Cidades

26 de janeiro de 2021 18:10

Audiência pode definir cenário de greve dos rodoviários

Sinttro/AL solicitou ao MPT uma mediação junto aos empresários; mas, mesmo com audiência, assembleias continuam até a sexta-feira (29)

↑ A passagem que antes custava R$ 3, 65 e passou a ser R$ 3,35 não afetará as negociações entre os rodoviários e os empresários (Foto: Edilson Omena)

Impasse entre os rodoviários e os donos das empresas de transporte coletivo de Maceió pode ocasionar em uma greve já para a próxima semana. Os rodoviários cobram reajuste salarial, ticket alimentação e o plano de saúde que foi cortado em março de 2020.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Alagoas (Sinttro/AL), Sandro Reges, uma audiência nesta quarta-feira (27), no Ministério Público do Trabalho (MPT) pode mudar o cenário de greve.

‘’Foi marcado uma audiência amanhã no MPT, ás 9h30. Como foi um pedido do sindicato com a mediação do órgão, fomos atendidos e esperamos que nessa audiência os empresários acene algo que venha mudar o cenário de greve que está previsto para o próximo dia 8 de fevereiro. Ressalto que mesmo com a audiência as assembleias continuam até a sexta’’, explica Reges lembrando o cronograma de assembleias nas garagens das empresas que foi agendado começando nesta terça-feira (26) na São Francisco, com isso, a saída dos coletivos atrasou, saindo das garagens às 7h.

O presidente do Sinttro/AL ressalta ainda que a pauta dos trabalhadores é em busca dos direitos. “Tivemos no dia 12 de janeiro uma reunião com o Sinturb [Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Maceió] onde fomos avisados que diante do cenário por conta da pandemia, eles não iria poder pagar mais o plano de saúde e ticket alimentação, além de não falar de reajuste salarial. Então, a partir dessa atitude nos articulamos para fazer as assembleias. Nessas assembleias estamos levando a proposta dos empresários e o indicativo de greve. Na primeira assembleia, a categoria concordou com a greve – quando digo a categoria, falo dos funcionários da empresa São Francisco aonde aconteceu à primeira. Amanhã tem continuidade cidade de Maceió, na quinta (28), Real Alagoas e sexta (29) na Veleiro. Esperamos que os empresários reavalie essa proposta’’.

O representante dos rodoviários disse ainda que a categoria estar sem convenção coletiva desde março de 2020. ‘’A reivindicação é relativa à data base 2020/2021, a nossa data base é março, mas ano passado estávamos negociando e fechando uma proposta para levar a categoria e fomos surpreendidos com a pandemia. Tivemos que fazer uma convenção emergencial que foi realizada em dois de abril e valia até 31 de dezembro de 2020. Ou seja,  estamos sem convenção coletiva e queremos voltar a negociar a data base. Esse pedido foi feito e esperamos avançar nessa audiência junto ao MPT’’.

Questionado sobre se a redução na tarifa de ônibus pode ter prejudicado a categoria e as negociações junto aos empresários, Sandro Reges diz que não. “Acreditamos que a redução da tarifa não prejudica em nada as negociações da categoria com o patronato. Essa discussão já vem há muito tempo, é uma negociação das empresas com a Prefeitura’’.

O prefeito de Maceió, JHC (PSB) também avalia que a redução da passagem que antes custava R$ 3, 65 e passou a ser R$ 3,35 não afetará as negociações entre os rodoviários e os empresários. “De forma alguma, não tem nenhuma ligação. São situações distintas à política interna das empresas. Isso não guarda relação”, comenta o prefeito durante a assinatura do processo licitatório para reforma da sede da Guarda Municipal, na manhã desta terça-feira (26), no bairro do Vergel do Lago.

JHC, prefeito de Maceió (Foto: Edilson Omena)

REDUÇÃO DA TARIFA

Além da redução da tarifa de ônibus, o prefeito de Maceió, JHC disse que a cidade contará com mais 10 novas linhas de ônibus e que a Ecovia Norte, que vai ligar o Benedito Bentes ao bairro da Guaxuma, no Litoral Norte da cidade, será entregue a fim de “desafogar” o trânsito na capital. Está informação foi dada ontem (25), durante entrevista coletiva para a imprensa no Benedito Bentes.

De acordo com o prefeito, a redução da passagem foi possível após a criação de uma comissão, que passou a estudar medidas de melhorias no transporte público, que atende milhares de pessoas diariamente.

Sinturb tomará as medidas necessárias para que o transporte de Maceió não pare

O Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Maceió (Sinturb) disse por meio de nota que as empresas não concordam com a possível paralisação e irão tomar as medidas necessárias para que o transporte de Maceió não pare.

‘’O Sinturb enxerga a greve como ilegal em um período delicado para as empresas. Uma possível paralisação trará ainda mais prejuízos para o setor, dificultando o funcionamento do serviço e o fechamento de contas. Assim como, trará prejuízos para a população que depende diariamente do transporte público’’, diz trecho da nota.

O sindicato esclareceu que há meses vêm comunicando a categoria sobre a atual situação das empresas quanto aos prejuízos acumulados com a queda de passageiros e os efeitos da pandemia nos últimos meses. Segundo a entidade, em 2020 as empresas perderam em média mais de 50% dos passageiros.  Mas mesmo diante de tantos prejuízos, as empresas vêm fazendo esforços para honrar com todos os compromissos com os trabalhadores e está em dia com os pagamentos dos rodoviários, bem como benefícios como plano de saúde e ticket alimentação. Porém, a situação se agrava ainda mais com o fim do programa do Governo Federal que garantiu auxilio as empresas nos últimos meses.

Disse ainda que em todas as convenções coletivas realizadas até 2019, os rodoviários conseguiram ganhos reais acima da inflação.

 

 

 

 

 

Fonte: Tribuna Hoje / Lucas França

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