Cidades

25 de fevereiro de 2021 09:46

Mar avança e “palanque” é construído por estabelecimento na praia de Ipioca

Erosão teria comprometido terreno de restaurante e obra foi realizada para contenção das águas no local

↑ Estrutura do estabelecimento à beira-mar deixa área intransitável quando a maré sobe, mas projeto estaria legalizado segundo oceanógrafo (Foto: Edilson Omena)

Com o avanço do mar em mais de 40 metros em Ipioca, no Litoral Norte de Alagoas, as construções em regiões costeiras sofrem com a erosão e o avanço das águas, como é o caso de empreendimentos como o Hibiscus Beach Club, que construiu um “palanque” sobre a areia da praia para acomodar mesas e cadeiras. A obra, no entanto, restringe o trânsito de banhistas e pescadores, principalmente quando a maré está alta. Essa situação está sendo denunciada em um vídeo que circula nas redes sociais

Nas imagens, o denunciante destaca a grande estrutura do estabelecimento à beira-mar que fica intransitável quando a maré sobe. “Se fosse um pescador que estivesse com sua redinha artesanal não podia, tomava todo o material, mas uma estrutura praticamente dentro do mar ninguém faz nada e isso não é de agora, mas os órgãos competentes não veem”, disse o homem no registro.

Em âmbito global, o Painel Intergovernamental de Previsões Climáticas (IPCC), criado em 1988 pelas Nações Unidas, previu que até o ano de 2100, as águas oceânicas devem se elevar em 0,48m e em casos extremos até 1,20m sobre as regiões litorâneas de todo o planeta.

De acordo com o oceanógrafo Gabriel Le Campion, na realidade naquele local houve um avanço do mar em mais de 40 metros, neste sentido, não foi o restaurante que avançou na praia, mas o mar que avançou no estabelecimento.

Ele frisou que este não seja um caso isolado de avanço do mar e que também acontece na orla marítima de Ponta Verde e em parte da Pajuçara, “na maré cheia também não se consegue transitar por lá”, mencionou. “Na época, o Hibiscus apresentou um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) ao Instituto do Meio Ambiente (IMA) e foi aprovado”, salientou.

O oceanógrafo explicou que a erosão do mar inclusive derrubou toda a área frontal do restaurante antigo, sendo reconstruído outro e o mar continuou a avançar. “Esse avanço do mar tem a ver com os mecanismos de avulsão do Rio Sauaçuhy, e a alteração é consequente na deposição dos sedimentos na Praia de Ipioca”, enfatizou.

Com relação ao projeto de contenção realizado pelo Hibiscus, Le Campion lembrou ter sido um projeto de tecnologia moderna, realizado pelo engenheiro Marcos Lyra para reter e ampliar a faixa de praia, procedimento necessário para a formação da nova estrutura. “Eles utilizaram o sistema chamado Sandbag”.

Sandbag é um revestimento enterrado sob a face de dunas, onde vai formar uma linha final de proteção depois que a areia sobreposta foi corroída por ondas de tempestade, causando um baixíssimo impacto ambiental na paisagem. A estrutura utilizada fica enterrada, de forma que o resultado final obtido apresenta um baixo impacto ambiental.

Segundo o empresário Ronaldo Scurachio, houve uma reunião à época com o Ministério Público Federal (MPF), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto do Meio Ambiente (IMA), informando que a região apresentava problemas de erosão, sendo assim foi feito um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para a recuperação da praia no sentido de conter o processo erosivo.

“Temos licenças dos órgãos ambientais, não se trata de invasão da praia, mas ao contrário, o mar avançou em direção ao sítio de propriedade particular, a área é georreferenciada via satélite. Jamais iríamos permitir que fosse feito algo que causasse um grande impacto ambiental”, relatou.

Tribuna Independente procurou o IMA para saber o posicionamento do órgão, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.

Fonte: Tribuna Independente / Ana Paula Omena

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