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4 de dezembro de 2021 09:25

Ballet Eliana Cavalcanti apresenta último espetáculo de sua história

A escola de Ballet Eliana Cavalcanti apresenta este sábado (4) no palco do Teatro Deodoro o espetáculo “Reverência”,

↑ Espetáculo será o marco para o encerramento das atividades da instituição que funciona em Alagoas há quase cinco décadas (Foto: Divulgação)

Quando, neste sábado (4), as cortinas do suntuoso palco do Teatro Deodoro forem baixadas, logo depois do último ato do espetáculo “Reverência”, será encerrado o mais importante e transformador ato da dança alagoana. Idealizado, produzido e executado pela professora/bailarina Eliana Cavalcanti a apresentação é o grande final das atividades da escola que leva seu nome e que funcionou na capital alagoana por 48 anos formando uma geração de bailarinas e bailarinos e revolucionando o fazer artístico em terras caetés.

“Sim, este será o último espetáculo do Ballet Eliana Cavalcanti. Foram 48 anos de uma bela e honrosa história. Pretendia fechar a escola daqui a dois anos quando o Ballet Eliana Cavalcanti completaria 50 anos. Seria o Jubileu de Ouro. Mas, o sofrimento que passei com a tragédia causada pela Braskem fez com que eu acelerasse esse projeto. Com todas as forças exauridas, me vi num cansaço extremo. Graças a Deus não tive nenhum AVC, não enfartei, nem entrei em depressão. Perdi peso, os cabelos caíram muito, adquiri uma úlcera da qual estou tratando, contudo, estou viva e com outros planos para minha vida”, disse em entrevista por uma rede social.

Entretanto, com a força típica de qualquer artista que vive em uma eterna guerra para manter sua arte de pé e firme em seus caminhos, ela afirmou não ser este um momento (o rastro de tragédia deixado pela atividade de mineração da Braskem que provocou afundamento em bairros da parte alta e baixa de Maceió) para lamentos, tristezas, feridas abertas, mas de se manter firme para continuar a lutar e ainda mais orgulhosa do trajeto que percorreu durante todas estas décadas.

“Contudo, não pensem que estou triste. Em vez de me lamentar, agradeço a Deus por ter tido o privilégio de dirigir uma escola que tanto honrou Alagoas. É preciso, no entanto, saber a hora de parar. E por isso, cuidei do espetáculo com o mesmo entusiasmo de sempre. Não foi muito difícil, pois organizei um espetáculo com um número reduzido de alunos, o que torna tudo mais fácil”, afirmou.

“O espetáculo que intitulei de ‘Reverência’ é uma homenagem à trajetória de uma escola que formou muita gente, durante quase cinco décadas, e teve uma atuação dinâmica e produtiva dentro e fora do Estado. Muita gente contribuiu para a construção dessa bela história, principalmente professores e alunos que se doaram ao máximo por amor à arte magnífica do ballet. Sem deixar de falar no jazz que sempre ensinamos na escola”.

Como não poderia ser diferente, a ideia foi transformar o espetáculo numa noite memorável para a cultura de Alagoas. “Então, convidei esses grandes artistas que estarão abrilhantado a noite com os seus talentos e competência, como a pianista Selma Britto, o ator José Márcio Passos, o maestro Almir Medeiros, e Luís Martins, que foram generosos e atenderam o meu convite sem restrições”.

A bailarina faz questão de ressaltar que não ficará longe do ballet, que continuará em sua árdua luta de fazer, criar e espalhar dança. “Como tenho receio de sentir saudades de uma sala de aula, estou procurando um pequeno espaço para adquirir, pois a minha meta é continuar dando aulas particulares, como, aliás, já o faço, e com turmas de Balé Adulto. Porém, tudo sem pretensões de montar espetáculos, de ter uma empresa. Ademais, quero dar minicursos para turmas de alunos e de professores, além de pesquisar e escrever sobre o balé”, projeta a professora que ensinou centenas de meninos e meninas que a arte é um dos mais largos caminhos para se realizar sonhos e que dançar é uma bela chave para abrir as portas e dar passagem a estes sonhos.

Reverências, senhores, à mestra do ballet alagoano.

Eliana Cavalcanti revolucionou a dança em Alagoas

Não é exagero nenhum afirmar que a chegada da bailarina Eliane Cavalcanti provocou um divisor de águas na arte da dança em Alagoas. Vinda de Pernambuco no início da década de 1970, ela estabeleceu um novo parâmetro para se encarar esse fazer artístico. É com sua chegada que se populariza o ballet e, consequentemente, a conquista de sua profissionalização. A partir de sua dedicação uma geração de bailarinas e bailarinos nasceu, cresceu e deu novos contornos à arte da dança.

E chegou a Alagoas exatamente em 1972 para lecionar ballet no Colégio SS Sacramento. “No ano seguinte, casei-me, vim morar em Maceió e abri a primeira escola de balé de Alagoas. Aqui já tinham ensinado outras professoras e havia uma única ensinando na AABB, naquele momento. Eu já ensinava balé no Curso de Danças Clássicas Flávia Barros desde os meus 15 anos. Somam-se, portanto, 55 anos de ensino dessa arte magnífica. Egressa da posição de primeira bailarina do Grupo de Ballet do Recife, recebi, por duas vezes, convite (Ballet Stagium de São Paulo e Associação de Ballet do Rio de Janeiro) para ser bailarina profissional. Declinei desses convites e nunca me arrependi, pois, com o passar do tempo, compreendi que a minha vocação maior estava voltada para o ensino”, contou em uma carta escrita no último mês de agosto, quando anunciou o encerramento das atividades da escola.

Ela disse ainda que o seu sucesso está diretamente ligado à dedicação que sempre depositou em sua arte.

“Para se dedicar à arte de uma maneira geral, é preciso ter muita vocação. Sempre senti pelo Ballet quase que uma devoção; é uma entrega, muitas vezes, com sacrifício. Os caminhos, em diversos momentos, se apresentam tortuosos, mas o prazer que a arte nos proporciona e proporciona à plateia, vale todo o esforço. Quando você ama o que faz, qualquer peso se torna leve”.

Fonte: Tribuna Independente

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