Cidades

10 de abril de 2021 09:52

Doações em baixa e fome durante a pandemia; confira como ajudar

Instituições sociais sofrem com baixa na arrecadação em Alagoas

↑ Projeto da Cozinha Solidária traz refeições gratuitas nas periferias e é uma extensão do MTST (Foto: Divulgação)

A pandemia do novo coronavírus já fez milhares de vítimas no Brasil. Com o agravamento da crise sanitária no país, também piorou a condição de vida dos vulneráveis com o aumento do desemprego e no preço dos alimentos.

No entanto, uma rede de solidariedade está de pronto trabalhando incansavelmente para minimizar os danos causados pela Covid-19. Em Alagoas, as instituições sociais são fundamentais para a população e, por conta disso, algumas delas não podem parar neste momento de crise.

Muitas entidades que trabalham proporcionando a alimentação de famílias e pessoas em situação de rua estão com dificuldades de arrecadação em decorrência da baixa de doações, a Central Única das Favelas (Cufa) é uma delas.

De acordo com a coordenadora de comunicação da Cufa em Alagoas, Keka Rabelo, a captação dos alimentos ainda está sendo feita pouco a pouco e os que chegam são distribuídos individualmente por cada uma das centrais no estado. “Nós temos as bases, mas a quantidade e cestas básicas ainda estão sendo captadas com as marcas que são poucas até o momento”, frisou.

Para Maria da Conceição Silva, que tem quatro filhos maiores de idade e o esposo desempregado, fazer pelo menos uma refeição reforçada é um alento em meio à situação atual. “A gente sai nas ruas catando reciclado fazendo o que pode para sobreviver, mas é difícil se sustentar sem a ajuda dos outros, contamos com a solidariedade e apoio das pessoas”, disse ela, que mora atualmente em uma ocupação na parte alta de Maceió.

A coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) em Alagoas, Eliane Silva, diz que o projeto Cozinha Solidária, veio em boa hora, tendo em vista que a procura nas ocupações tem crescido diante do desemprego. “Tem muita gente passando fome, perderam emprego, ficaram sem renda por conta das medidas de restrição, então quem não pode pagar aluguel tem nos procurado para se abrigar”, revelou.

“Na ocupação ao lado do Terminal do Village 2, a Cozinha Solidária fornece três refeições para os mais carentes, é aberto a qualquer pessoa, os preparos são feitos no fogão a lenha, já que o gás está caro”, afirmou Eliane.

Juliana Fazio, coordenadora da Cufa Ipioca, disse que as doações acontecem à medida que os alimentos vão chegando, “ainda estamos aguardando para distribuir, no caso cada coordenador da Cufa entrega o que consegue arrecadar, mas dá nacional ainda estamos aguardando o material para fazer as doações nas favelas”, contou.

Restaurante Popular serve 800 refeições em “pague e leve” por R$ 3

O Restaurante Popular no Centro de Maceió, localizado na Rua Barão de Alagoas, também é uma opção de alimentação na parte baixa, onde qualquer pessoa pode fazer a refeição. O valor foi reduzido em 2019, bem antes da pandemia, ao custo de R$ 3. O almoço, agora é em sistema pague e leve, das 10h30 às 13h, onde estão sendo vendidas diariamente 800 refeições.

É mantido por meio de um convênio entre a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) e a empresa Maria de Jesus Cerqueira e CIA Ltda, que é a administradora do local.

COZINHA SOLIDÁRIA

A Cozinha Solidária, recém-inaugurada em Maceió, traz refeições gratuitas e afeto as periferias e é uma extensão da Campanha de Solidariedade do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), criada nas primeiras semanas da pandemia em vários estados e que distribui cestas básicas nos territórios onde o movimento atua. Agora, as cozinhas oferecem marmitas com comida pronta e saudável.

Uma dessas cozinhas está localizada no Conjunto Paulo Bandeira, na parte alta de Maceió, por lá são distribuídas cerca de 100 marmitas para quem tem fome. As doações são entregues no local, que fica na Quadra 2, SN, no Benedito Bentes.

Já na ocupação do MTST ao lado do Terminal do Village 2, também na parte alta da capital, são entregues três refeições por dia aos mais necessitados.

Doações

Por estarem atuando em um momento delicado, as organizações sociais necessitam ainda mais da ajuda e solidariedade da população, seja através de doações ou do serviço de voluntariado.

Entre as entidades que não fecharam suas portas estão a Associação Espírita Nosso Lar, o Instituto Estrela de Jesus, a Creche Escola Jesus de Nazaré, a Associação Santa Lúcia, o Lar da Menina, o Lar Batista Marcolina Magalhães, a Casa de Ranquines, o Lar Francisco de Assis, a Casa Luiza de Marilac e o Abrigo São Vicente de Paula.

A associação Quebrando Correntes em Piranhas, a Casa de Shalom em São Miguel dos Campos, a Associação Madre Esperança em Joaquim Gomes, o Instituto Filhos de Davi em Santana do Ipanema e a Fazenda Esperança em Poço das Trincheiras são outras entidades que também estão realizando este trabalho.

As instituições que trabalham com pessoas em tratamento de câncer, como a Apala e a Rede Feminina de Combate ao Câncer, também não pararam e necessitam de doações como estas.

Estas entidades também estão cadastradas na campanha Nota Fiscal Cidadã (NFC) da Secretaria Estadual da Fazenda de Alagoas (Sefaz/AL), então quando o consumidor pede o CPF na nota e se cadastra na Nota Fiscal Cidadã, possibilita compartilhar notas fiscais com estas instituições.

