Cidades

21 de janeiro de 2021 11:53

AL reduz 70% denúncias de intolerância religiosa

Dados da Comissão de Promoção da Igualdade Social da OAB indicam 10 denúncias em 2019 e três em 2020

↑ Cortejo contra intolerância religiosa; ofensa, apedrejamento e tiro de arma de fogo estão entre as denúncias de intolerância religiosa no estado (Foto: Edilon Omena/Arquivo)

Ofensa, apedrejamento e tiro de arma de fogo estão entre as denúncias de intolerância religiosa no estado de Alagoas, que registrou redução de queixas em 2020, quando comparado com o mesmo período de 2019, representando uma queda de 70%. Nesta quinta-feira (21) é comemorado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

De acordo com a Comissão de Promoção da Igualdade Social da OAB, em Alagoas, foram dez denúncias em 2019 contra três em 2020. Alberto Jorge (Betinho), presidente da comissão, diz que uma dessas queixas no ano passado diz respeito ao apedrejamento de um terreiro de Candomblé localizado próximo a seis igrejas evangélicas, sendo duas delas situadas na mesma rua e as demais nos fundos do terreiro.

Já a denúncia seguinte foi a de um tiro de espingarda calibre 12 deflagrado contra uma mãe de santo durante a festa de São Cosme e Damião. O fato ocorreu, conforme Alberto Jorge, logo após uma discussão com um grupo de evangélicos; e por último o caso de um evangélico que começou a perseguir e ofender um pai de santo porque o mesmo tinha feito uma doação de alimentos para uma pessoa carente.

O promotor de Justiça de Direitos Humanos, Antônio Sodré, informou que: “Graças a Deus não temos mais nenhum caso na nossa Promotoria de Justiça. Parece-me que a população está mais tolerante com o próximo”.

Em caso de denúncia, a população deve entrar em contato diretamente com a Comissão de Promoção da Igualdade Social da OAB-AL através do contato: (82) 98809-8656.

Semudh
Dia 21 representa educação, conscientização e respeito

Para a secretária de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos de Alagoas (Semudh/AL), Maria Silva, a data celebrada neste 21 de janeiro representa conscientização, educação e principalmente respeito. “A maior parcela do preconceito direcionado à diversidade religiosa em nosso País está ligado diretamente à ignorância, a falta de conhecimento sobre a história das nossas raízes religiosas”, frisou.

“Hoje, mais do que nunca, é necessário disseminar a cultura da aceitação e compreensão das tradições e especificidades de cada manifestação religiosa que acontece no Brasil. Em Alagoas temos marcos históricos que reforçam este legado, que é nosso dever proteger e cultivar”, reforçou a secretária.

Ainda de acordo com Maria Silva, a Semudh conta com a Superintendência de Políticas para os Direitos Humanos e a Igualdade Racial que realiza escutas de violações de direitos humanos, incluindo manifestações preconceituosas e de intolerância religiosa. “Além de auxiliar e acompanhar todo o processo legal relacionado. Estamos sempre de portas abertas para receber todo e toda cidadã que busque justiça.”

A secretária finalizou reforçando que compreender e respeitar são os passos mais importantes no processo de desconstrução do tabu que envolve a religiosidade, principalmente as de matrizes africanas. “E este trabalho é de todas e todos nós”. (A.P.O.)

 

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Ana Paula Omena

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