Cidades

23 de novembro de 2021 07:24

CBTU aciona Justiça e Braskem suspende audiência

Companhia quer reparação por perda de passageiros que chega a 80% devido ao afundamento de solo

↑ Para CBTU, interrupção do trajeto do VLT em Maceió impactou severamente no fluxo de passageiros (Foto: Edilson Omena)

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) quer que a Braskem arque com os prejuízos causados pela interrupção da linha férrea nos bairros que sofrem com afundamento de solo, para tanto acionou judicialmente a petroquímica e agora aguarda análise de proposta para andamento da ação que teve audiência suspensa para essa avaliação.

As negociações envolvendo a CBTU e Braskem se arrastam há meses, sem definição. Enquanto a Companhia cobra a reparação por meio de um novo trajeto orçado em R$2 bilhões, a Braskem tenta fechar um projeto utilizando trechos já existentes.

“A CBTU mantém o pedido de compensação pelos danos com uma proposta que inclui projeto e execução pela Braskem de um novo anel ferroviário que circulará por Maceió saindo do Centro passando pelos três shoppings, pela Ufal, aeroporto até chegar em Rio Largo. A Braskem está propondo novo traçado mais simples. Estamos em fase de análise de proposta nos próximos 20 dias. Aação teve uma audiência suspensa e tem 20 dias de análises de propostas. A CBTU está solicitando o reparo pelos danos causados pela Braskem de forma que a mineradora assuma a responsabilidade de ter um novo projeto com um novo traçado e a execução desse projeto que inclui a construção de um novo anel ferroviário que será fundamental para a mobilidade urbana em Maceió e região metropolitana”, detalha a CBTU.

Segundo a CBTU, a interrupção do trajeto do VLT em Maceió impactou severamente o fluxo de passageiros. “Houve uma drástica redução no número de passageiros em cerca de 80%”, ressalta.

Em nota a Braskem diz que segue em tratativas com a CBTU. “A Braskem tem mantido discussões técnicas com a CBTU com o objetivo de encontrar de forma ágil a solução mais adequada para o trecho da linha férrea atualmente interditado. Todos os termos de cooperação assinados com a CBTU visam a continuidade operacional da atual linha do VLT e estão sendo respeitados e ajustados conforme a evolução das tratativas. Além disso, de forma imediata, a Braskem tem realizado ações com o objetivo de aperfeiçoar o atual sistema de transbordo de passageiros entre as Estações Bebedouro e Bom Parto, a exemplo da instalação de banheiros, placas de sinalização e cobertura nos pontos de baldeação, restauração de calçadas e muros. A Braskem seguirá dialogando com a CBTU para a definição de novas ações que garantam a redução no tempo de transbordo e outras melhorias”, informou.

Projeto quer VLT passando por três shoppings da capital

 

Conforme adiantou a Tribuna Independente em agosto, o projeto defendido pela CBTU orçado em R$ 2 bilhões prevê a construção de uma linha férrea saindo de Rio Largo e passando pela Via Expressa.

Segundo o presidente do Sindicato dos Ferroviários de Alagoas (Sinfeal), Ademar Passos explica que a proposta é que o VLT passe por três shoppings da capital.

“A proposta inicial foi de R$ 2 bilhões para a Braskem realizar uma nova linha férrea de Rio Largo a Maceió, passando pela Menino Marcelo. A Braskem não aceitou e fez uma contra proposta, mas não tivemos acesso. Só sabemos que foi bem aquém do esperado e utilizando a linha férrea que já existe entre Lourenço e Fernão Velho, fazendo um deslocamento pela Fernandes Lima, e sabemos que isso não dá certo, [e inferior e não chega ao objetivo que é transportar pessoas, dar mobilidade à cidade. A compensação que a CBTU buscava era uma nova linha férrea que resolvesse o problema criado pela Braskem. Ela fechou uma avenida, que não passa mais pedestre, ciclista, ônibus, usuário de trem e o que ela fez para compensar a mobilidade? Nada? Precisa passar o transporte onde a população está”, argumentou.

Fonte: Tribuna independente / Evellyn Pimentel

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