Cidades

2 de dezembro de 2021 07:20

Casos de dengue disparam 187% em Alagoas

Estado está entre as unidades da Federação que apresentaram maiores taxas de positividade por sorologia para doença no país

↑ Lixo acumulado em terrenos das cidades potencializa a formação de criadouros, pois acumula água com larvas do mosquito Aedes aegypti (Foto: Edilson Omena)

Os casos de dengue disparam 187% em Alagoas deixando o estado na segunda posição entre as unidades da federação e em primeiro lugar entre os estados do Nordeste com maior aumento da doença. No ranking do país, Alagoas fica atrás somente do Amapá.

Em 2020, o número de casos de dengue no estado foi de 2.215, já neste ano de 2021 foi de 6.357, conforme levantamento do Ministério da Saúde, que aponta as 12 unidades da federação com maior variação da doença entre os dois anos.

O transmissor da dengue é o mosquito Aedes aegypti, que também é vetor da chikungunya e zika, especialmente nesta época do ano, que precede o verão. Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan/MS), 110 casos de zika foram confirmados em Alagoas no ano anterior e até o momento em 2021 são 109. Os casos confirmados de chikungunya saltaram de 132 no ano passado para 245 de janeiro a novembro deste ano.

Segundo o MS, quatro óbitos por dengue foram confirmados este ano em Alagoas e nenhum no ano passado. No país, o número de mortes pela doença apresenta uma redução de 62%.

Os números foram apresentados no lançamento da campanha do Ministério da Saúde: “Combata o mosquito todo dia”, que tem o objetivo de mobilizar a população e evitar surtos e epidemias das doenças causadas pelos arbovírus, que são vírus transmitidos por picadas de insetos, especialmente os mosquitos.

O secretário de Estado da Saúde em Alagoas, Alexandre Ayres, alertou sobre a necessidade de cada morador investir na prevenção, por meio do combate ao mosquito Aedes aegypti. “Podemos prevenir a dengue em nossas próprias residências. Os cuidados são simples e todos podem adotar medidas como evitar água parada em objetos, a exemplo de pneus, garrafas e vasos de planta, além de manter as caixas d’água sempre fechadas e limpá-las periodicamente. Também é importante vedar poços e cisternas, descartar o lixo de forma adequada. Enfim, são ações simples que fazem toda a diferença”, disse.

SINTOMAS

Os principais sintomas da dengue são febre alta maior que 38.5ºC, dores musculares intensas, dor ao movimentar os olhos, mal estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo. Ao apresentar qualquer dos sintomas listados, é importante procurar um serviço de saúde para diagnosticar e tratar adequadamente. Os serviços são oferecidos de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

O diagnóstico da dengue é clínico e feito por um médico. Ele é confirmado com exames laboratoriais de sorologia, de biologia molecular e de isolamento viral, ou confirmado com teste rápido.

A melhor forma de prevenção da dengue é evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, eliminando os focos e evitando água armazenada que pode se tornar possíveis criadouros, como em vasos de plantas, garrafas plásticas, piscinas sem manutenção e outros.

Centro, Ponta Grossa e Mangabeiras são os bairros com maior infestação

 

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o cenário epidemiológico das arboviroses no período sazonal por distrito/bairro aponta maior índice de infestação do mosquito Aedes aegypti, no Centro, com 1.041,66 casos por 100mil habitantes; Ponta Grossa, com 542,59 casos/100mil habitantes e Mangabeiras, com 477,16 casos/100mil habitantes.

Para conter a proliferação, a SMS intensificou as ações de fiscalização e educação ambiental, com a realização do Mutirão de Coleta de Pneus e de contenção de roedores e escorpiões por toda a cidade.

A gerente de Controle de Vetores e Animais Peçonhentos da Secretaria Municipal de Saúde, Carmem Samico, chamou a atenção da população para os cuidados com a prevenção, eliminando os locais propícios à disseminação do mosquito dentro de casa e nas áreas externas dos imóveis residenciais e comerciais.

“No nosso diagrama de controle, tivemos um aumento de casos a partir de junho. O período chuvoso aumenta a oferta de criadouros e eleva a proliferação do mosquito, aumentando também a probabilidade de surtos epidêmicos, e foi isso o que ocorreu. Em função disso, estamos realizando vários mutirões para controle dos reservatórios e para impedirmos o avanço da dengue, zika e chikungunya, todas transmitidas pelo Aedes aegypti”, explicou Samico.

“Qualquer reservatório que possa acumular água de chuva, inclusive aquelas pocinhas que aparecem na rua e nos quintais, às vezes escondidos debaixo do mato que cresceu, são propícios a se tornar um criadouro. Essas situações devem ser corrigidas”, orientou.

“Intensificamos o monitoramento diário de casos, com visita domiciliar para identificação de criadouros onde há acúmulo de água com larvas para tratamento, ações em pontos estratégicos, como borracharias e ferros-velhos, entre outros, nessas áreas aonde vêm acontecendo mais casos. Por isso, estamos desenvolvendo esses mutirões e fazendo bloqueio nas áreas onde um maior número de pessoas adoeceu”, completou.

DISQUE-DENGUE

Os agentes de endemias da Saúde de Maceió fazem trabalho contínuo nas áreas com maiores índices de infecção para garantir a redução na transmissão da dengue no município, além de atender a população pelo Disque Dengue, no número 3312-5495. Por meio deste contato, a população tanto pode denunciar áreas com potencial para proliferação do mosquito quanto receber orientações para corrigir situações que favoreçam a proliferação do mosquito Aedes aegypti. (com assessoria)

Fonte: Tribuna Independente / Ana Paula Omena

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