Para doar, o cidadão pode entrar em contato direto com cada organização citada ou com a Sefaz/AL através do número (82) 98833-9089, que fará a mediação da entrega.

Programa Mesa Brasil atua desde 2004 no Estado

O Programa Mesa Brasil que atua desde 2004 em Alagoas, atendendo, prioritariamente, pessoas em situação de vulnerabilidade social e nutricional que são assistidas por mais de 400 instituições sociais cadastradas, além de coletar e armazenar alimentos e outros produtos adequadamente realiza a distribuição de doações tanto na capital quanto em municípios do interior.

O Banco de Alimentos do Mesa Brasil Sesc, em Maceió, para receber doações, está localizado na Rua Santo Antônio, nº 119, no bairro Levada. Na última quarta-feira (7), passaram por lá arrecadadores da Creche Escola Abelha Rainha, CESMUT e LEAL. Mais informações: 3221-9440 (Maceió) e 3521-6061(Arapiraca) ou [email protected]com.br e [email protected] .

Desde o começo da pandemia, o Mesa Brasil já doou 917.442,973 Kg de alimentos até 2020 e de janeiro a março deste ano 507.754,148 Kg. Mais de 300 instituições foram atendidas no ano passado e 265 já este ano. “As doações são realizadas por meio de parcerias e os produtos são diversificados – cestas básicas, hortifrutis, biscoitos, polpa de frutas, tubérculos/raízes, bebida láctea, carne, frango, ovos, pão, material de higiene pessoal, entre outros”, informou o Mesa Brasil Sesc por meio da assessoria de comunicação.

Em Maceió, todas as comunidades onde estão localizadas as instituições cadastradas no Programa receberam doações nesse período, a exemplo do Jacintinho, Ponta Grossa, Eustáquio Gomes, entre outras.

Interior também é contemplado

Dezenas de cidades também foram beneficiadas, como: Palmeira dos Índios, Craíbas, Teotônio Vilela, Coité do Nóia, Campo Alegre, Girau do Ponciano, Feira Grande, Maribondo, Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos, Igaci, Poço das Trincheiras, Minador do Negrão, Lagoa da Canoa, Atalaia, Murici, Colônia Leopoldina, Joaquim Gomes, Marechal Deodoro, Passo de Camaragibe, Porto Calvo, Ibateguara, Maragogi, Rio Largo, São Luiz do Quitunde, Batalha, Olho D’água das Flores, Pilar, Coruripe, Arapiraca, Capela, Dois Riachos, Delmiro Gouveia, Mata Grande. Além de São José da Tapera, Pão de Açúcar, Cacimbinhas, Água Branca, Palestina, Olivença.

A Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades) informou que o estado fará a entrega de 250 mil cestas básicas, distribuídas entre os 102 municípios do estado, a famílias em situação de extrema pobreza. Investimento de cerca de 20 milhões de reais.

A Seades acrescentou ainda que o Restaurante Popular Prato Cheio, localizado no bairro do Benedito Bentes, funciona de segunda a sexta, em dois horários: para o almoço, das 11h às 14h, e para o jantar, das 17h às 19h. São servidos 1.250 almoços e 1.000 jantares, no serviço de bandejão e quentinha, com valores de R$ 2 e R$ 2,50, respectivamente.

O Prato Cheio é custeado e mantido pelo Governo do Estado, bem como todo o equipamento de segurança alimentar e nutricional. É de responsabilidade da Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social, a coordenação estadual dos equipamentos voltados a pessoas em situação de vulnerabilidade e risco social, “mas não trabalha diretamente com o público beneficiário, e sim com os técnicos e gestores de assistência social dos municípios”, ressaltou a assessoria.

Contas disponibilizadas para doação:

Cufa – Alagoas

Instituto Quintal Cultural, Caixa Econômica Federal, Ag: 0055, Op 003, C/C: 4944-6, CNPJ: 13.085.397/0001-03, @cufabrasil @cufa.alagoas @maesdafavela, Email: [email protected], Fone: (82) 9919-8122 ou (82) 99990-0307.

Mãos que Alimentam

Caixa, agência 1557, operação 013, conta poupança 89631-8, CPF 059.863.154-21 (Karina do Nascimento Calles), 007.732.144-88 (Daisa Padilha Abs)

Movimento População de Rua

Caixa, agência 3729, operação 013, conta poupança 18633-7, contato – Rafael Machado da Silva (82) 98898-5401

Casa de Ranquines (Associação Católica São Vicente De Paulo)

Caixa, agência 0055, operação 003, conta corrente 3039-7. Banco do Brasil, agência 3179-8, conta corrente 42450-1, CNPJ 08.585.407/0001-30

Creche Escola Pró Amor

Caixa, agência 1545, operação 003, conta corrente 363-9, CNPJ 12.954.061/0001-7

Instituto Mandaver

Caixa, agência: 0810, operação 003, conta corrente 3561-9, CNPJ 30.587.116/0001-30

Grupo Gay de Maceió

Caixa, agência 1557, operação 013, conta poupança 56213-4, CPF 770.189.742-91, Messias da Silva Mendonça

Projeto Erê

Banco do Brasil, agência 13-2, conta corrente 6255-3, CNPJ 35.564.574/0001- 77

Fonte: Ana Paula Omena / Tribuna Independente

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