Cidades

3 de dezembro de 2020 08:23

Aumento de casos de covid-19 deve inviabilizar retomada de aulas presenciais

Para pesquisador do Observatório Alagoano de Políticas Públicas para o Enfrentamento da Covid-19, crianças têm sido penalizadas em detrimento de outros públicos

↑ Crianças estão sem aulas presenciais desde março deste ano, quando teve início a pandemia da Covid-19 em Alagoas (Foto: Reprodução)

Com a proximidade de encerramento do ano letivo de 2020, surgem os questionamentos quanto a retomada de aulas presenciais para o ano de 2021. Especialistas ouvidos pela Tribuna Independente afirmam que o aumento do número de novos casos de coronavírus deve inviabilizar a retomada de aulas logo no início do próximo ano.

De acordo com o pesquisador do Observatório Alagoano de Políticas Públicas para o Enfrentamento da Covid-19, Gabriel Badue, o cenário é preocupante, principalmente com a chegada das comemorações de fim de ano. Ele aponta que as crianças têm sido penalizadas em detrimento de outros públicos.

“O cenário é preocupante. Nós estamos sacrificando crianças que estão há quase um ano sem aulas, expostas a outros problemas. Mas a gente mantém esse prejuízo com a necessidade de se evitar uma segunda onda. O governo ainda não apresentou nenhum plano de retorno as aulas, mas nós vemos toda essa movimentação, aglomerações, aberturas de bares, restaurantes, parques, eventos e, com a proximidade de fim de ano, chegada de turistas. As tradicionais festas de fim de ano vendendo ingressos que a gente já entende que é algo muito complicado, festa com bebida ter cumprimento de protocolo sanitário, não vai ser cercadinho que vai conter o vírus. A gente vê essa possibilidade e ainda mais num cenário de aumento de casos que a gente vem observando com muita preocupação. Não é adequada a realização dessas festas, mas é muito preocupante”, expõe.

Na avaliação do infectologista Fernando Maia a retomada de aulas presenciais para o ensino básico ainda não é possível. Segundo ele, apenas numa situação de transmissão controlada é que pode se pensar nisto.

“Neste momento ainda não. É preciso baixar um pouquinho para se discutir isso. Para se pensar em voltar precisamos ter uma transmissão menor que 1, o que significa que cada pessoa doente transmite para menos de uma pessoa, atualmente temos o R maior que 1. Talvez nas próximas semanas possamos discutir essa retomada, voltar a pensar nisso, mas com a situação que temos hoje, neste momento não é possível fazer uma previsão desse retorno”, afirma o especialista.

O Sindicato dos Professores de Alagoas (Sinpro) destaca que a situação é de incertezas e insegurança jurídica para os professores. O presidente da entidade, Eduardo Vasconcelos garante que não há nenhuma sinalização do poder público para o retorno.

“Está basicamente acordado que as aulas voltariam dia 20 de janeiro de 2021, com a possibilidade de vacinação em determinados públicos, mas acredito que esse início será protelado. Por parte do governo não há nenhum direcionamento para o início normal em 2021. O que a gente está percebendo é que há aumento de casos. Inclusive temos algumas denúncias de casos em faculdades que reabriram, estamos sondando para ver se procede. A incerteza permanece, a insegurança jurídica é muito grande para os professores. Então o imponderável predomina, é um momento complicado e a gente tem tentado negociar, pedindo mediação do Ministério Público do Trabalho para que não ocorra o que tem ocorrido em Pernambuco com o risco de fechamento de mais de 200 escolas o que no nosso estado seria uma catástrofe”, detalha.

“Sem segurança para professores e alunos, ensino presencial é inviável”

 

Membro dos Conselhos Estadual e Municipal de Educação, Edna Lopes afirma que a retomada de aulas é inviável sem protocolos e sem segurança para os professores e alunos tendo em vista que os casos da doença voltaram a crescer.

“É muita incerteza tanto na rede privada quanto na pública. Porque quem decide o calendário são as redes, mas elas decidem baseadas nos decretos e normativas do poder público que autorizam esse retorno. Até agora, todos estão em trabalho remoto, a rede municipal encerra o ano dia 18, por exemplo, a rede privada está encerrando e todos aguardando 2021. Mas com a complicação e aumento de casos isso fica mais distante ainda, é muito difícil sair um decreto agora autorizando esse retorno. Infelizmente, no meu ponto de vista não tem retorno, não tem segurança e saúde para poder retornar”, lamenta a educadora.

Edna Lopes expõe ainda outro cenário: o de prejuízo para os estudantes. Segundo Edna, será necessário conviver com a doença. No entanto, é urgente que sejam adotadas medidas sanitárias, de controle e de proteção para o ambiente escolar considerando que os estudantes têm sido extremamente penalizados com a falta de aulas presenciais.

“A perda é inegável, mesmo quem tem condições de fazer ensino remoto, sendo ofertado para ele, mesmo assim tem muita perda, porque foi tudo muito sacrificado, condensado, a perda é inegável. Agora as tentativas foram de minimizar as perdas, o ensino remoto minimiza a perda. As perdas são para todos os lados que a gente olha, do ponto de vista pedagógico, do acesso a direitos, muitos estudantes não tiveram condições de estar acompanhando esse ensino”, avalia.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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