Cidades

29 de abril de 2021 08:36

Cemitério Santo Antônio é alvo de descaso e vandalismo

Moradores e ex-moradores de Bebedouro denunciam situação de abandono em um dos mais antigos cemitérios da capital

↑ Cemitério está abandonado e tem sido alvo da ação de vândalos, que não poupam nem lápides e restos mortais (Foto: Edilson Omena)

Abandono, descaso e vandalismo. É o que tem ocorrido com o Cemitério Santo Antônio no bairro de Bebedouro, em Maceió. O local tem sido alvo da ação de vândalos, nem as lápides e restos mortais escaparam. Moradores do bairro denunciaram a situação à reportagem da Tribuna Independente e cobram do poder público ações efetivas para a proteção do local, interditado desde o ano passado devido ao afundamento de solo.

Ex-moradora do bairro de Bebedouro, Neirevane Nunes afirma que a situação é caótica. “É um descaso total com a população. Desde o ano passado que o Cemitério Santo Antônio de Bebedouro foi interditado, já estava superlotado e ainda entrou no Mapa de risco da Braskem. Há moradores passando pelo constrangimento de não poder sepultar seus mortos no Cemitério de Bebedouro onde possui jazigo. A Prefeitura é responsável pela manutenção dos cemitérios, por isso essa situação de abandono é gravíssima. Ele deve ser preservado em respeito a memória dos que estão ali sepultados e em respeito aos familiares. O cemitério está em completo abandono sujeito a ação de vândalos, sem nenhuma segurança”, detalha.

Um vídeo tem circulado nas redes sociais com a denúncia de um morador apresentando os problemas que vêm sendo registrados no cemitério. Além de muita sujeira e mato, há registro de arrombamento no local, a preocupação é que com a falta de ações, o problema se agrave e comprometa jazigos e restos mortais.

O presidente da Associação de Moradores do Bebedouro, Augusto Cícero questiona o que será feito com os restos mortais sepultados no local. Augusto afirma que o poder público está ciente do caso e providências já foram cobradas, no entanto não há retorno.

“A realidade é essa o cemitério de Bebedouro está numa situação difícil, abandonado. Já foi procurada a secretaria responsável para ver uma solução, mas até agora não foi resolvido nada, se vai haver remoção de restos mortais, se vai haver indenização, se cabe ou não. Até o momento o poder público não resolveu nada em relação ao cemitério”, afirma o líder comunitário Augusto Cícero.

Neirevane também diz que reuniões entre moradores e a Prefeitura aconteceram no sentido de cobrar respostas. “Na última reunião que nós lideranças tivermos com o GGI dos bairros, o coordenador nos informou que iria ser feito um estudo da Prefeitura com a Braskem pra definir um novo local pra o cemitério e seria estudada a possível Indenização dos moradores que possuem jazigo no cemitério. Essa reunião ocorreu em fevereiro deste ano e até agora nada de concreto”, detalha a ex-moradora.

O também morador Mauro Guedes conta que tem parentes sepultados no local e se preocupa com o futuro do cemitério.

“Tenho familiares, primos, tios, família sepultados e isso é uma falta de respeito com os familiares. É preciso que a Prefeitura venha ao local, tome providências. Inclusive o portão foi arrombado, o matagal tomando conta, é muito grave. É preciso que alguém faça algo”, reclama.

Moradores articulam protesto para cobrar ações para a região

 

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Maceió informou que está ciente do caso, mas não especificou quais providências serão tomadas.

“A Prefeitura de Maceió informa que já está ciente da situação do Cemitério Santo Antônio, que fica no bairro Bebedouro. Amanhã [hoje, 29] vai haver uma reunião entre Braskem e Gabinete de Gestão Integrada para a Adoção de Medidas de Enfrentamento aos Impactos do Afundamento dos Bairros (GGI Bairros), para tratar da vigilância e limpeza do cemitério, que deverá começar imediatamente”, informou.

PROTESTO

Ainda de acordo com as lideranças do bairro de Bebedouro, um protesto vem sendo articulado para hoje (29) para cobrar ações para a região. Eles reclamam que  Vila Saem e Flexal têm ficado “ilhados”.

“Os moradores estão numa luta muito grande para que áreas isoladas sejam incluídas na realocação. A comunidade do Flexal, parte dela não entrou. O Flexal de Baixo entrou toda, o Flexal de cima só uma parte. Queremos a inclusão de todas essas áreas, da Rua Marquês de Abrantes, que foi toda isolada, sem acesso a serviços públicos, todo o comércio foi retirado, postos de saúde, escolas. Eles estão em situação de vulnerabilidade social. São episódio de violência, de assaltos. E uma comunidade isolada em meio a destruição e desassistida de tudo”, diz Neirevane Nunes.

 

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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