Cidades

8 de abril de 2021 08:14

Alagoanos registram momento da vacinação contra a covid-19

Idosos e familiares querem ver se conteúdo de seringa foi aplicado e fazem vídeos e fotos como medida de precaução

↑ Registrar tem também o objetivo de eternizar o momento que é muito aguardado por toda a população (Foto: Edilson Omena)

Depois de uma falsa aplicação de vacina contra a Covid-19 tanto os vacinados quanto seus familiares ficaram mais cautelosos durante a manipulação das doses pelos profissionais de saúde. Em Maceió, por exemplo, uma idosa de 97 anos estava em isolamento social havia dez meses e, quando foi ao ponto de vacinação, em janeiro deste ano, com sua cuidadora e o motorista, a técnica de enfermagem não injetou o conteúdo da seringa no braço da paciente. A profissional segue afastada das atividades.

Desde o início da vacinação no Brasil, em 17 de janeiro deste ano, outras denúncias surgiram de profissionais de saúde que não aplicaram as doses em cidadãos que deveriam ter recebido o imunizante. Por isso, diante das suspeitas de que enfermeiros poderiam estar simulando a aplicação das doses, sem esvaziar o conteúdo das injeções, para ficar com a vacina e obter algum tipo de benefício, muitos brasileiros e alagoanos estão mais atentos e registrando tudo.

Dona Célia Cavalcante, de 62 anos, estava no ponto de vacinação drive-thru, na Serraria, e não escondia o entusiasmo em receber a primeira dose do imunizante. Enquanto ela se preparava para receber a dose, o filho observava a manipulação pelas mãos da enfermeira.

“É importante acompanhar, já vimos casos aqui e pelo país. Então todo cuidado é pouco quando se trata de vidas”, destacou Manoel Granja.

O esposo de dona Maria de Fátima Cavalcante, Fernando Marques, já estava com o aparelho celular a postos para registrar o momento e observar cada procedimento. “Temos direito de saber como é todo o processo, cada fase desde a retirada do isopor até a finalização da aplicação no braço do idoso”, frisou.

Dona Maria de Fátima também fez perguntas para a profissional de saúde antes de ser vacinada, uma delas foi a quantidade de miligramas na ampola, sendo respondido: 5mg.

Joseane Pereira, nora de dona Maria Cícera Rocha, também registrou o momento, mas afirmou que não foi por medo da sogra deixar de ser vacinada, mas para destacar a importância do instante eternizado através do vídeo.

“Acredito nos profissionais da saúde que estão muitas vezes desgastados pela exaustão da atividade. Filmei e fotografei para ficarmos de lembrança do momento único, depois de tantas incertezas, agora a esperança após a vacina”, declarou.

“Passo a passo traz segurança para usuários e profissionais”

 

De acordo com a enfermeira Lília Moreira, o passo a passo da manipulação da vacina traz uma segurança para os usuários e profissionais da saúde para evitar alguma falha. “Estamos fazendo o possível para fazer toda a manipulação na frente do usuário para evitar dúvidas quanto ao manuseio da vacina. Antes de fazer a administração mostramos a seringa com o líquido, depois mostramos novamente vazia”, ressaltou.

“Entendemos a preocupação da população, mas também nós somos incompreendidos, temos colegas que trabalham uma semana sem ir para casa, então é cansativo, não justifica, porém a área geral tem uma rotina pesada. Mas graças a Deus está tudo tranquilo. As pessoas estão vindo educadas. Casos isolados é que há algum estresse, como os profissionais da saúde, por exemplo, que têm que trazer uma declaração de que estão atuando e muitos acabam esquecendo. E diante da negativa da gente de vacinar não gostam, mas não entendem que a gente não tem como garantir que aquela pessoa realmente seja da saúde”, explicou.

Ainda conforme a enfermeira, a vacina é nova e as pessoas estão muito assustadas, por isso a responsabilidade maior no que estão fazendo. “A vacina está sendo bem vigiada. Então, na ausência de um técnico de enfermagem, o enfermeiro assume, bem como na ausência dos assistentes administrativos. No treinamento passamos por todas as fases para que todos estejam aptos”, ressaltou Lília Moreira.

“Não existe essa de que o profissional da saúde não aplique o conteúdo da seringa para levar para casa. A vacina tem um tempo e temperatura a ser seguida. Acredito que no caso da técnica de enfermagem tenha sido um erro de administração mesmo ou desatenção, porque as pessoas querem conversar com a gente, tirar fotos e isso pode desviar a atenção, não é que a gente não queira conversa, é porque realmente um erro pode gerar consequências como a que ocorreu”, reforçou a enfermeira.

NOTA

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) esclarece que a profissional foi afastada imediatamente por não vacinar idosa e segue longe de suas atividades no órgão. O processo administrativo referente à ocorrência segue em trâmite normal e, assim que for concluído pela Comissão de Sindicância, terá seu parecer final submetido à decisão administrativa do secretário de Saúde de Maceió.

Fonte: Tribuna Independente / Ana Paula Omena

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