Cidades

31 de julho de 2021 08:34

Doença da urina preta afeta duas pessoas

Vítimas foram internadas, mas uma delas recebeu alta; elas teriam consumido peixe durante um almoço em Marechal Deodoro

↑ Toxina afeta mais espécies de peixes como atarabaiana, badejo, pacu-manteiga, pirapitinga e tambaqui (Foto: Edilson Omena)

Nesta semana, duas pessoas deram entrada em um hospital de Maceió com suspeita de terem contraído a Síndrome de Haff, conhecida também como doença da urina preta. Elas teriam consumido peixe durante um almoço em Marechal Deodoro, na região metropolitana da capital alagoana. Um dos pacientes foi o educador físico Amaro Júnior, que já recebeu alta hospitalar, e a outra paciente é uma mulher ainda não identificada que permanece internada.

A Prefeitura de Marechal Deodoro e a Secretaria de Estado da Saúde emitiram notas sobre o caso. Segundo pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a doença da urina preta é uma contaminação por bactéria geralmente transmitida através do consumo de uma toxina da carne do peixe.

A doença é caracterizada pela destruição das proteínas musculares, provocando sintomas como a perda da força física, dores musculares, febre e urina escura. Segundo os pesquisadores da PUC-Rio, evidências científicas mostram que existem alguns peixes que favorecem o desenvolvimento da doença, como é o caso do arabaiana, badejo, pacu-manteiga, pirapitinga e tambaqui. A toxina causadora da doença, de acordo com infectologistas, é proveniente de alguns tipos de algas marinhas que são consumidas pelos peixes.

Sintomas no mesmo dia

Em entrevista à TV Pajuçara, Amaro Júnior – morador de Atalaia – relatou que foi ao povoado de Massagueira, em Marechal Deodoro, no dia 20 de julho passado, em companhia da esposa e das duas filhas. No restaurante, escolheram o peixe da espécie dourado. “Evitamos o peixe arabaiana devido ao que teve com uma mulher em Recife”, afirmou Amaro, referindo-se ao falecimento da veterinária Priscyla Andrade, de 31 anos, em março deste ano, devido à doença.

Após o almoço em Marechal, o educador físico disse que ainda jogou futebol à noite, porém por volta das 23h30 começou a sentir dores na região cervical e nos ombros. Foi a um hospital em Maceió e, quando chegou na unidade de saúde, já estava sentindo dores agudas abdominais e precisou ser medicado com morfina.

“Como não tinha caso no estado referente a isso, eles não trataram no início como Síndrome de Haff. Eles me trataram como musculatura fadigada. Quando coletaram a primeira urina, ela saiu bem escura mesmo, preta. Depois de dois dias, o tratamento foi à base de soro, muita hidratação, que é o tratamento correto. E nesses dias, houve entradas no hospital com os mesmos sintomas que eu tive, e com pessoas que comeram o mesmo peixe, no mesmo local”, relatou o educador físico.

Interdição

Em nota, a Gerência do Laboratório Central de Alagoas (Lacen/AL) informou que recebeu as amostras do pescado coletadas pela Vigilância Sanitária de Marechal Deodoro e que está em processo de análise. Ressaltou, entretanto, que não há um prazo determinado para conclusão, uma vez que o processo requer minucioso estudo para comprovar ou descartar a presença da toxina proveniente de algas marinhas no pescado analisado. A Vigilância Sanitária em Marechal Deodoro informou que realizou a interdição cautelar de, em média, 32 kg de peixes.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Rívison Batista

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