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Samu: cresce número de atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito

Foram 3.756 ocorrências de colisões de trânsito atendidas pelo serviço no primeiro semestre de 2021 contra 2.039 em 2020

Por Ana Paula Omena com Tribuna Independente 11/11/2021 07h56
Samu: cresce número de atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito
Reprodução - Foto: Assessoria
O número de atendimentos envolvendo acidentes de trânsito cresceu no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192) em Alagoas. No primeiro semestre deste ano foram 3.756 contra 2.039 em 2020. Os traumas estão entre as ocorrências mais frequentes dos socorristas. De acordo com Adriano Belo, médico do Samu Alagoas, tanto as sequelas quanto as consequências de um acidente de trânsito dependem muito da gravidade, que incluem velocidade, tipo de vítimas (criança, idoso), se faziam uso de cinto de segurança, entre outros. “Mas, de um modo geral, as fraturas são as mais comuns, que vão das leves às expostas, bem como os TCEs (Traumatismos cranioencefálicos), sobretudo aqueles que envolvem acidentes de moto, que são de longe os mais frequentes”, destacou. “A maioria das vítimas atendidas pelo Samu é pelo Suporte Básico que estão lúcidas e orientadas com fraturas não complexas, boa parte atendidas pelas UPAs [Unidades de Pronto Atendimento]”, avaliou. Também no Hospital Geral do Estado (HGE), o acidente de trânsito em todas as suas modalidades é a causa mais comum de atendimento nas emergências traumáticas e os traumas mais comuns são os ortopédicos, que atingem a faixa etária de 15 aos 35 anos, e podem trazer sequelas permanentes ou temporárias, onde as mais comuns são neurológicas e do aparelho locomotor. “As vítimas de acidentes motociclísticos são as mais prevalentes e com traumas de membros desde escoriações até fraturas expostas. Dependendo da gravidade do trauma temos lesões reversíveis e irreversíveis, sequelas permanentes ou não. São inúmeros atendimentos, principalmente em acidentes com motocicletas”, ressaltou o cirurgião-geral do HGE, Álvaro Bulhões. Para o médico, a pior consequência de um acidente é todo o sofrimento gerado ao paciente e aos familiares. “São dores físicas, incertezas relacionadas às sequelas, afastamento do trabalho, oneração para a Previdência Social e risco até de responder a processo judicial”, alerta o médico. “São dores de cabeça que poderiam ser extintas com práticas simples, como respeito aos limites de velocidade, atenção às normas do trânsito, cuidado em cruzamentos, desuso do celular na direção, não ingestão de bebidas alcoólicas e outras drogas, uso dos equipamentos de proteção e calma durante a condução”, reforçou Bulhões. Para o especialista, infelizmente ainda falta muita consciência nas pessoas para a prevenção de acidentes, e os jovens continuam sendo a parcela mais inconsequente no trânsito. “Uso de celular durante a direção, consumo de bebidas alcoólicas antes de dirigir, desatenção nas vias, não utilização de equipamentos de proteção, velocidade acima da permitida, excesso de passageiros e outros desrespeitos às normas do trânsito. Todas são posturas evitáveis, mas que resultam no aumento de pacientes nos hospitais, tudo o que não queremos, principalmente agora”, reforçou. O HGE notificou 5.854 atendimentos a pessoas vítimas de acidentes de trânsito de janeiro a outubro de 2020 contra 5.055 no mesmo período deste ano. Os acidentes de moto são a maioria dos atendimentos em ambos os anos. Orientação é ligar para o 192 de imediato ao presenciar colisões   De acordo com Adriano Belo, médico do Samu Alagoas, ao presenciar um acidente, é necessário ligar imediatamente para o Samu, através do número 192, para receber as informações adequadas. “A orientação é sempre manter as vítimas na mesma posição enquanto aguarda o resgate. Como nem todo mundo tem conhecimento técnico para os procedimentos médicos, remover o acidentado pode ser muito prejudicial, levando a sequelas, muitas vezes irreversíveis e, até a óbito”, explicou. Outro ponto colocado diz respeito à ligação para socorro móvel, segundo o médico, é fundamental que este contato parta de alguém que esteja no local do acidente e