Cidades
Empreendedores e moradores resistem e não saem do Pinheiro
Donos de imóveis que permanecem na região sofrem com cortes de serviços porque a área consta como desabitada
Além de todos os sofrimentos causados pela Braskem aos moradores dos bairros atingidos pelas perfurações da mineradora, moradores e empreendedores que resistem em sair do bairro do Pinheiro vêm enfrentando diversos constrangimentos, como tentativas e cortes do fornecimento de serviços essenciais, a exemplo de água e energia elétrica.
Pedro Nunes, além de morador, possui um estúdio de gravações no bairro do Pinheiro. Ele disse que nessa segunda-feira (27), foi surpreendido com o corte de água de sua residência, por uma equipe da BRK Alagoas. “Quando sai, eles já estavam efetuando o corte e disseram que o imóvel constava em lista da Braskem como desocupado. Mesmo eu me apresentando eles efetuaram o desligamento. Fiquei 24 horas sem água. Hoje [terça-feira, 28] repararam o erro e religaram”, disse, mais aliviado.
A BRK Alagoas respondeu a uma postagem, feita no perfil do Instagram de Pedro Nunes, afirmando que “nós temos realizado os cortes de água dos imóveis classificados como desabitados de acordo com dados fornecidos pela Braskem”.
Pedro afirmou que seu imóvel está classificado no mapa de risco dos bairros que sofrem com o afundamento do solo na capital como área de pouco risco e que ele tem a opção, inclusive oferecida pela Braskem, de permanecer no local até que seja compensado financeiramente pelos danos causados pela Braskem.
O advogado Alberto Fragoso disse que desde outubro vem lutando para que Pedro Nunes entre no programa de compensação financeira da Braskem, mas que até o momento as solicitações não foram atendidas. “Já pedimos ajuda aos facilitadores da empresa que vêm mediando a relação proprietário-Braskem, porque a outra empresa, Diagonal, responsável pela colheita da documentação preliminar, ainda não manteve contato apesar dos reiterados pedidos”.
“Não podemos desistir, temos que resistir”, diz dono de panificação
Outro caso semelhante é o enfrentado por Nijauro Ribeiro Filho, proprietário da Panificação Nossa Senhora da Conceição. Nijauro disse que a Equatorial, empresa de energia elétrica, esteve em seu estabelecimento para cortar o fornecimento, mas recuaram diante da resistência do comerciante.
“Claro que nosso movimento reduziu pela metade, mas mesmo assim ainda está dando para pagar as contas. Tenho três funcionários. São três famílias, além da minha, que sobrevivem disso aqui. Não podemos desistir. Temos que resistir”, afirma.
Nijauro disse que a panificação tem 33 anos. “Grande parte da vida do meu pai foi dedicada a este estabelecimento. Ele andava deprimido com toda essa situação causada pela Braskem e em abril deste ano, já com a saúde debilitada pegou Covid e não resistiu”, lamentou.
O Pinheiro, onde estão localizadas a casa de Pedro Nunes e a panificação de Nijauro Ribeiro Filho, está entre os bairros em processo de afundamento devido à mineração de sal-gema. Também são afetados pelo afundamento do solo os bairros de Bebedouro, Mutange, Bom Parto e parte do Farol.
Mais lidas
-
1Mais perguntas do que respostas
Mistérios que a 2ª temporada de Nêmesis precisa resolver
-
2Abusos em treinos e viagens
Professor de basquete é preso enquanto trabalhava em ginásio de Maceió
-
3Centro e Levada
Compra, venda e troca: Feira do Rato segue viva
-
417h às 23h
Orla aberta tem horário ampliado a partir deste sábado para lazer
-
5Medidas
Ufal investe quase R$ 1 milhão em reforma do Ichca; obras iniciam em junho



