Saúde

23 de fevereiro de 2021 10:22

Número de casos de dengue, zika e chikungunya diminui em Alagoas

Pandemia do novo coronavírus pode ter ocasionado atraso ou subnotificação das arboviroses, destaca Ministério da Saúde

↑ Redução também pode estar relacionada ao cuidado maior da casa no isolamento, combatendo assim o Aedes aegypti (Foto: Reprodução)

Com o verão, os dias passam a ser mais quentes e as chuvas mais volumosas. Por essa razão, a preocupação vem à tona quando se trata da infestação do transmissor da dengue, zika e chikungunya. Em Alagoas, os casos diminuíram no ano passado quando comparado com 2019, mas se faz necessário não baixar a guarda se prevenindo contra as doenças arboviroses causadas pelo mosquito Aedes aegypti.

De acordo com informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan/MS) repassadas pela Secretaria de Estado de Saúde de Alagoas (Sesau/AL), foram 13.894 confirmados de dengue em 2019 contra 1.983 em 2020 e um óbito por ano; já a zika contabilizou 510 casos em 2019 e 113 em 2020 com nenhum óbito.

O panorama da chikungunya em Alagoas também apresentou queda no número de casos com 1.515 em 2019 e 145 em 2020, e uma morte em 2019.

Para o MS, essa redução pode ser atribuída à mobilização que as equipes de vigilância epidemiológica estaduais estão realizando diante do enfrentamento da emergência da pandemia do coronavírus, após a confirmação dos primeiros casos no Brasil em março de 2020, ocasionando em um atraso ou subnotificação para os casos das arboviroses.

Segundo o gerente de Vigilância e Controle de Doenças Transmissíveis da Sesau, Diego Hora, o ano de 2020 foi totalmente atípico com a grande pandemia do século. Ele mencionou que se previa uma epidemia de dengue para 2020. Porém, em março, com a decretação da pandemia da covid-19, tudo mudou, e a orientação do Ministério da Saúde foi que as pessoas ficassem em casa.

“Então, a queda de doenças arboviroses pode sim estar potencialmente associada ao isolamento social. A gente começa a ver os desdobramentos, e possivelmente pode estar associada diretamente ao não armazenamento de água para a proliferação do vetor, que é o mosquito Aedes aegypti. Imaginamos que pelas pessoas estarem em casa, a tendência foi limpar mais suas casas, evitando o acúmulo de lixo e água empossada”, explicou Diego Hora.

“É uma série de fatores que podem ter contribuído para a queda no número de casos de dengue, zika e chikungunya”, frisou o gerente de Vigilância e Controle de Doenças Transmissíveis da Sesau.

Ainda segundo Diego, a população não pode baixar a guarda acreditando não existir doenças arboviroses, isto é, a transmissão pelo Aedes. Ele destacou que os cuidados devem permanecer no que diz respeito à limpeza domiciliar, bem como quando se refere aos depósitos de água, principalmente aqueles localizados nas áreas em nível de solo para armazenagem e consumo humano. “Limpar as casas, calhas, ao redor, e não fazer acúmulo de lixo são fundamentais”, reforçou.

Diego Hora acrescentou que, quando existe o indicativo de surto pelo mosquito, uma equipe é deslocada para fazer apoio e cooperação técnica para acompanhar a situação. “Mas não é um trabalho de rotina, é pontual, com base na situação”, salientou.

QUADRA CHUVOSA

Os cuidados devem ser fortalecidos justamente para que se evite ao máximo a Covid junto com outras doenças. Então, para Diego Hora, é de fundamental importância que a população se mantenha tomando os mesmos cuidados de sempre, sobretudo porque vem aí a quadra chuvosa.

De acordo com o boletim epidemiológico nº 53 da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Maceió, em 2020 foram registrados 876 casos confirmados de dengue, representando uma redução de 79,7% em relação ao ano anterior, sendo 4.542 casos em 2019; zika vírus foram 26 casos confirmados em 2020 e 172 em 2019; e chikungunya – 58 casos confirmados em 2020 contra 354 em 2019. Nos dois períodos não houve nenhum óbito confirmado pelas três doenças.

AÇÕES DA SMS

Os agentes de endemias da SMS continuam trabalhando nas áreas classificadas como médio e alto risco de transmissão de arboviroses, tendo a Pitanguinha e a Ponta Verde como locais de maior índice de infestação pelo Aedes aegypti, vetor que transmite as três doenças.

A SMS também atende as denúncias realizadas pelo Disque Dengue (3312-5495) e realiza orientações à população, corrigindo situações que favorecem a proliferação do mosquito transmissor.

Sobre a redução de casos devido à pandemia, o órgão comunicou não ser possível afirmar que os números caíram por conta do isolamento social, mas disse que como as pessoas estavam isoladas e muitas não buscaram atendimento médico por medo de contrair a Covid-19, houve uma subnotificação desses casos, onde muitas podem ter tido a doença, mas não chegaram a buscar os serviços de saúde.

Sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças mais comuns

Casos mais graves podem levar à morte. Em casos de mulheres grávidas que têm zika, o filho pode nascer com microcefalia e outros problemas graves no cérebro.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, os sinais das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti podem ser confundidos com sintomas de outras doenças mais comuns, como gripes e resfriados. Os sintomas mais recorrentes dessas doenças são dores nos ossos, por trás dos olhos e nas articulações, manchas avermelhadas, febre e fadiga.

“Por isso, é importante estar sempre em alerta, não tomar medicamentos sem orientação médica e manter-se sempre hidratado. Além, é claro, de buscar um diagnóstico médico o quanto antes, o que é essencial para o sucesso do tratamento. Se as dores abdominais persistirem, mesmo com a ausência de febre, procure ou volte ao médico. Esse sintoma persistente pode indicar os casos mais graves da doença”, ressaltou o órgão.

A recepcionista Maria Aparecida e a frentista Tanama Santana tiveram a mesma doença, a chikungunya. Elas sentiam dores nos ossos e nas articulações, e até hoje têm sequelas.

“Eu passei uns 20 dias, era muita dor, eu não tinha ânimo para nada. Muita dor nos ossos, eu não conseguia fechar a mão e até hoje eu sinto. Eu não consigo lavar roupa bem. Quando vou lavar eu não consigo fechar totalmente a mão”, disse Aparecida.

Lucas Macedo, professor do curso de Medicina da Universidade de Franca (Unifran), lembrou que o Brasil também ainda está enfrentando a pandemia da Covid-19, e que as manifestações clínicas podem ser muito semelhantes aos da dengue, zika e chikungunya, porém, habitualmente na evolução da doença causada pelo coronavírus, há sintomas respiratórios semelhantes a um resfriado, como tosse, coriza, obstrução nasal e dor de garganta, o que praticamente não ocorre nas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Ana Paula Omena

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