não de quem só esteja passando pelo local, já que há informações a serem repassadas para o modulador do Samu que carecem da presença de uma pessoa próxima à vítima. “Bem como para também não gerar múltiplas fichas, o que faz com que libere mais de uma viatura para o mesmo local do solicitante. A pessoa tem que estar próxima para poder passar informações importantes e também se proteger para que não se transformem em vítima. Ligar também para os órgãos de trânsito para garantir mais segurança no local”, ressaltou Adriano Belo. De acordo com o médico, apenas deve-se retirar a vítima do local em caso de incêndio ou dentro d’água, por exemplo, numa valeta. Trânsito está entre as principais causas de morte, principalmente entre jovens   Antônio Monteiro, sub chefe de engenharia do Departamento de Trânsito de Alagoas (Detran/AL), explicou que o trânsito está entre as principais causas de morte, principalmente entre jovens de até 29 anos. Por ano, são cerca de 20 mil pessoas sendo atendidas nos hospitais em decorrência de: imprudência, imperícia e desrespeito à legislação. “No caso das regiões norte e nordeste por conta do uso da moto como trabalho precário, sem qualquer respeito às regras de legislação, sobretudo na utilização da moto sem qualquer preparação, a maioria só procura a formação para tirar a habilitação e não para aprender. Há muitos inabilitados, além do consumo de álcool que é forte”, disse. Monteiro salientou que com a criação da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) com mais poderes e estrutura para alavancar em projetos definiu diversas regras e objetivos promovendo mudanças no código, no processo de fiscalização, no papel da SMTT e dos conselhos estaduais, entre outros. MUNICIPALIZAÇÃO Antônio Monteiro faz um alerta quando aponta que em Alagoas, apenas 17 municípios são integrados ao Sistema Nacional que possibilita redução de acidentes automobilísticos e consequentemente desafogar os hospitais. A chamada municipalização do trânsito está prevista no Código de Trânsito Brasileiro, vigente desde 1998. “As prefeituras são as responsáveis pelo planejamento, fiscalização e ordenamento do trânsito, inclusive na última segunda-feira (8) foi publicada a cidade de Campo Alegre, que com a integração do sistema, conseguiu reduzir em 71% o número de mortes, então mostra que a municipalização funciona. A penúltima foi São Sebastião que também registrou queda de 78% no número de óbitos”, afirmou. SEGURO DPVAT Mais conhecido apenas como DPVAT, o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre é uma ferramenta nacional de caráter social, que indeniza vítimas de acidentes de trânsito, sejam elas motoristas, passageiros ou pedestres, inclusive estrangeiros. Para receber este benefício, que pode chegar até R$ 13 mil, é necessário encaminhar para a seguradora, entre as documentações, a Certidão de Socorro, entregue pelo Samu, caso o atendimento móvel de urgência tenha sido acionado. Para solicitar esta certidão é necessário, primeiro, ligar para o número 3315-1179, para que seja identificado, a depender do município onde ocorreu o acidente, onde estão arquivadas as fichas médicas do atendimento, se na Central Maceió ou Arapiraca. Só então é que um parente de primeiro grau ou a própria vítima deve se dirigir à central correspondente, de acordo com a cidade da ocorrência, com um documento de identificação com foto da vítima – e do solicitante, caso seja um parente – para solicitar a certidão, que é entregue em até cinco dias úteis. SAMU O Samu Alagoas funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e pode ser acionado através de ligação gratuita pelo número 192. Além de atender vítimas de acidentes de trânsito, o serviço atua em ocorrências com vítimas de quedas da própria altura, ferimentos por arma branca e por arma de fogo, quedas de altura, afogamentos e queimaduras. O serviço também pode ser acionado para atender casos obstétricos, casos de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), casos suspeitos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e Covid-19 com quadros suspeitos ou confirmados. Por meio do telefone 192 também é possível solicitar assistência para pacientes em surto psiquiátrico. (com assessoria)