Cidades

14 de janeiro de 2021 08:13

Em Alagoas, 68% dos pequenos negócios usam internet para vendas

Estado é o 6º do NE no ranking dos empreendedores que usam ferramentas digitais para comercializar produtos

↑ Elaine Cristina tem uma loja física, ela se reinventou na pandemia e passou a utilizar o meio digital para aumentar suas vendas (Foto: Edilson Omena)

Um total de 68% dos pequenos negócios usa as redes sociais para realizar vendas em Alagoas. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o estado é o 12º do país e o sexto do Nordeste no ranking de empreendedores que utilizam as ferramentas digitais para comercializar seus produtos e serviços. Em primeira posição no Brasil está Roraima com 88%.

No Nordeste, o Ceará é o primeiro do ranking com 80%, seguido da Paraíba com 77%, Sergipe com 74%, Pernambuco com 71%, Bahia com 70%, Alagoas e o Maranhão empatados, com 68%; posteriormente o Rio Grande do Norte com 67% e por último o Piauí com 62%.

Conforme a pesquisa intitulada “O impacto da pandemia do coronavírus nos pequenos negócios”, que está na sua 9ª edição, o estado de Roraima é o estado brasileiro que mais vende pelas redes sociais com 88% e na lanterna Mato Grosso com 57% dos pequenos negócios comercializando seus produtos pelas redes sociais.

Elaine Cristina é um exemplo de empreendedora que passou a utilizar as redes sociais em seus negócio sporque precisou se reinventar na pandemia. Ela tem loja de roupas em local físico e utiliza também o meio virtual para aumentar suas vendas.

“Utilizo a mais ou menos 5 anos as redes sociais para vender, mas me desesperei em março com o começo da pandemia, pois investi muito em cosméticos e pensei que não conseguiria vender. Foi através das redes sociais que mesmo antes do dia das mães, que foi o investimento que fiz, consegui vender, pois enquanto as lojas físicas estavam fechadas eu conseguia vender”, contou.

Elaine frisou que não quer parar e vai investir ainda mais nas vendas pelas redes sociais. Ela salientou que descobriu através do Instagram um comércio mais atrativo até mesmo do que as lojas físicas. “Consigo diariamente atingir várias pessoas, ao contrário da loja física que tem horário para abrir e fechar”, observou.

WhatsApp é a rede social mais utilizada

 

No estado de Alagoas, a rede social mais utilizada pelos comerciantes é o WhatsApp, representando 89% das vendas. Em seguida está o Instagram (73%),  Facebook (42%) e site próprio (20%).

Assim como Elaine, Fernanda Vasconcelos também precisou criar novas alternativas na pandemia. Ela, que tem um ateliê de roupas, disse que além do surto do coronavírus teve ainda a situação do Pinheiro, bairro atingido pela extração de sal-gema pela Braskem. “Ambos me fizeram migrar para o ambiente virtual. Eu já trabalhava atendendo a domicílio, mas meu ateliê funcionava no Pinheiro e tivemos que sair, e no mês seguinte, começou a pandemia e precisei aprender a me virar pela internet”, contou Fernanda.

Ela destacou que mudou a forma que oferecia seus produtos, que era mais exclusivo e sob medida para um serviço mais rápido e pronto para vestir. “Estou nessa transição. Recebi um suporte gigante do Sebrae que está comigo em todo esse processo, me motivando e me capacitando para esse novo momento”, declarou a empreendedora.

Adriana Avelino começou a vender doces para ajudar nas finanças no mês de agosto do ano passado, ela conta que por causa da pandemia, o governo começou a fazer um desconto na folha de pagamento dos pensionistas e isso provocou um ‘furo’ enorme no orçamento. “Eu também sempre tive vontade de fazer alguma coisa e com a pandemia fiquei ociosa no período da tarde. Pela manhã ficava nas aulas remotas com meu filho Alysson Vitor. Então para preencher a cabeça e o tempo, além de ajudar nas despesas, fui fazer tortilete para ganhar um extra”, ressaltou.

Segundo Adriana, o primeiro pensamento foi correr para o Instagram e divulgar seus doces. “Hoje em dia é tudo mais fácil pela rede social. Então sempre que faço posto logo nos stories. Como as encomendas são geralmente próximas de minha casa, aqui no Trapiche, eu mesma saio para entregar. Quando é mais distante, eu aviso ao cliente e ele vem pegar aqui no condomínio. E quando estou na casa da minha mãe na parte alta, faço do mesmo jeito, entrego na redondeza”, explicou a logística.

Digital é a chave para a sobrevivência dos pequenos

 

Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, o digital é, de fato, a chave para a sobrevivência das pequenas empresas durante o período de isolamento social e também para o crescimento desses negócios no pós-pandemia. Afinal, o novo normal tende a ser cada vez mais tecnológico.

“As empresas começaram a retomar as vendas e o faturamento. E é o acesso ao digital que tem dado um ânimo novo. As redes sociais ajudaram muito. E continuar nesse caminho é fundamental, pois o comércio físico vai conviver cada vez mais com o e-commerce”, destacou.

Ele reforçou que é por conta disso que o Sebrae tem feito parcerias com plataformas de comércio eletrônico e trabalhado na capacitação digital dos microempreendedores. Segundo Carlos Melles, a procura pelo curso de Marketing Digital do Sebrae praticamente triplicou na quarentena, com cerca de 177 mil empreendedores interessados em aprender a vender seus negócios na internet.

Por isso, não é só as personagens citadas nesta reportagem que creditam a reinvenção do próprio negócio ao processo de transformação digital. Conforme o Sebrae, 12% das pequenas empresas brasileiras adaptaram o seu negócio para o virtual só nos últimos dois meses.

Ainda de acordo com uma pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), 58% das empresas em Alagoas funcionam com mudanças por conta da crise provocada pelo coronavírus. 52% lançaram ou começaram a comercializar novos produtos ou serviços desde a pandemia.

Apenas 7% dos empreendedores do estado precisaram demitir funcionários de carteira assinada (CLT) por causa da crise do coronavírus. Embora 35% delas tenham contraído dívidas e estão com empréstimos atrasados.

Os empreendedores alagoanos entrevistados na pesquisa acreditam que vai levar 13 meses para a situação da economia voltar ao normal no estado.

Fonte: Tribuna Independente / Ana Paula Omena

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