Cidades

25 de novembro de 2021 17:36

GGI dos Bairros e Defesa Civil mostram realidade sobre afundamento de bairros

Audiência pública foi promovida pela Comissão de Fiscalização e Controle do Senado e presidida pelo senador Rodrigo Cunha

↑ Ronnie Mota (Imagem: TV Senado / Reprodução)

O afundamento do solo em cinco bairros de Maceió foi o tema de uma audiência pública na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado. Os coordenadores do Gabinete de Gestão Integrada para a Adoção de Medidas de Enfrentamento aos Impactos do Afundamento dos Bairros (GGI dos Bairros) e da Defesa Civil Municipal participaram da audiência, que ocorreu nesta quarta-feira (24).

Ronnie Mota, o coordenador do GGI dos Bairros, destacou o processo de afundamento do solo continua afetando os bairros de Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e parte do Farol. Ele recordou as ações de enfrentamento que estão sendo desenvolvidas pela Prefeitura de Maceió e que aproximadamente 60 mil pessoas tiveram que deixar suas casas.

“Várias demandas estão surgindo, na mesma velocidade que 50 mil a 60 mil pessoas saíram de suas casas e a Prefeitura precisa garantir infraestrutura, saúde, habitação e outras assistências tanto aos que saíram quanto aos que ficaram. A Prefeitura de Maceió está fazendo um levantamento minucioso para que a Braskem possa reparar minimamente esses danos causados”, esclareceu.

Mota relatou ainda que a Prefeitura segue monitorando as áreas afetadas diuturnamente, bem como as áreas do entorno do Mapa 04 de Linhas e Ações Prioritárias, em vigor desde dezembro de 2020, oportunidade que citou as comunidades dos Flexais de Cima, de Baixo e de parte da Marques de Abrantes.

“Ajudamos a Defesa Civil com a questão do ilhamento socioeconômico e do isolamento social e temos mantido diálogo com a população fora do mapa, fomos os primeiros a discutir com a Caixa Econômica Federal sobre a restrição dos Ceps. O GGI tem essa função de manter os canais de diálogo com a população para que esse sentimento de hipossuficiência possa ser desfeito”, afirmou.

Já o coordenador geral da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre, tratou sobre o microssismo que aconteceu em Maceió no dia 5 de novembro, durante a perfuração de um poço para o preenchimento de minas de sal-gema.

“O microssismo aconteceu no dia 5 de novembro, as 11h23, e foi detectado pela rede sismográfica que é monitorada pela Defesa Civil de Maceió. O sistema nos deram as coordenadas geográficas e nos mostrou que foi um evento de 1,41 de magnitude local. Nossas equipes de campo detectaram uma sonda em operação, que estava a 176 metros de profundidade”, descreveu.

Abelardo continuou: “Nossas leituras apontaram para um sismo ocorrido no local onde estava a sonda, mas há uma profundidade de 180 a 200 metros, o que nos leva a crer que o motivo desse sismo foi atividade dessa sonda. Entramos em contato com a Braskem e determinado a atividade de preenchimento dessas cavidades até que a motivação do sismo fosse esclarecida”, afirmou.

O coordenador da Defesa Civil explicou ainda que não há equipamentos disponíveis que possam prever sismos. “O que pode se prever é a consequência dele. Se em algum momento for detectado pela nossa rede de monitoramento uma intensidade maior e uma frequência maior, isso quer dizer que o colapso dos tetos dessas cavidades está em direção a superfície”, esclareceu.

Abelardo explicou que a movimentação do solo, na escala horizontal está desacelerando. “O potencial de atingir outros bairros hoje é zero. Estudos apontam que do eixo da cavidade de extração de sal, até a área que pode ser atingida por uma possível deformação da camada de sal é de um raio de 900 a 1.000 metros, o que nos confirma que nenhum outro bairro deverá ser atingido”, explica.

Abelardo explicou ainda que não há neste momento nenhum dado científico e técnico que justifique uma nova atualização do Mapa de Linhas e Ações Prioritárias. “Mas assim que tivermos, nós a faremos”, concluiu Abelardo.

A audiência foi presidida pelo senador por Alagoas, Rodrigo Cunha, e contou com a participação do deputado federal, também por Alagoas, Pedro Vilela. Membros do Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União, representantes de associações e líderes comunitários participaram da audiência.

Assistir a audiência na íntegra abaixo:

Fonte: Secom Maceió / Texto: Erik Maia

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