Cidades

12 de maio de 2021 08:40

Estudantes de cursos da saúde ‘furam fila’ da vacina em Maceió

Sinpro protocola denúncia junto ao MP; Prefeitura diz que vai endurecer regras para aplicação do imunizante para grupo

↑ Universitários da área de Saúde estariam fraudando contrato de estágio para ter direito à vacinação contra covid-19 (Foto: Edilson Omena)

Estudantes de cursos da área da saúde estariam fraudando contratos de estágio para ter direito à vacinação contra Covid-19 em Maceió. A denúncia é do Sindicato dos Professores de Alagoas (Sinpro/AL) que afirma ainda ter acionado o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) para apurar as responsabilidades. A entidade quer saber o impacto disso para a vacinação dos grupos prioritários, a exemplo dos professores.

“Muitos estudantes do 1º período de cursos das áreas de saúde, principalmente Medicina, estão sendo vacinados sem nenhum critério, assim que entraram na faculdade, sem contato nenhum com o público ou estágio. Levando apenas uma declaração e estudando remotamente enquanto várias categorias, vários grupos prioritários sendo esquecidos, como é o caso dos profissionais da Educação, que só depois de muita pressão é que foi colocado para começar de 55 a 59 anos, enquanto estudantes de Medicina estão se vacinando a partir dos 18. Tem denúncias de estudantes fraudando documentos de estágio para serem vacinados e tudo isso já foi encaminhando ao MP”, conta o presidente do Sinpro Eduardo Vasconcelos.

Desde março, a Prefeitura de Maceió anunciou que acadêmicos das áreas de saúde com vínculos de estágio em unidades de saúde e hospitais seriam imunizados. Mas, de acordo com Eduardo Vasconcelos, não estava ocorrendo fiscalização por parte do poder público em relação aos critérios para a aplicação.

“O município é responsável pela execução do Plano Nacional de Imunização. Tanto é que essa semana fizeram uma reunião com os representantes das universidades para tentar barrar isso. Barrar depois desse tempo todinho? Queremos saber quem foi o responsável por aceitar esses estudantes, quantas vacinas foram distribuídas de forma fraudulenta e queremos saber o quanto isso atrasou o processo de imunização, principalmente dos grupos prioritários, da nossa categoria. Estamos com provas, meninos recém-aprovados no vestibular tirando onda nas redes sociais, enquanto professores estão atuando desde janeiro, adoecendo, sendo internados sem ter sua prioridade garantida”, expõe.

Nesta terça-feira (11), a Prefeitura de Maceió divulgou uma nova exigência para a aplicação de vacina para estudantes dos cursos de saúde, o Termo Compromisso de Estágio (TCE). No entanto, não há informações da Secretaria de Saúde sobre quantos estudantes receberam a vacina de maneira indevida. O órgão se limitou a dizer que a mudança ocorreu após “desencontros registrados no fim de semana”

“Estudantes e acadêmicos em estágio na área de saúde precisarão apresentar, a partir desta terça-feira (11), o Termo de Compromisso de Estágio (TCE) para poder se vacinar contra a Covid-19. Para garantir que será imunizado em um dos oito pontos do Município, o aluno precisa levar original e cópia do TCE, que ficará retida para fins de comprovação. Também é necessário levar documento com foto e CPF. O alinhamento da documentação foi pactuado entre a Secretária Municipal de Saúde (SMS) e representantes das universidades Ufal, Estácio, Raimundo Marinho, Uncisal, Unit, UMJ e Cesmac, em conformidade com a Lei 11/78808. A substituição das declarações pelo TCE na lista de documentação exigida para o grupo de estudantes foi necessária em virtude de desencontros que ocorreram nos pontos de vacinação da Capital durante o último fim de semana”, disse a Secretaria.

Para Sinpro, é preciso apurar responsabilidade dos envolvidos

 

Na avaliação do presidente do Sinpro é preciso apurar a responsabilidade dos envolvidos e identificar quais grupos prioritários foram prejudicados com a aplicação de vacinas em pessoas fora do Plano Nacional de Imunização, definido pelo Ministério da Saúde. Cabe ressaltar, que segundo o MS tem prioridade na vacinação: pessoas com mais de 60 anos de idade, trabalhadores da saúde,  povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, portadores de comorbidades, gestantes e puérperas; pessoas com deficiência permanente; pessoas em situação de rua; população privada de liberdade; funcionários do Sistema de Privação de Liberdade (sistema prisional), trabalhadores da Educação do Ensino Básico (creche, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes e Educação de Jovens e Adultos – EJA).

“A gente recebeu as denúncias porque vários professores tomaram conhecimento e começaram a contestar. Entramos em contato com o Ministério Público e estamos aguardando. O que nos causa estranheza é o secretário municipal Pedro Madeiro dizer a um veículo de comunicação como se não soubesse, mas como não está dentro do Plano Nacional de Imunização e esses estudantes foram vacinados? Principalmente passando na frente de grupos prioritários e isso tudo acontecendo com conivência da Prefeitura. Como esses alunos estavam sendo vacinados? Em que período? Quando vai ser aplicada a segunda dose e quem dos grupos prioritários vai bancar isso? Quem vai se responsabilizar por isso? É isso que a gente quer saber. Isso é um absurdo, é um escândalo”, questiona o educador. O Ministério Público Estadual foi procurado para comentar o caso, mas até o fechamento desta edição não houve retorno se o órgão recebeu as denúncias.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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