Cidades

19 de janeiro de 2021 08:21

Exposição reúne peças sustentáveis de casca de sururu

Matéria-prima abundante gera renda e empodera marisqueiras que vivem da coleta de crustáceo no bairro do Vergel do Lago

↑ Poltronas e quadro feitos com reaproveitamento das cascas do sururu podem ser encontrados na exposição (Foto: Edilson Omena)

Já pensou em sentar numa poltrona feita com a casca do sururu? Essa realidade é possível a partir do projeto Maceió Inclusiva através da economia circular, que está gerando renda para 12 marisqueiras, que vivem da coleta de mariscos realizada no bairro do Vergel do Lago.

A idealização da ação foi por meio do exercício de responsabilidade social, da empresa Aky Estofados Customizados, que propôs a criação de uma série de peças sustentáveis como: vaso, quadros e poltronas feitas com o reaproveitamento das cascas do sururu, matéria-prima abundante na orla lagunar da capital alagoana. As peças produzidas são encontradas a partir de R$ 365, e fazem parte da Exposição Peças Sustentáveis de Sururu, que fica no Parque Shopping até o dia 28 de janeiro.

De acordo com o empresário Manoel da Silva, a exposição foi dividida em três categorias: vasos estilizados com garrafas PET e papel machê tendo como cobertura a casca do sururu; quadros montados com cascas de sururu, resina e escamas criando imagens que referenciam as belezas de Maceió; cadeiras que utilizam a casca do sururu, escamas e outros insumos presentes na pesca como cobertura decorativa.

“As 12 marisqueiras foram capacitadas por mim em 2019, mas 2020 não deu para finalizar o projeto por conta da pandemia. Agora as peças estão completas e quando vendidas, uma porcentagem vai para as marisqueiras”, destacou Manoel da Silva. “Foram vários testes e pesquisas até chegar ao resultado final”, frisou.

Para a marisqueira Judite, o projeto é fantástico porque empodera as mulheres da lagoa e a comunidade em geral, “além de gerar renda e ainda limpa o meio ambiente”, observou. Indagados sobre como se deu o processo de transformação da casca do sururu e como se chegou à textura, disseram fazer parte do segredo industrial.

A comunidade do Vergel do Lago em Maceió acolheu o empresário que também contou com o Instituto Mandaver como parceiro. O curso ofertado capacitou gratuitamente membros da comunidade marisqueira para a produção, marketing e comercialização dos produtos propostos.

Alagoas Mais Criativa: projeto é desenvolvido com fomento do IABS

 

O empresário Manoel da Silva explicou que este projeto foi desenvolvido com fomento fornecido pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) através do Prêmio Alagoas Mais Criativa (2018) e consiste no desenvolvimento de conhecimentos sustentáveis para a criação de peças compostas por resíduos do segmento moveleiro unidos às cascas do sururu resultando em três categorias de produtos inovadores que podem ser comercializados dentro do mercado de artesanato, móveis e design.

A Aky Estofados Customizados segue realizando ações de difusão das peças produzidas em seu portfólio, fomentando eventos e exposições que facilitem a venda das peças produzidas, gerando redes de contato e renda para a comunidade juntamente com a continuidade na produção das peças, criando um novo ciclo de reaproveitamento para parte dos resíduos produzidos nas comunidades marisqueiras no Vergel do Lago em Maceió.

Eric Sawyer, coordenador do Projeto Maceió Mais Inclusiva, enfatizou que o IABS acredita que não basta pensar em economia circular, na qual o resíduo de uma cadeia de valor se torna insumo para outra, é preciso ir além e pensar em novos modelos de gestão e de negócios, capazes de colocar a comunidade local no centro dos seus objetivos, criando novas oportunidades que apoiem de fato na redução das desigualdades.

MATÉRIAS-PRIMAS

Na cidade de Maceió, a empresa Aky Estofados Customizados é uma movelaria gerenciada por Manoel da Silva e desenvolveu em suas atividades certa experiência com o uso de diversas matérias-primas atípicas para o setor moveleiro, dentre as peculiaridades das peças produzidas está uma poltrona feita com couro de tilápia e um sofá criado a partir de resíduos da construção civil.

A empresa participou de eventos como a Pan Design e a Casa Cor e teve seus trabalhos expostos nos Jogos Paraolímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

Fonte: Tribuna Independente / Ana Paula Omena

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