Cidades

27 de novembro de 2020 08:04

Expectativa de vida em Alagoas sobe para 72,7 anos

Dados de Mortalidade para o Brasil de 2019 divulgados pelo IBGE mostram que média nacional é de 76,6 anos

↑ Centro de Maceió (Foto: Assessoria da Fecomércio/AL)

Uma pessoa nascida em Alagoas no ano de 2019 tinha expectativa de viver, em média, até os 72,7 anos, um aumento de quatro meses em relação a 2018. Os dados são das Tábuas Completas de Mortalidade para o Brasil, divulgadas na quinta-feira (26) pelo IBGE.

Entre as unidades da federação, o estado alagoano tem a sexta menor expectativa de vida em 2019, à frente do Amazonas (72,6), Roraima (72,4), Rondônia (71,9), Piauí (71,6) e Maranhão (71,4). No Brasil, a média observada foi de 76,6 anos.

A pesquisa também mostra que a longevidade feminina em Alagoas é, em média, nove anos e meio acima da dos homens, a maior diferença registrada entre todas as unidades da federação. As mulheres alagoanas tinham a expectativa de viver, em média, 77,5 anos, já os homens, 67,9 anos.

A expectativa de vida fornecida pelo estudo é um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social.

O sociólogo Adalberon Sá explicou que há vários fatores a serem observados no que diz respeito ao assunto, um deles é o social, que deve ser levado em conta em relação aos dados do IBGE, em se tratando de violência e acidentes de trânsito no estado, já que muitos jovens e adultos morrem devido a estas circunstâncias.

“As diferenças regionais e as condições de vida de cada uma das regiões do país, certamente influenciam na média do Nordeste, que ainda está menor, o próprio IDH dos municípios mostra essa diferença da qualidade de vida e a dinâmica de cada uma das pessoas que vivem nessas regiões por conta do acesso a uma série de políticas públicas”, salientou.

“Bem como a uma série de outras condições de remuneração, de renda, de acesso a qualidade de alimentação. Além é claro daqueles fatores de vida individual mesmo, como a prática de atividade física que vai ser muito mais comum em algumas classes em algumas categorias, e há um link estabelecido diretamente disso com a realidade de renda”, acrescentou.

De acordo com o sociólogo, todos esses aspectos vão acabar ajudando com que esses números apontem para uma diferença, não somente de Alagoas, mas também da Região Nordeste e Norte. “Diferente da média nacional e muito mais ainda, pode ter certeza, não cheguei a ver esses dados da Região Sul e Sudeste, mas com certeza bem abaixo dessas regiões”, ressaltou.

Para Adalberon Sá sempre dá para melhorar, no entanto é preciso estabelecer e investir muito para que as pessoas consigam melhorar os seus hábitos naquilo que depende do indivíduo e das condições individuais para poderem cuidar mais da saúde, tendo acesso cada vez mais cedo a tratamentos de saúde.

“Isto vai estar sempre ligado à realidade de renda, se você vai para região Sudeste o percentual de pessoas, por exemplo, que precisam no Sistema Único de Saúde (SUS) para ter acesso à saúde é muito menor lá do que aqui, então a gente está falando da expectativa de vida, sobretudo para a velhice e terceira idade”, pontuou.

Cultura do fast food e dinâmica de vida podem fazer a diferença

 

No Nordeste, de acordo com o sociólogo Adalberon Sá há uma carência maior onde se tem que recorrer ao SUS e consequentemente às condições do tempo e espera. “Vai acabar sendo maior do que em outras regiões, no entanto a gente vai ter isso se respondendo na vida de cada um trazendo sempre impactos diretos que podem melhorar, dando condições de acesso à saúde, melhorando as condições de vida individual, de prática de atividade física, de acesso a alimentação e a outras políticas que geram qualidade de vida”, avaliou.

Na visão dele estes fatores vão consequentemente repercutir na ampliação da expectativa de vida do alagoano ao nascer. Para o sociólogo não é somente a questão da saúde, existem muitas coisas, por exemplo, enraizadas na cultura das pessoas.

“A alimentação vai se tornando saudável, cada vez mais tem crescido, enquanto outras têm isso muito enraizado já a cultura do fast food, menos balanceada, a dinâmica de vida está sendo cada vez mais sendo atropelada, com menos tempo para se alimentar bem, eu tenho que comer correndo, eu tenho que fazer tudo correndo, eu tenho menos tempo pra dormir, porque eu vou gastar mais tempo no trânsito, porque eu vou ter mais que eu tenho que trabalhar às vezes 2 ou 3 lugares. Todo esse complexo, esse conjunto de situações vai afetar diretamente na minha qualidade de vida, que vai afetar consequentemente o meu tempo de vida”, detalhou o sociólogo.

MORTALIDADE INFANTIL

A mortalidade infantil em Alagoas caiu de 17,3 por mil em 2018 para 16,4 por mil em 2019. O resultado fez o estado ultrapassar Amazonas e Roraima no ranking nacional, já que ambos registraram taxa de 16,7 por mil.

Mais uma vez, houve diferenças entre homens e mulheres em Alagoas. A taxa de mortalidade infantil para os meninos era de 16,9 por mil em 2019, e a das meninas era de 15,8 por mil.

A meta dos objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS) para o Brasil é de, até 2030, reduzir a mortalidade neonatal para, no máximo, 5,0 por mil e a mortalidade de crianças menores de 5 anos para, no máximo, 8,0 por mil.

O Espírito Santo é o estado brasileiro com menor taxa de mortalidade infantil (7,8 óbitos a cada mil nascidos vivos). Já o Amapá tem o maior índice entre os estados (22,6 por mil), atingindo quase o triplo de mortes do ES. (Com assessoria)

Fonte: Tribuna Independente / Ana Paula Omena

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