Cidades

9 de maio de 2021 16:15

Atendimento a animais abandonados por conta da mineração é tema de programa

A entrevista é com o professor de Medicina Veterinária da Ufal, Pierre Barnabé

↑ Ilustração (Foto: StockSnap/Creative Commons)

Os efeitos do afundamento dos bairros de Maceió atingidos pela mineração de sal-gema atingem várias áreas, que vão da economia à saúde pública. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) tem buscado contribuir com conhecimento técnico-científico para resolução ou mitigação desses impactos sobre a vida dos maceioenses.

Mas existe uma população que não se tornou invisível graças à sensibilidade e dedicação de muitas pessoas: são os animais domésticos que não foram levados por seus donos na mudança e ficaram abandonados nas ruas vazias dos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. E é sobre o trabalho com esses animais o foco da entrevista com o professor Pierre Barnabé no Programa Ufal e Sociedade, pela Rádio Ufal, na segunda (10), às 11h30, com reprises às 17h e às 23h, durante a semana.

O professor de Medicina Veterinária, Pierre Barnabé, lidera um convênio firmado entre a Ufal e a Braskem para dar assistência a esses gatos e cachorros. O trabalho foi iniciado em agosto de 2020 e conta com mais 13 profissionais, entre médicos veterinários, bolsistas de iniciação científica e estagiários de Medicina Veterinária.

Quando o convênio foi firmado e a Ufal passou a atuar, muitas localidades já estavam evacuadas há mais de um ano, já que o realocamento realizado pela Braskem começou em 2019. “Quando iniciamos o trabalho, encontramos cerca de quatro a cinco mil gatos soltos pelas ruas. Foi uma dificuldade imensa para conduzir esses animais ao tratamento”, relatou Pierre Barnabé.

A equipe passou a atuar em três frentes: educação da comunidade, suporte aos tutores e apoio aos animais errantes. “Na educação, nós buscamos conscientizar às famílias durante a mudança, indo na casa dessas pessoas para saber quantos animais elas têm e que apoio precisam para não abandoná-los. Muitos animais estavam sem vacinação antirrábica, porque os bairros não tinham mais ponto de vacinação”, contou o professor.

O acompanhamento das mudanças, para os cuidados com os animais começou em outubro de 2020. “Vamos apresentar alguns resultados em uma conferência internacional de Medicina Veterinária, mas para ter uma ideia, após o início desse trabalho, o índice de fugas ou abandono de animais, durante esse realocamento das famílias, caiu de 43,2% para 6,6%”, detalhou Pierre.

Segundo o professor, os animais abandonados são principalmente os gatos. “Ou porque as pessoas não quiseram mesmo levá-los, ou porque eles fogem durante a mudança, ou porque existe uma cultura segundo a qual os gatos se apegam ao local e não aos donos. Então, é preciso vacinar e cuidar dos animais e dar apoio aos tutores”, explicou o docente.

Em seis meses, a Ufal realizou 12 campanhas de vacinação, sendo cinco para gatos, cinco para cachorros e duas para equinos. “O grande problema é que não temos um abrigo para tantos animais, então o que podemos fazer é resgatá-los, cuidar deles, vacinar, castrar e devolver ao local onde foram encontrados, mantendo o monitoramento. Não é fácil, estamos tentando fazer o melhor que podemos nesse suporte”, ressaltou Pierre.

Para saber mais sobre esse trabalho, ouça também a qualquer momento o podcast do programa Ufal e Sociedade a partir de segunda-feira, 10 de maio.

Fonte: Ascom Ufal

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