Cidades

11 de junho de 2021 10:12

Aumento de custo na construção civil chega a 30% em AL

Crescente elevação nos preços de insumos tem impactado no valor final dos imóveis no Estado, aponta Sinduscon

↑ De acordo com o Sinduscon, valor dos imóveis deve sofrer acréscimos na mesma proporção dos insumos (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil/arquivo)

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que o aumento nos custos da construção civil chega a 20% em Alagoas. Entretanto, segundo levantamento do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Alagoas (Sinduscon/AL), na prática os aumentos chegam a 30%.

“Temos levantamento interno que mostra esse aumento entre agosto do ano passado e abril deste ano. É uma coisa doida, são nove meses de diferença. Imagine um imóvel que custava R$ 200 mil, hoje custa R$ 260 mil. A maior tristeza é que esse aumento também vai para o consumidor. Como se permite chegar numa situação dessas tendo instrumentos no país que impeçam isso? Porque esses produtos são em dólar, mas quando o dólar baixa o preço permanece alto. Não conseguimos entender como a economia no país vem funcionando”, afirma Alfredo Breda, presidente do Sinduscon.

O estudo do IBGE leva em consideração o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi). Em relação a maio o índice subiu 1,8% em Alagoas o que segundo o órgão federal representa uma desaceleração de 0,36 ponto percentual em relação a abril (2,16%). Entretanto no acumulado dos últimos 12 meses, a taxa é de 20,82%. Já entre janeiro a maio ficou em 10,45%.

“O custo da construção por metro quadrado em Alagoas, que no mês de abril havia fechado em R$ 1.253,77, passou para R$ 1.276,38 em maio, sendo R$ 793,62 relativos aos materiais e R$ 482,76 à mão de obra. A parcela dos materiais apresentou variação de 2,93% em maio, registrando queda de 0,63 ponto percentual em relação ao mês anterior (3,56%). Considerando o índice de maio de 2020 (0,67), houve aumento de 2,26 pontos percentuais”, aponta a pesquisa.

De acordo com Alfredo Breda, a pressão nos custos tem desencadeado um processo de elevação também no valor final dos imóveis. Ou seja, os imóveis devem sofrer acréscimos na mesma proporção que os preços dos insumos.

“É uma das coisas mais tristes para dizer. A gente vinha tendo aumentos de preços e imaginava que eles iriam atingir estabilidade até fevereiro. Mas aconteceu o contrário, os preços aumentaram ainda mais. As empresas que monopolizam o mercado das commodities como aço, cobre, PVC, cimento, elas puxam os preços para cima e uma coisa puxa a outra. Consequentemente, agora em maio, no acordo coletivo tivemos que dar 7,5% ao trabalhador, antes era 2, 5, 3% e tudo isso vai impactar nos nossos custos. “Tentamos segurar preço até fevereiro, mas de março em diante as construtoras começaram a aumentar preço, não temos saída. Temos que aumentar preço para entregar obra é muito difícil”, afirma.

Sinapi
Resultado do país indica uma alta recorde

sofrendo com a alta generalizada dos preços de insumos para a construção civil. Na análise do gerente do Sinapi, Augusto Oliveira, o resultado do país indica um recorde.

“Houve alta generalizada nos preços dos materiais em todo o país, sobretudo na Bahia, que teve a maior alta, 4,94%. Os materiais também apresentam o maior índice acumulado dos últimos 12 meses de toda a série histórica, 31,58%.

Dentre eles, aqueles que têm aço como matéria prima de produção continuaram com forte influência, já evidenciada em meses anteriores. Estamos trocando meses com variações baixas no ano passado por variações altas em 2021”, destaca.

Para o presidente do Sinduscon é preciso que sejam adotadas medidas econômicas profundas que aumentem a competitividade, reduzam impostos e auxiliem o setor a crescer.

“A nossa vantagem é que temos um estado com a economia equilibrada. Isso a gente tem que tirar o chapéu para o governo porque tem uma economia estadual bem equilibrada, fazendo obras importantes pra o setor. Contudo essas obras vão precisar ser reajustadas para que possam ser concluídas. Já pensou que confusão? O governo do estado não tem culpa, as construtoras não têm culpa, a culpa é dos aumentos abusivos de preços, os aumentos exagerados.

Você tire pelo lucro das siderúrgicas, que vem tendo os maiores lucros da história nos últimos meses. Como somos um país de economia aberta não existe a possibilidade de controlar preços, mas é possível tirar tarifas de importação para o setor da construção e abre para melhor concorrência e força a baixar os preços. Além disso, o próprio Ministério da Economia pode chamar as indústrias e mediar uma solução tendo em vista que a construção civil é um dos setores que mais emprega e que menos demitiu na pandemia”, avalia.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Evellyn Pimentel

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