificativa de procurar drogas, sem qualquer mandado e sem qualquer indício ou evidência de que poderia existir algum tipo de entorpecente", afirmou.
Segundo Pedro, a pessoa abordada pela guarnição é filho de santo e filho da atual yá do terreiro. Ele mora no local e "foi abordado pela PM, jogado na viatura e submetido à sessão de tortura para confessar ser traficante, enquanto sua mãe esperava a viatura chegar com ele na Central de Flagrantes, o que não aconteceu", destacou.
Pedro relatou também que o homem foi espancado e ameaçado de morte, porém nada de ilícito foi encontrado. Mesmo sem irregularidades, os militares então teriam invadido o local para seguir na busca pelos supostos entorpecentes e então as portas e correntes do local foram quebradas, com o terreiro revirado. As fotos divulgadas na postagem do advogado detalham bem como ficou o templo religioso.

Pedro Gomes celebrou que, pelo menos, nenhuma imagem sagrada do terreiro tenha sido alvo da depredação. "Ou seja essa guarnição algemou, espancou, ameaçou, invadiu um local sagrado, danificou sua estrutura, tudo isso pra encontrar um total de 0 substâncias ilícitas", pontuou o membro do INEG/AL.
Ele considera o caso mais um caso de racismo e violência policial, mas que não ficará impune e vai buscar a identificação dos militares. "O INEG, por meio de seu núcleo de advocacia racial exigirá a identificação desses policiais e sua punição exemplar! Chega!", encerrou.
Sobre o caso, a Polícia Militar emitiu nota nesta sexta-feira, leia na íntegra:
"A Polícia Militar de Alagoas informa que atos praticados por militares da Corporação que possam violar direitos dos cidadãos devem ser denunciados à Corregedoria-geral da PMAL, que atua 24h por dia, todos os dias da semana. Tal procedimento é essencial para que a Instituição tenha conhecimento dos casos, sendo possível a apuração da conduta dos policiais envolvidos em possíveis transgressões.
Polícia Militar de Alagoas. Sua segurança: nossa missão!"
Confira mais fotos:


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