Cidades

27 de novembro de 2021 10:12

Bairros que afundam: desaceleração não indica estabilização de solo

Defesa Civil de Maceió diz que dados coletados até agora são inconclusivos para determinar cenário futuro da região

↑ Áreas que afundavam 28 cm ao ano passaram a afundar 25 cm, o que não indica melhora no processo (Foto: Arthur Melo)

Após audiência pública realizada esta semana no Senado Federal onde o coordenador da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre afirmou que a movimentação de solo está “desacelerando”, o órgão explicou – com exclusividade -, à Tribuna Independente, que o movimento superficial tem apresentado sutil diminuição. Entretanto, os dados coletados até agora são insuficientes para determinar que o processo de subsidência está se estabilizando.

Segundo equipe técnica do órgão municipal, o que tem sido observado é uma desaceleração da movimentação, isto é, áreas que afundavam 28 cm ao ano, passaram a afundar 25 cm, o que ainda é considerado muito. Na prática, o processo de afundamento continua evoluindo e o órgão não consegue determinar o que pode estar causando essa diminuição e se é de fato uma tendência.

“O processo é dividido em vários segmentos, a subsidência é a deformação superficial, é a deformação que gera trincas, rachaduras, fissuras. E há uma desaceleração em alguns trechos dessas movimentações. Agora não se sabe ainda se isso é consequência do preenchimento ou se tem relação com alguma outra variável que ainda não está bem definido”, detalhou a equipe técnica do órgão.

Questionados sobre como a Defesa Civil consegue identificar essa desaceleração, o órgão explicou que as informações foram obtidas através das análises dos resultados de interferometria e avaliações de DGPS (equipamentos que acompanham a movimentação), mas que esses dados são preliminares e que não há histórico disponível para determinar a influência de fatores como chuva, preenchimento das cavidades, entre outros aspectos e portanto ainda é cedo para fazer prognósticos. Também não há informações se e quando os dados coletados até agora serão disponibilizados em relatório público.

“A gente constata a partir de monitoramento, seja por DGPS seja por interferometria, são dois métodos de acompanhamento, de verificar o solo, que nos dão o deslocamento por área de uma região, o deslocamento, o tempo e a velocidade. A velocidade em relação ao tempo determinando a aceleração. E aí a gente sabe se está acelerando ou desacelerando. Essa questão ainda é muito sutil, não há notificação significativa, é muito precoce fazer julgamento porque essas informações são muito recentes e não temos uma relação de sazonalidade, saber se há uma relação de causa e efeito com as chuvas porque só equipamentos recentes, foram instalados em 2019 e outros em 2020 e não temos dados suficientes para apontar que há uma desaceleração de fato relacionada ao preenchimento ou período seco e se no período chuvoso pode voltar a acelerar”, pontua.

Cabe ressaltar que uma das medidas de mitigação do processo de subsidência é o preenchimento de quatro cavidades com material sólido que vem sendo executada pela Braskem.

Potencial de atingir outros bairros hoje é zero”, afirma a Defesa Civil

A Comissão de Fiscalização e Controle do Senado realizou na última quinta-feira (25) uma audiência pública que debateu aspectos do afundamento de solo vigente em cinco bairros da capital alagoana. Participaram os coordenadores do Gabinete de Gestão Integrada para a Adoção de Medidas de Enfrentamento aos Impactos do Afundamento dos Bairros (GGI dos Bairros) e da Defesa Civil Municipal.

E foi o coordenador da Defesa Civil, Abelardo Nobre, que afirmou que havia uma desaceleração. “O potencial de atingir outros bairros hoje é zero. Estudos apontam que do eixo da cavidade de extração de sal, até a área que pode ser atingida por uma possível deformação da camada de sal é de um raio de 900 a 1.000 metros, o que nos confirma que nenhum outro bairro deverá ser atingido”, explica.

Além disso, o titular da pasta disse ainda que não há evidências até o momento que justifiquem a atualização do mapa de risco e inclusão de novas áreas. Vale ressaltar que a discussão dos limites das áreas consideradas de risco tem sido alvo de debates e reclamações das comunidades “na borda do mapa”, isto é, que estão na circunvizinhança.

Mas, conforme explicou a Defesa Civil à Tribuna Independente, todas as informações passadas se referem ao atual momento. Não é possível prever se, nos próximos meses ou anos, novas áreas passarão a ter influência do fenômeno considerando sua dinamicidade.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Evellyn Pimentel

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