Cidades

21 de janeiro de 2021 11:48

Demolição anunciada pela prefeitura ainda não tem cronograma

Além dos 328, há possibilidade de que mais imóveis sejam derrubados; Braskem diz que não foi comunicada oficialmente

↑ Não há detalhes, prazos ou bairros, mas Gabinete Integrado adianta que demolições abrangerão região de encosta (Foto: Adailson Calheiros)

Após anunciar – na semana passada -, a demolição de 328 imóveis nos bairros que sofrem com afundamento de solo, a Prefeitura de Maceió informou que mais imóveis poderão ser demolidos. Procurada a Braskem, afirmou em nota que ainda não foi comunicada oficialmente sobre as demolições.

Não há detalhes sobre prazos ou quais imóveis e em quais bairros serão demolidos.

Em vídeo divulgado à imprensa, o coordenador do Gabinete Integrado sobre o afundamento de solo, Ronnie Mota, explicou que a vistoria na região constatou situações “calamitosas” e que precisam de intervenção.

“Observamos casos calamitosos residências que precisam urgentemente ser demolidas. Na segunda-feira (18), nos reunimos com a Defesa Civil para avaliar todos os pontos, todas as casas. Hoje nós temos 328 residências para demolição que de alguma forma apresentam riscos para a população. Logo mais estaremos apresentando todo o laudo técnico e o relatório para a população”, afirmou Mota.

Ronnie Mota informou que imóveis nas regiões de encosta também serão demolidos. Não há informações sobre o prazo para definição de cronograma ou quantitativo de imóveis da encosta que serão demolidos.

Em nota, a Braskem informou que não recebeu nenhuma solicitação referente a demolição.

“A Braskem está em contato permanente com as autoridades que fazem parte do termo de acordo para apoio à desocupação nos bairros de Maceió, para discutir todas as medidas conjuntas a serem adotadas. Até o momento, a empresa não recebeu nenhuma nova solicitação de demolição de imóveis por parte da Defesa Civil. Assim que tomar conhecimento oficialmente desta solicitação, entrará em contato com a Defesa Civil Municipal para análise da questão. A prioridade da Braskem é a segurança dos moradores dos bairros afetados pelo fenômeno geológico, propondo e executando todas as ações necessárias para isso”, disse a petroquímica.

Necessidade de derrubadas não é a primeira vez

Está não é a primeira vez que surge a necessidade de demolição de imóveis nos bairros que afundam. Em abril do ano passado a Defesa Civil de Maceió realizou a demolição de quatro blocos do Residencial Jardim Acácia, no Pinheiro, que estavam com a estrutura seriamente comprometidas.

Em julho, novas demolições ocorreram. Ao todo, oito blocos do Jardim Acácia foram demolidos por uma empresa contratada pela Braskem para realizar o serviço.

RELEMBRE O CASO

O processo de afundamento de solo, apontado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) como decorrente da extração de sal-gema vem afetando mais de 40 mil moradores nos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e mais recentemente em parte do Farol.

A situação de calamidade pública dos bairros foi decretada no fim de 2018 e vem sendo renovada pela Prefeitura de Maceió diante da constante evolução.

Desde o dia 3 de março de 2018 quando um tremor de 2,5 na escala Richter foi sentido no bairro do Pinheiro e adjacências a escalada de rachaduras em imóveis e vias não parou de se intensificar. Devido ao problema, mais de 9 mil moradores já precisaram deixar seus imóveis nos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto.

Em 3 de janeiro do ano passado, um acordo judicial firmado entre órgãos de controle e a Braskem estabeleceu a retirada de 17 mil pessoas das áreas de maior criticidade dos quatro bairros afetados.

Além de retirar as pessoas, a Braskem tem realizado as indenizações. As ações, previstas no acordo podem levar até dois anos para a conclusão.

As análises do CPRM apontam que entre os anos de 2016 e 2019 já houve 70cm de afundamento. A possibilidade de um sinkhole (afundamento brusco) foi confirmada por estudos contratados pela petroquímica.
No início deste mês, mais um aditivo foi celebrado entre a Braskem e os órgãos de controle que estabelece a retirada de moradores de toda a área de risco, o que representa 15 mil pessoas. (E.P.)

 

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Evellyn Pimentel

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