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15 de janeiro de 2022 10:11

“Porto da Braskem agrava erosão no Pontal”

Oceanógrafo Gabriel Le Campion diz que construção do dique provocou desvio na corrente marítima, que aumentou problema

↑ De acordo com o oceanógrafo Gabriel Le Campion, porto da Braskem é um dos fatores que agrava a erosão na orla do Pontal da Barra (Foto: Adailson Calheiros)

O porto da Braskem é um dos agravantes para o processo de erosão que ocorre na orla marítima do Pontal da Barra. A afirmação é do oceanógrafo Gabriel Le Campion. Ele diz que, “a construção do dique provoca um desvio na corrente marítima. Esse desvio aumentou a erosão no local e a progradação, que fez o mar avançar em determinados trechos e recuar em outros”.

No entanto, segundo o oceanógrafo, existem fatores comuns a toda costa e que resultam no processo de erosão. “O déficit negativo de sedimentos nas praias, provocado pelos desmatamentos nos rios é um desses fatores, pois o excesso de deposição sedimentar nas calhas desses rios acarreta na falta de sedimentação nas praias. O segundo ponto é o avanço do homem na faixa de domínio marinho, que é uma faixa elástica, onde existem períodos de recuo e outros, quando ocorrem fortes tempestades e ventos. Nesse período o mar vai em busca do sedimento provocando a erosão”, explicou Le Campion.

Ele disse que apesar do processo ocorrer há muito tempo, em alguns pontos ele é mais intenso. “A remoção da vegetação nativa aumenta a velocidade dos ventos na superfície do solo e acaba arrastando sedimentos. As edificações próximas à orla também acabam amplificando o problema”, alertou.

Por meio de nota, a Braskem disse que as operações portuárias da empresa em Maceió seguem as melhores práticas do mercado e atendem à regulação marítima e portuária brasileira e internacional; especialmente quanto aos aspectos de segurança das instalações e do processo, das pessoas e do meio ambiente. A nota afirma ainda que as operações da Braskem são regularmente auditadas e fiscalizadas pelas autoridades competentes, na forma prevista em lei.

Vários trechos da orla de Maceió estão deteriorando

O processo de erosão que atinge diversos pontos da orla marítima da cidade tem causado transtornos e expõe a riscos constantes, pedestres, ciclistas e condutores de veículos. Um desses trechos fica por trás do Hotel Jatiúca, onde parte da ciclovia cedeu.

Trecho na orla de Jatiúca é outro que registra o problema de erosão (Foto: Edilson Omena)

Gilson Freitas utiliza a bicicleta como forma de transporte para chegar ao trabalho. Ele disse que, “passo constantemente por aqui. Tenho clientes na Jatiúca e Ponta Verde. Com esse problema, precisamos entrar no passeio de pedestres. Além de perigoso é constrangedor, muitos pedestres nos olham de forma reprovadora, já que estamos no espaço deles. Isso precisa de solução, não podemos passar por isso. É uma situação bastante desagradável”, lamentou.

Um dos pontos em que a erosão encontra-se mais avançada é na orla do Pontal da Barra. Nesse trecho, pedestres dividem o asfalto com os carros. Cristiano Nascimento mora em Ilhéus, na Bahia e está passando alguns dias em Maceió. Ele fez uma parada no local e afirmou que, “fui estacionar para fazer uma foto na placa que tem o nome da cidade, e ao ver o tamanho da erosão fiquei com receio de onde estaria colocando o carro. Espero que em outra oportunidade, ao voltarmos à cidade, encontremos a situação resolvida. É lamentável um destino tão procurado por turistas, nessas condições”.

Com relação ao trecho da ciclovia que afundou, na Jatiúca, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra), informou que, o órgão esteve no local realizando as vistorias preliminares, mas que ainda não há previsão para início dos serviços de recuperação.

A Seminfra informou também que dará início às obras de contenção marinha em cinco trechos da orla de Ponta Verde e Jatiúca, com a implantação de sandbags (tecnologia utilizada para proteção costeira e recuperação da praia com erosão marinha) e que as obras devem começar ainda neste início de ano.

Com relação à erosão na orla do Pontal da Barra, o Município afirma já existir um projeto para implantação de um parque, que além de solucionar o problema de erosão, também iria contribuir para amenizar a carência de áreas públicas de lazer. No entanto, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (Sedet), responsável pelo projeto Parque das Dunas disse também que não há previsão de início das obras.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Sirley Veloso – colaboradora

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