Cidades

14 de janeiro de 2021 08:22

Sesau investiga 34 casos de reinfecção em Alagoas

Infectologista destaca que dificuldade para confirmação de que alguém contraiu Covid-19 mais de uma vez está na testagem

↑ Até agora nenhum dos casos suspeitos foi confirmado; de acordo com a Sesau, maior parte dos possíveis reinfectados está em Maceió (Foto: Agência Petrobras)

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) investiga 34 casos de reinfecção pelo vírus da Covid-19 em Alagoas. Destes, 28 foram reportados em Maceió e dois em São Miguel dos Campos. As cidades de Junqueiro, São Miguel dos Milagres, Maragogi e União dos Palmares tem um caso em investigação cada.

Em dezembro do ano passado, o primeiro caso de reinfeção por Covid-19 no Brasil confirmou o que para os especialistas era algo muito possível: um indivíduo adoecer novamente. O caso foi registrado no Rio Grande do Norte e ainda em dezembro um segundo caso em São Paulo também foi confirmado. Este mês, o Amazonas e mais recentemente a Bahia confirmaram casos de reinfecção. Em todo o mundo, o número de confirmações passa de 30.

Segundo estudos do King’s College London, os quadros mais leves ou assintomáticos da doença podem não produzir imunidade, ou ainda quando os anticorpos são produzidos, vão caindo ao longo dos meses. O estudo aponta  que em média a imunidade dura em torno de três meses, assim o paciente depois desse período estaria suscetível novamente.

O infectologista Gilberto Salustiano destaca que a grande dificuldade para determinar uma reinfecção é a testagem. Ele explica que é necessário confirmar que o vírus presente no indivíduo é diferente, e para isso o exame precisa conter informações detalhadas.  “A reinfecção é possível e o nosso grande problema é que os exames não saem como a gente gostaria que saíssem para acompanhar isso. Porque o exame depende muito de quem faz, muitas vezes dá negativo, mas lá na frente quando se faz a sorologia dá positivo. Então é possível a reinfecção, mas os exames não são tão precisos, embora a gente gostaria que fossem”, afirma.

O médico explica ainda que pode ocorrer de um paciente testar negativo, inclusive com o exame de RT-PCR e mesmo assim estar com o vírus e transmitindo. “Atualmente os casos quando são internados a gente só está fazendo RT-PCR. A gente não está fazendo sorologia. Teria que fazer um exame e depois o outro. O estado está sem a sorologia e não tem como fechar isso. No caso de dar positivo, ótimo, mas no caso de dar negativo, o que pode acontecer, não tem um parâmetro para comparação. O paciente pode estar e contaminar outras pessoas depois”.

“Higiene e distanciamento são fundamentais”

 

Por isso, os cuidados com higiene e distanciamento social são fundamentais, garante Salustiano. Ele diz que mesmo com a chegada da vacina, prevista para ocorrer ainda este mês, o acesso será prioritário a determinados grupos o que não garante que todos estarão protegidos.

“Tem que ter todos os cuidados, manter o distanciamento, usar máscara, chegar em casa tomar banho, fazer a higienização de objetos, colocar a roupa de imediato para lavar, os mesmos cuidados que a gente aprendeu no início da pandemia são válidos. E mesmo a vacina quando chegar, os cuidados devem permanecer, porque a vacina não vai chegar para toda a população. Inicialmente para profissionais de saúde e idosos. As vacinas felizmente vão chegar. Mas será que a gente pode vacilar? Eu mesmo vou continuar usando máscara, mesmo com a vacina o vírus continuará circulando”, destaca Salustiano.

O especialista afirma que não é possível determinar se uma nova infecção pela doença não terá complicações. “Ela pode ser tanto mais leve como a primeira, como mais grave, é uma loteria… A gente tem dificuldades de um modo geral para acesso a diagnósticos avançados. No SUS só temos acesso a exames básicos. Quem tem plano de saúde ou dinheiro para pagar acaba conseguindo ter acesso a exames complexos que identificam de uma melhor forma”, defende.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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