Cidades

13 de junho de 2021 15:54

Estudante da Ufal produz filme sobre o afundamento de cinco bairros de Maceió

↑ Pinheiro (Foto: Edilson Omena)

Um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Comunicação, habilitação em Jornalismo, chamou a atenção da comunidade acadêmica pela profundidade e delicadeza com que foi tratado um tema tão doloroso para milhares de famílias em Maceió. O Sal de nossas lágrimas trata do afundamento de cinco bairros de Maceió, obrigando mais de 50 mil pessoas a saírem de suas casas, a partir de 2020, em plena pandemia de covid-19. A tragédia começou em 2018, quando moradores denunciaram rachaduras nas casas do bairro do Pinheiro.

Desde o início, pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) se envolveram nas investigações e formaram um Grupo de Trabalho para avaliar as causas do fenômeno geológico. A participação desses cientistas foi fundamental para comprovar a relação do afundamento, que já atinge cinco bairros, com a mineração promovida pela empresa Braskem, durante décadas, no subsolo da cidade. As conclusões científicas foram fundamentais para as ações judiciais contra a empresa e a mediação do Ministério Público Federal (MPF) nos acordos de reparação.

Este crime socioambiental já foi retratado e narrado de várias formas, em reportagens, artigos científicos, ensaios jurídicos e documentários. A opção do estudante de Jornalismo, Francisco Buarque de Lira Neto foi registrar o silêncio, o vazio, a dor… Com pouca narração, as imagens dos bairros abandonados falam mais do que as palavras sobre a triste realidade. O sal das lágrimas foi causado pela extração do sal-gema, um mineral utilizado como matéria-prima por várias indústrias, entre elas a de papel e celulose e produtos de higiene.

O vídeo foi publicado no Youtube no dia da apresentação do TCC, em 31 de maio deste ano. Chico Buarque realizou uma vaquinha virtual para arcar com os custos da produção e mais de 50 pessoas contribuíram. O trabalho foi orientado pela professora Raquel do Monte. “Eu retratei uma tragédia que também é pessoal. Sou morador do Pinheiro desde os 14 anos. Por enquanto, minha casa ainda não está na área de risco. Mas os meus vizinhos de ruas próximas tiveram que se mudar. É uma tensão constante. Esse drama atinge a todos nós”, ressaltou o estudante.

O trabalho recebeu nota máxima da banca examinadora. O vídeo com pouco mais de 19 minutos de duração, conta com imagens aéreas produzidas com drone e muitos planos, registrando detalhes das casas, dos muros, das ruas vazias e dos poucos estabelecimentos que ainda resistem. O título do trabalho foi inspirado em uma das inscrições registradas pelos moradores nas residências abandonadas. As imagens são de Chico Buarque, Dayvson Oliveira e Juan Nascimento. As aéreas são de Beatriz Vilela e Jonathan Lins. No final do vídeo, uma poesia de Caio Corrêa é interpretada por Larine Gurgel.

Assista ao filme clicando aqui

Fonte: Ascom Ufal

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